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Jornal de Espiritismo nº 36 · Setembro 2009Página 95 min
Entrevistas PUBLICIDADE PUBLICIDADE Médica e espírita Há perguntas do senso comum que podemos fazer, sobretudo se nos imaginarmos como uma pessoa que passa na rua e que nada sabe de doutrina espírita. Por isso, aproveitando as perguntas de uma repórter dirigidas há alguns meses à Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal e as respostas de duas pessoas escolhidas por esta associação, Lígia Almeida e Ulisses Lopes, para lhe responderem, aqui ficam para as partilharmos consigo.
Lígia Almeida , licenciada em medicina pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto – São Paulo, Brasil. Mestre em Farmácia e Bioquímica pela Universidade de São Paulo. Trabalhou durante dez anos como pesquisadora clínica na Universidade de São Paulo, com trabalhos publicados em revistas internacionais. Em Portugal há 9 anos, trabalha no sector privado. É membro da AME PortoAssociação Médico Espírita da Área Metropolitana do Porto.
Ser médico e ser espírita: existe alguma ligação? Lígia AlmeidaCreio que lidar com o sofrimento e a morte faz com que o profissional da área da saúde se imunize e se alheie, ou então vá em busca de respostas que não se encontram nos livros de medicina e nos bancos da faculdade. Como médica, o facto de ser espírita, tem ajudado a ajudar e a curar os seus doentes? Lígia AlmeidaA minha prática clínica não é diferente da de qualquer outro colega.
Ser espírita modifica-me enquanto pessoa, tornando-me mais consciente das necessidades e dificuldades alheias; ajuda- me a compreender que “a minha dor, não é maior que a dor do meu próximo”; que a vida tem objectivos e finalidades, na maioria das vezes, distintos dos nossos; e que ela, a vida, é de uma lógica e beleza que ainda estamos longe de compreender em toda sua extensão. Ser espírita não está em oposição à medicina?
Lígia AlmeidaCreio que as crenças de um médico só se oporão ao juramento de Hipócrates quando elas impedirem que seja utilizado todo o conhecimento e empenho, de que se dispõe, a favor da vida, o que não é o caso. Já fez alguma pesquisa com médiuns ou conhece alguém que tenha feito? Lígia AlmeidaAté o momento nunca fiz pesquisa com médiuns, mas na internet poderemos encontrar trabalhos de pesquisadores sérios, em vários países de todo o mundo, a estudar os estados alterados de consciência.
Aqui em Portugal conheço a Dra. Gláucia Lima, psiquiatra, que através da Fundação Bial, conduziu uma pesquisa clínica abordando o tema, concluindo que os médiuns são pessoas perfeitamente normais, não constituindo a mediunidade uma patologia mas sendo, sim, uma característica do ser humano. Como médica como vê o espiritismo? Lígia AlmeidaComo uma mais-valia na compreensão do que é a vida. Como espírita como vê a medicina?
Lígia AlmeidaUma ferramenta ímpar para a compreensão do ser humano e a sua trajectória. Divulgar a doutrina espírita Ulisses Lopes , presidente da ADEP, profissionalmente trabalha na área do marketing. O que é a doutrina espírita? Ulisses Lopes – É um conjunto de conceitos doutrinários que foram organizados por Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, em meados do século XIX, a partir da investigação que fez em torno de fenómenos mediúnicos diversos.
As práticas espíritas baseiam-se em premissas morais, que se articulam com a imortalidade da alma, as vidas sucessivas, a existência de Deus, a pluralidade dos mundos habitados e a lei de causa e efeito, segundo a qual todos recolhemos as consequências do que fazemos de melhor e de pior. As suas observações e estudos encontram-se publicados em vários livros, como «O Livro dos Espíritos», «O Evangelho segundo o espiritismo», «O Livro dos médiuns», «O céueo inferno», «A génese».
Onde está representada a doutrina espírita em Portugal e como? Ulisses Lopes – Não existe uma hierarquia, pela própria natureza da doutrina espírita ou espiritismo, no movimento espírita português. Existem diversas associações sem fins lucrativos obviamente, os chamados centros espíritas, mas existem associações de associações, como as uniões regionais ou, a nível nacional, a Federação Espírita Portuguesa. Existem ainda associações de especialidade, mais recentes, como a ADEP, a Associação Portuguesa de Pedagogia Espírita ou a Associação Médico-Espírita de Portugal.
Quais os objectivos da ADEP? Ulisses Lopes – São vários, mas todos se subordinam ao princípio de divulgação da doutrina espírita com seriedade e eficácia, dentro dos tempos livres, pós-profissionais, de cada um dos seus membros e colaboradores. Quais as actividades da ADEP? Ulisses Lopes – A ADEP tem diversas actividades, mas merecerão especial destaque as seguintes. O curso básico de espiritismo a distância, via internet, grátis, que funciona através do seu site.
Não dá certificados, trata apenas da cultura pessoal. A sua secção de pesquisa recolhe e tenta investigar dentro das suas limitações fenómenos da sua área. Uma central de informação envia notícias para os e-mails que as solicitem, e que divulga por exemplo conferências, simpósios, congressos, etc. que venham a ocorrer em Portugal. Dispõe também do «Jornal de Espiritismo», bimestral, e organiza as suas Jornadas de Cultura Espírita, no Centro do país, subordinadas em cada ano a temas diferentes, com a duração de dois dias.
Tem até uma secção de arte com especial incidência no cartoonismo, mas tudo isto pode ser consultado no seu site. Como é que o Espiritismo pode auxiliar a humanidade? Ulisses Lopes – Auxilia todos os que o quiserem estudar. Por esse processo, cada um pode aprender, sem líderes, a ciência de se conhecer a si próprio, paulatinamente. Com as ferramentas que esta doutrina proporciona, de profundo respeito pela liberdade do ser humano, a cada dia torna-se possível descobrir como alargar os horizontes de conhecimento e afecto que são as verdadeiras traves em que assenta a felicidade.
Há centros espíritas existem que recomende aos leitores? Ulisses Lopes – No site da ADEP existe a morada de vários. De certo, há a garantia de que centro que leve dinheiro a quem o frequenta não é seguramente espírita. De subjectivo, existe o gosto de cada um: algumas pessoas gostam de certas associações, outras preferem outras, e independentemente da qualidade dos seus métodos de serviço à população.
