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Ponto de vista O Espiritismo e a investigação científica foto arquivo

Jornal de Espiritismo nº 34 · Maio 2009Página 102 min

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Bons médiuns existem por toda parte, ocorrem fenómenos relevantes, mas a impressão que se tem, hoje em dia, é de que não há mais investigadores do tipo de Crookes, Gibier, Bozzano e outros. Quase não se fazem registos nos trabalhos experimentais, nem há certos cuidados, na maioria dos casos. Muito fenómeno importante fica sem anotação, sem documento para exame ou verificação.

Queremos crer que haja homens de envergadura intelectual para investigações sérias, mas talvez não haja condições, ambiente favorável, em grande parte, pois nem todas as pessoas que se dedicam à parte experimental do Espiritismo têm mentalidade científica. Há muita diferença entre mentalidade científica e cultura científica. É certo que a cultura abre horizontes largos e pode contribuir muito para a formação da mentalidade, mas é preciso não perder de vista que muitas pessoas adquirem boa cultura científica, têm muita leitura, fazem cursos especializados, etc.

, etc., mas não têm a verdadeira mentalidade científica. Pode parecer um contra-senso. Quem, por exemplo, fica logo deslumbrado diante de um fenómeno ou de uma comunicação “sensacional” sem qualquer análise, não tem mentalidade científica, pois está procedendo apenas emocionalmente, não analiticamente. E quanta gente há, por aí, que procede assim, apesar de possuir currículos universitários? Há pessoas que são muito rigorosas noutros campos de pesquisa, mas quando entram no campo mediúnico procedem mais como místicos do que propriamente como homens de ciência.

Não basta, portanto, ter a formação científica dos livros ou dos cursos de Universidade, é preciso ter atitudes científicas diante dos fenómenos. Muito fenómeno importante fica sem anotação, sem documento para exame ou verificação. E é o que muita gente não tem. Há pessoas, no entanto, que não fizeram uma cultura científica regular, não dispõem de certos instrumentos de pesquisa, mas apresentam reacções diferentes, dando a impressão de que têm muito mais espírito científico do que muitos laureados.

Mas não se pode dizer que não haja, actualmente, gente capaz de realizar trabalhos científicos. Talvez essas pessoas não encontrem compreensão nem apoio para certos tipos de sessões. É outro problema. Em que sociedade, em que ambiente organizar uma sessão com médiuns preparados para determinadas experiências? Não é fácil, digamos a verdade. Já ouvimos dizer, mais de uma vez, que “o Espiritismo parou no século XIX”, em matéria de estudos científicos.

Depois de uma fase realmente notável, fase em que refulgiram os nomes de CROOKES, AKSAKOF, ZOELLNER, por exemplo, nunca mais se fez um trabalho de cunho científico, na acepção exacta. É o que se diz. Até certo ponto, sinceramente, honestamente, devemos reconhecer que a crítica tem alguma procedência, não há duvida. Das últimas décadas do século passado ao começo do nosso século [1], é inegável, houve experiências rigorosas, comunicações e relatórios de alto teor científico.

De certo tempo em diante, parece que se deu uma espécie de arrefecimento do espírito científico no campo mediúnico. Isto não quer dizer que não haja material. Há, sim.