Entrevista PinturaMediúnica Conhecido em Portugal pelos vários anos em
Jornal de Espiritismo nº 34 · Maio 2009Página 83 min
que visita o movimento espírita português executando sessões de pintura mediúnica, Florêncio Anton responde a diversas questões, em exclusivo. Profissionalmente o entrevistado é licenciado em pedagogia com habilitação para a Educação Especial. Nos seus tempos livres é um idealista e médium disciplinado pelos valores espíritas. O que é a psicopictografia ou pintura mediúnica?
Florêncio Anton – Conforme o estudo do item 190 do cap. XVI de «O Livro dos Médiuns», nas considerações sobre os médiuns especiais para os efeitos intelectuais poderemos constatar que se trata da pintura e ou desenho executado sob a influência dos Espíritos. Como apareceu esse fenómeno na sua vida? Florêncio Anton – Contava 17 anos de idade quando esta faculdade mediúnica deu indícios da sua existência na minha vida.
Recebi-a com surpresa e não me causou incómodos maiores, pois já estava habituado a fenómenos mediúnicos. Alguma vez estudou desenho? Florêncio Anton – Nunca estudei desenho nem procurei desenvolver esta habilidade. Não sentiu receio em adentrar uma área que não conhecia nem dominava? Florêncio Anton – Não. Aprendi que a confiança no grupo de trabalho é algo de importância cabal para o exercício mediúnico, de modo que sempre tive no eng.
º Messias Canuto a orientação segura para a prática da mediunidade. Além disso, os Espíritos pintores sempre me ofereceram evidências fortíssimas da sua presença ao meu lado, facto que facilitou muito o desenvolvimento dessa tarefa. Como funciona a preparação de uma sessão de pintura? Florêncio Anton – A preparação para uma sessão de pintura mediúnica em nada difere da preparação que fazemos para as nossas reuniões práticas de espiritismo.
Procuro orar no sentido de estabelecer um contacto mais efectivo com os Espíritos directores desse trabalho a fim de que tudo possa ocorrer com êxito. Evidentemente que existem outras variáveis envolvidas, como o público, o estado psicológico das pessoas envolvidas no trabalho ou mesmo a interferência de outros Espíritos e que podem prejudicar o andamento das apresentações, facto estudado com muita propriedade por Allan Kardec no livro supracitado, precisamente no cap.
XXI. No tocante às jornadas de pintura mediúnica quais as que ocorrem em Portugal, por exemplo, somos nós quem solicitamos aos pintores desencarnados a autorização para o desenvolvimento das apresentações. Claro que corremos o risco, em algum momento, por conta das interferências acima apresentadas de uma apresentação não ocorrer ou ocorrer de forma parcial. No tocante às actividades dos pintores desencarnados percebemos que todos eles desenvolvem outras tarefas para além da pintura.
Como se explica que, por exemplo, que apareçam vários médiuns ao mesmo tempo a pintar Renoir ou outros autores, uns numa cidade, outros noutra, às vezes em países diferentes, na mesma hora? Florêncio Anton – Supondo que todos os médiuns sejam sérios e desenvolvam as suas faculdades de forma autêntica, resta- nos apelar para o estudo de «O Livro dos Espíritos» quando este nos fala a respeito da irradiação do pensamento por parte do Espírito.
O médium é uma antena receptora de pensamentos que, em estado de crise provocada pelo transe recebe, traduz e materializa o pensamento dos desencarnados conforme as características da sua faculdade. Sendo assim, seria lícito trazermos a consideração de que é esta mediunidade captativa a que possivelmente possibilita a recepção do pensamento dos pintores num mesmo momento ou com certas discrepâncias no horário. Alguma vez os seus quadros foram analisados por críticos de arte independentes, não espíritas?
Florêncio Anton – Mais uma vez apelaremos para o bom senso kardequiano contido em «O Livro dos Médiuns» cap. XXIV, para cuja leitura convido os amigos leitores, no sentido de fazerem uma reflexão profunda sobre os argumentos ali contidos. As nossas produções na área das artes já foram alvo de críticas interessantes. Posso exemplificar com a do sr. Mário Mancigotti, na Itália, e a do doutor Mário Canelas em Portugal, momento em que ambos fazem referências favoráveis à identidade dos pintores que por nós se comunicaram.
É claro também que outras menos felizes já foram levantadas. Não me preocupa a alcunha de mentiroso ou charlatão. A obra fala por sim mesma em função das muitas evidências trazidas pelos pintores como quadros de parentes falecidos, não mistura das cores a óleo embora as mãos estejam sujas de outra cor, a rapidez de execução das obras ora com os olhos completamente fechados, ora com os olhos semiabertos, entre outras.
