Opinião Criacionismo e evolucionismo: duas verdades possíveis?
Jornal de Espiritismo nº 36 · Setembro 2009Página 123 min
A teoria evolucionista já era defendida pelo filósofo grego Anaximandro, século VI, a.C., que imaginou que o princípio de tudo era o infinito. Seria sua ideia de Deus? O certo é que infinito designa o que é indeterminado. E o biólogo francês Chevalier Lamarck, que morreu 1829, concebeu também a evolução orgânica, antes apenas a geológica era aceite. Ele defendeu igualmente a polémica teoria da geração espontânea e a do transformismo.
Erasmo Darwin, médico inglês, poeta, avô de Charles Darwin, e autor do poema “O Jardim Botânico”, já havia levantado também a ideia da evolução biológica. Mas coube a Charles Darwin e Alfred Russel Wallace, um dos criadores da Geografia Zoológica, ficarem consagrados como sendo os verdadeiros criadores da teoria evolucionista. Wallace não tinha nenhum contacto com Darwin. Mas havia uma semelhança tão grande entre os seus trabalhos literário- -científicos e a obra de Darwin, “A Origem das Espécies” (1859), que houve até um entendimento entre os dois, quando da publicação dessa obra de Darwin.
Darwin não era ateu. Em “A Descendência do Homem” (1871), ele tem uma certa tendência agnóstica. Mas ele sempre acreditou em Deus. É dele esta frase: “Por maiores que tenham sido as crises por que passei, nunca desci até ao ateísmo, nunca cheguei a negar a existência de Deus”, Eliseu F. da Mota Jr, “Que é Deus?”, página 107, Ed. O Clarim, Matão, SP, citando a Revista «Globo Ciência». E, quanto a Wallace, ele foi um dos grandes escritores da área científica espírita.
“Por maiores que tenham sido as crises por que passei, nunca desci até ao ateísmo, nunca cheguei a negar a existência de Deus” - Darwin A fama de os evolucionistas serem ateus deve-se à adesão ao evolucionismo de outros cientistas materialistas, de entre eles T. H. Huxley, criador da palavra “agnóstico” (Revista «Ultimato» nº 317, pág. 48). As teorias criacionista e evolucionista ganharão a polémica, pois são consentâneas com a ciência e a filosofia espiritualistas.
O padre católico antropólogo e arqueólogo Pierre Teilhard de Chardin aceitava ambas. O espiritismo é também criacionista e evolucionista. A finalidade da reencarnação é justamente a evolução do espírito. Também a Igreja Católica e várias outras igrejas cristãs e demais religiões existentes no mundo são criacionistas e evolucionistas. O Vaticano não se desculpa com Darwin, pois nunca o condenou formalmente, afirma o padre Juarez de Castro (www.
padrejuarez. com.br), secretário de Comunicação da Arquidiocese de São Paulo, Brasil, citado pelo padre Gladstone Elias de Souza, pág. 7, do “Jornal de Opinião”, de 19 a 25-1-2009, da Arquidiocese de BH. Discordamos de Santo Agostinho, que ensinou que Deus criou o mundo do nada (“ex nihilo”), pois cremos que Deus o engendrou do Todo, que é Ele! Mas concordamos com esse grande sábio católico, quando ele afirma que a criação foi em estado potencial ou de semente, que vai se actualizando com o decorrer dos tempos.
Existem cristãos que ainda não aceitam a realidade do evolucionismo, e que pregam a criação bíblica literal do mundo, em seis dias de 24 horas, quando esses dias são períodos consecutivos de milhões de anos cada um. E eles crêem também que Deus descansou mesmo no sétimo dia, quando Deus é incansável, e quando essa afirmação é só para nos ensinar que nós, sim, temos que descansar. Esses cristãos – não o cristianismo – estão atrasados, mas eles ainda têm um tempo sempiterno para evoluir e conhecer a verdade que liberta.
