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Jornal de Espiritismo nº 34 · Maio 2009Página 95 min

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Entrevista PÁGINAS DE INTERNET www.future-studios.com PUBLICIDADE de opinar, não podemos , entretanto, conivir com atitudes ofensivas sobretudo as provenientes dos nossos cômpares dos quais esperamos a postura da ciência espírita que tem preconizado sempre o estudo do fenómeno com isenção de personalismo. Uma vez que já fez milhares de pinturas, não corre o risco de “ganhar o jeito” e o fenómeno mediúnico tornar-se anímico, já que pela repetição pode ganhar o jeito e repetir quadros?

Florêncio Anton – Se “ganhar jeito” for entendido como fenómeno de aprendizagem no que diz respeito ao desenvolvimento de habilidades seria imperioso dizer que não precisaríamos mais das escolas profissionalizantes, posto que bastaria que os Espíritos nos accionassem o cérebro para produzirem as adaptações e assimilações assim como deflagrarem a plasticidade neuronal decorrentes do desenvolvimento cognitivo e por consequência da aprendizagem.

Um telefone “ganha jeito” dos que falam através dele? Claro que não! O médium, a grosso modo, seria um telefone que os Espíritos utilizam para nos fazerem chegar suas mensagens. É de se esperar, entretanto, que os médiuns possam reflectir, ponderar e aprender com o resultado de que são intermediários, ou seja com as mensagens que receberam tanto quanto os que vêem os quadros ou lêem as páginas psicografadas. Não tenho certeza absoluta de que os quadros não se repetem!

Afinal de contas são mais de 28 mil telas ao longo de 18 anos de trabalho… quando falo que não se repetem faço-o em função da declaração dos Espíritos. Quanto aos quadros serem parecidos, isto pelo menos evidencia que se trata da mesma origem espiritual. É natural que reconheçamos similitudes nos quadros executados por um mesmo Espírito pintor. Soubemos que foi investigado por vários médicos em Portugal. Pode descrever o que se passou?

Florêncio Anton – Foi na cidade de Figueira da Foz, junto a vários médicos, advogados e outras pessoas ligadas às artes. Na oportunidade os pintores desencarnados desenharam com ambas as mãos, com os pés, com o rosto virado para cima, facto que fez com que o doutor Mário Canelas emitisse o enunciado de que era “humanamente impossível desenvolver de olhos abertos o que este senhor desenvolveu de olhos fechados”. Porque os espíritos só pintam coisas banais do mundo terreno, caras, paisagens, etc?

Porque não trazem caras, paisagens e outros motivos dos locais onde eles vivem no mundo espiritual, trazendo assim notícias do mundo espiritual como aconteceu outrora no tempo de Kardec e outros? Florêncio Anton – Não podemos atribuir o termo banal às obras dos Espíritos que possuem, para mim e para outros tantos, um valor inestimável. Lembremos que a grande maioria dos pintores desencarnados vivem na mesma faixa de interesse da humanidade encarnada e por isso mesmo continuam a retratar os motivos que nos dizem respeito.

Para além disso é uma forma de se fazerem identificar. Imaginemos um Picasso pintando coisas que não seriam da sua ordem de interesses. Fatalmente haveríamos de dizer que não se trataria de Pablo Picasso… Nas experiências que tivemosjunto ao eng.º Messias Canuto tivemos a oportunidade de receber pinturas dos Espíritos retratando os centros de força, a mão de um curador emitindo energia entre outros. O que acontece durante o transe mediúnico?

Tem consciência? Florêncio Anton – Não tenho condições de mensurar a minha interferência. Sei contudo que ela existe. O estado de transe coloca-me numa situação de perda de controlo dos movimentos, agitação, excitação afectiva entre outros sintomas, o que me coloca num estado de semilucidez. Na maioria dos trabalhos não consigo registar o que o Espírito está desenhando ou pintando. Conte-nos um ou dois casos de situações de manifestações mediúnicas que mais o marcaram e que não deixam margem para dúvidas?

Florêncio Anton – Em Setembro de 2007 na cidade de Lima, no Peru, Maru Cassatt retratou André Luond Checa aos 6 anos de idade, desencarnado em Barcelona aos 21, irmão de Anni Checa que estava no auditório e que muito se emocionou com o quadro. Este caso foi registado na «Revista Espírita» em espanhol. Em Julho de 2008, Toulouse Lautrec retratou a mãe desencarnada de Fernanda Guarines no Teatro Nadyr Papi Saboya em Fortaleza.

Como conciliar a pintura mediúnica com a afirmação de Kardec de que a mediunidade não deve ser motivo de espectáculo, de palco, mas sim algo privado? Florêncio Anton – Não encaro as apresentações de pintura como um show. Se as comunicações espirituais não pudessem ser obtidas em público nós não as teríamos com o Chico Xavier ou com Divaldo Franco que são referências na mediunidade segura. Além disso, as nossas apresentações normalmente são desenvolvidas nos centros espíritas ou em ambientes educacionais, o que promove a contriçãoeo respeito necessário a essa atividade.

Como funciona a mecânica dos espíritos na pintura mediúnica? Vem um pintor de cada vez e pinta, ou eles têm moldes que cada um pinta ou têm moldes feitos por eles e apenas um espírita pinta todos os moldes? Florêncio Anton – Não se trata de um Espírito assinando por outros. Isso seria mistificação. O processo se dá por envolvimento e interpenetração perispiritual, o que faz com que o comunicante assuma momentaneamente o meu centro motor.

Como é que eles conseguem que as tintas não se misturem? Florêncio Anton – Impermeabilizando as camadas de tintas ao utilizarem o ectoplasma. O mecanismo eu desconheço. Para onde vai o dinheiro auferido na venda dos quadros, depois de deduzidas as despesas com material de pintura? Florêncio Anton – Para as instituições que nos recebem e para a construção e manutenção das obras sociais do Grupo Espírita Scheilla que fundámos em Salvador.

Kardec recomendava parcimónia no exercício da mediunidade, de modo a não haver desgaste do médium e perigo para o mesmo. Ora, em périplos de uma semana ou mais, pintando durante duas horas, todos os dias, não corre riscos? Florêncio Anton – É evidente que existe desgaste no exercício da mediunidade. Riscos corremos todos nós em todos os momentos… Prefiro arriscar-me numa tarefa que tem levado alegria a tanta gente! Os Espíritos Superiores certamente calculam os riscos pois do contrário as sessões de pintura não ocorreriam.

Que mais-valia pode a pintura mediúnica trazer ao Espiritismo? Florêncio Anton – Ao composto doutrinário não haveria de trazer nada pois a doutrina espírita já está pronta. Trata-se de uma experiência prática que nos chama a atenção sobre os postulados espíritas.