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Jornal de Espiritismo nº 34 · Maio 2009Página 132 min

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Opinião PUBLICIDADE PUBLICIDADE A filosofia da camioneta foto arquivo São um grupo já conhecido. A um canto da praça, enquanto outros andam a skatar, ou vão ao treino de Tae-Kwon-Do, este grupo fuma e bebe, bebe e fuma. O mais novo terá uns doze anos. O mais velho, de dezasseis, andaria ainda no 5.º ano de escolaridade se pusesse os pés na escola, fuma tanto que já teve que extrair um pulmão. Como já não sou novo, o grupo empenha- se no palavreado escabroso, em emborcar cerveja e em acender cigarros à minha passagem (quem diria, eu já sou um símbolo de establishment...)

Tanto esforço para chatear o “cota” já merecia algum reconhecimento, por isso resolvi dar- me por achado: - Atão, ó rapaziada, a dar lucro à Tabaqueira, hã? Inevitavelmente, a resposta foi: - E que é que você tem a ver com isso? - Nada, nada, meus amigos!... Faz-me pena ver-vos a darem cabo da saúde, com álcool, tabaco e drogas. Perdoem-me se vos incomodo. A resposta foi o grande clássico filosófico da camioneta: - Bah!

Amanhã pode-se ficar debaixo de uma camioneta... Como em matéria de tiradas filosóficas profundas não gosto de ficar atrás de um grupo de adolescentes sem afecto, atirei: - Pois está bem, mas se não forem todos atropelados pela tal camioneta? A filosofia da camioneta está longe de se restringir a estes grupos de angry young men. Vale tudo, segundo o código moral vigente, porque a fatídica camioneta pode aparecer de um momento para o outro, em qualquer esquina.

Pois está bem, mas se não forem todos atropelados pela tal camioneta? Pessoalmente acho o piano de cauda muito mais apelativo, com muito mais sabor a comédia, e, se me dessem a escolher, gostava de desencarnar assim, à maneira dos desenhos animados. Possivelmente nenhuma filosofia como a espírita nos faz tão conscientes da nossa mortalidade. E nenhuma outra nos faz tão conscientes da necessidade e do prazer de trabalhar, de edificar, de conviver, de rir, a despeito de todas as camionetas ou pianos de cauda.

O materialismo apresenta a nossa condição de mortais como justificação para o aborrecimento, a auto-destruição premeditada, a amoralidade. É isso que o verdadeiro establishment oferece a estes rapazes.