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Pedagogia Crianças excepcionais

Jornal de Espiritismo nº 36 · Setembro 2009Página 114 min

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“Tomás” era um miudo de 4 anos que entrava na sala do jardim de infância sempre bem disposto. Adorava cantar, e quase sempre se destacava no meio do grupo de 25 crianças. Um dia, propus aos meus educandos, que contassem uma história. Quando chegou a vez do “Tomás”, a história dele surpreendeu-nos a todos: parecia que lia mentalmente um livro, pois usou palavras cuidadas, absolutamente fora do comum para a sua idade.

Perguntei-lhe onde tinha aprendido aquela história, quem lha tinha contado? Respondeu que estava no livro que tinha trazido de casa. Foi buscá- -lo. A história escrita era identica à que o pequeno “Tomás” partilhara connosco. Tinha memória fotogénica, e acuidez auditiva fora do normal. Isto permitia-lhe que olhasse para as páginas de um livro e imediatamente “lesse” sem ainda conhecer as palavras. Poderia também memorizar a 100% um relato oral e transcreve-lo com toda a precisão.

Crianças excepcionais existem desde sempre. Chamadas de crianças prodígio ou sobredotadas, elas sobressaiem pela genialidade. Mozart, com apenas 4 anos de idade, já executava belissimas composições musicais, tendo composto aos 8 anos a sua primeira ópera. Pascal descobriu a geometria plana aos 12 anos de idade. Casos como de Willie Gwin, que com 5 anos obteve a licenciatura em medicina pela Universidade de Nova Orleans (1900), Harry Dugan, empresário com apenas 9 anos, George Steuber, engenheiro de 13 anos, são alguns citados por Léon Dénis .

O espiritismo veio explicar-nos que a criança é um espirito reencarnado, e que numa nova encarnação, traz com ela a sua bagagem individual de experiências e aprendizagens. Isto não significa que aqueles menos geniais não tenham adquirido suficientes conhecimentos, mas sim, que em cada projecto de vida, tendo em conta a missão de cada ser, estes conhecimentos podem ser “usados” para o bem geral. Devemos ter, no entanto, o cuidado de distinguir o que é sobredotação de estimulação precoce.

Actualmente, muitos pais, no seu excesso de zelo, estimulam nos filhos, desde tenra idade, a competição, forçando- os a treinos intensos, para que se tornem excepcionais em determinadas actividades. Isto, não sendo espontâneo, obviamente tem os seus riscos, que quase sempre resultam na infelicidade destas crianças. Grande parte das crianças excepcionais, exibem um alto grau de intelectualidade que não pode ser confundido com a evolução moral do espírito.

Isto reporta-nos ao movimento Crianças Indigo. Nos anos 80, a parapsicóloga Nancy Ann Tappe , criou o termo crianças indigo a partir de um estudo que fez sobre as auras humanas, observadas através da sua mediunidade. Lee Carrol e Jan Tober escreveram mais tarde (1998) um livro sobre o tema, onde lançam a ideia da vinda de um grupo de espíritos, de um outro planeta, com o objectivo da renovação e evolução do nosso orbe terrestre.

O movimento teve tal impacto, que vários psicólogos e pedagogos aderiram à proposta de “catalogar” e acompanhar este “tipo” de crianças,que como o nome indica, têm a sua aura de cor Indigo. Tendo em conta, a própria informação dada pelos espíritos, de que o planeta Terra, se encontra no processo de regeneração, fácilmente se introduziu esta ideia de Lee Carrol, no movimento espírita, como uma evidência desta transformação que se avizinha.

Na nossa opinião, incurre isto em grave erro de informação, de estudo e de senso crítico. Estas crianças indigo, como o demonstram os estudos, apesar das suas caracteristicas excepcionais, no que toca a telepatia, criatividade, intelectualidade, não deixam de ter grandes dificuldades de adaptação, socialização, resistem á autoridade, dificuldade em cumprir e aceitar regras, etc. Ora,não podemos falar, nestes casos, de sobredotação moral.

Quanto muito, falamos de mediunidade infantil (sonhos, visões, telepatia), ou de sobredotação intelectual (nas áreas da matemática, da literatura, fisica..), da criatividade, da liderança, e outras. A criança excepcional que revela superioridade moral, pode não apresentar nenhum tipo de sobredotação na área da intelectualidade. Devemos ter, no entanto, o cuidado de distinguir o que é sobredotação de estimulação precoce.

Estas crianças desde cedo têm uma visão da vida, onde a imortalidade da alma, a crença em Deus, o respeito ao próximo, são apanágio da sua vivência diária. Acreditamos, que muitas destas crianças reencarnam cada vez mais, para que auxiliem na mudança de um mundo melhor, mas pela humildade que inspiram, vivem incógnitas, cumprindo com a sua missão de forma serena. Elevar uma criança excepcional, de forma a alimentar-lhe o orgulho, traduz-se no oposto pretendido, pelo que achamos precipitado, aclamar crianças indigo, cristal ou com outras capacidades que lhe ditem uma categoria, pois, como diz a Professora Dora Incontri, “muitos podem se iludir no orgulho de ter um filho de aura azul, predestinado a mudar o mundo!

” Regina Figueiredo reginasaiao@gmail.com www.apedagogiaespirita.org apedagogiaespirita@gmail.