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Reportagem Florêncio o médium dos quadros Algarve: qualidade na prátic

Jornal de Espiritismo nº 36 · Setembro 2009Página 65 min

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Reportagem Florêncio o médium dos quadros Algarve: qualidade na prática espírita Falar de Florêncio Anton, é falar de psicopictografia ou de pintura mediúnica. Médium de efeitos físicos, Florêncio usa a sua mediunidade, entre outras tarefas, para dar oportunidade a espíritos de pintores falecidos de usarem os seus braços para pintar. Os quadros, posteriormente, são vendidos, e a receita reverte a favor de obra assistencial, que ele mantém no Brasil.

Este ano, o périplo agendado em Portugal visou auxiliar uma obra assistencial do Grupo de Estudos Espíritas Allan Kardec, de Coimbra, revertendo toda a venda dos quadros para esse fim. Para quem já viu uma sessão de psicopictografia, assistir a outra sessão pode parecer banal. Mais do mesmo. Mas, nem sempre! Que o diga quem se deslocou a um centro espírita em Aveiro a fim de assistir à reunião mediúnica de psicopictografia com Florêncio Anton.

A noite era diferente, pois juntamente com ele ia um amigo muito especial, um padre, que passou despercebido. A páginas tantas, os espíritos pintaram o retrato de uma menina presente no auditório, estando o médium de olhos cerrados enquanto pinta. Posteriormente, um dos espíritos pergunta ao público se está algum familiar do Paulo. Uma senhora irrompe em pranto (era a mãe do jovem com problemas, que ninguém conhecia) e a entidade espiritual consola a senhora dizendo que confiasse pois que iriam tentar ajudar o A 5 de Julho de 2009, José Lucas, secretário da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), esteve no Algarve, onde dinamizou o colóquio “Qualidade na prática espírita”, no Centro Espírita Boa Vontade, em Portimão, destinado aos trabalhadores espíritas do Sul do país.

A partir da leitura prévia da bibliografia aconselhada, nomeadamente “O Livro dos Médiuns”, “O Centro Espírita”, de José Herculano Pires, e “Espiritismo: Comunicar” (Edições ADEP), resultante dos trabalhos apresentados nas Jornadas de Cultura Espírita de 2008 e lançado pela ADEP em Maio de 2009, os participantes foram convidados a reflectir sobre e a problematizar cada uma das cinco questões contempladas no programa: 1.

O Centro Espírita – o que é? O que deve ser? 2. As suas práticas – práticas espíritas ou “à la carte?”. 3. Qualidade na prática do centro espírita – Como atingir? 4. Atendimento ao público / Doutrinação / Desobsessão / Passe / Palestra – eficácia ou falácia? 5. Relacionamento interpessoal para o êxito – teoria e prática incompatíveis? Que solução? Alternando momentos de exposição oral com momentos de prática, a dinâmica do colóquio primou pela interacção efectiva conseguida com assistência em geral e nos pequenos grupos de trabalho.

Tendo em conta a realidade vivida em cada associação, concluiu-se que nem sempre o Centro Espírita é o que deve ser, pecando por falta de formação e preparação dos trabalhadores dos centros, para as actividades que aí desenvolvem, bem como do estudo rigoroso e disciplina. Constatou-se, ainda, a presença tímida de Kardec na lista de leituras efectuadas reveladora de que a Codificação é muitas vezes preterida em prol de obras psicografadas (algumas de qualidade duvidosa e outras, até, sem qualidade).

Ponderou-se sobre algumas práticas de cariz duvidoso, porque ritualista, que apelam à tendência para práticas típicas de religiões tradicionais, que os “espiritólicos” (espíritas que não se conseguiram despir dos hábitos quando eram católicos) ainda não conseguiram vencer. Atentou-se aos cuidados a ter na preparação de uma palestra, com ou sem apoio de suporte informático e/ou tecnológico e que, por serem inúmeras vezes descurados, acabam por afastar o frequentador pouco persistente.

Enfatizou-se a importância da homogeneidade de ideias, princípios e condutas como condição “sine quan non” para o bom funcionamento de um centro espírita, assim como o estudo sério, rigoroso, sistemático da Doutrina. Meteu-se o dedo nesta e naquela ferida, buscando meios para a sarar – nunca para magoar gratuitamente. Num ambiente fraterno e amigo, a discussão que se gerou foi saudável na medida em que o respeito imperou perante a diversidade de ideias apresentadas.

Este colóquio realizado no Centro Espírita Boa Vontade, em Portimão, contou com a presença de pouco mais de duas dezenas de participantes, provenientes de Portimão, Lagos, Faro e Pechão que lamentaram a ausência dos dirigentes e trabalhadores de todos os centros espíritas da região. Reconhecendo a importância do evento, pela promoção de uma reflexão conjunta de práticas a rever, a adoptar e a adaptar com o intuito de melhorar a qualidade da casa espírita, os participantes propuseram a realização do colóquio noutros locais do país, onde seja bem-vindo, já que é importante que a casa espírita e o movimento se aperfeiçoem, pelo diálogo, pela partilha de práticas, pelo debate construtivo de ideias.

Por Denise Estrócio seu filho, que está a passar por momentos difíceis nesta existência física. Na 5ª feira, dia 30 de Julho foi a vez de se deslocar à Nazaré. Florêncio pintou rapidamente 12 quadros, pintura a óleo, onde cada quadro variava entre 4 e 16 minutos. Diz quem percebe de pintura, que tal é impossível, pintar a óleo com os dedos todos sujos de tinta, sem que as cores se misturem. Os quadros chegam a demorar cerca de 3 meses a secar, e ali, são pintados em meia dúzia de minutos.

Os incrédulos ficam sem saber que pensar. Os outros ficam a meditar no fenómeno. Os espíritas explicam-no. Para quem ficou com os quadros, fica uma recordação de um evento que mexe com a sensibilidade das pessoas. Mas, isso em nada contribui para a sua edificação moral. O fenómeno abana os sentidos, mas não edifica. Quando muito, ajuda a despertar para a espiritualidade, ajuda a questionar. Ensina-nos a Doutrina Espírita, que o maior fenómeno que interessa aos bons espíritos, é o fenómeno da nossa transformação moral: não falar mal de ninguém, ser correcto, honesto, leal, amigo com desinteresse, fraterno.

Em essência, fazer ao próximo o que gostaríamos que nos fizessem, dentro da assertiva de Jesus: “Amai-vos uns aos outros”. Se não fizermos a reforma íntima, de nada valerão as sessões de psicopictografia, as conferências espíritas assistidas e / ou proferidas, as reuniões mediúnicas em que participamos, entre outras tarefas. Acabaremos por adentrar o mundo espiritual (quando o nosso corpo físico morrer) tal como reencarnámos, e teremos perdido precioso tempo, tendo de voltar, para retomar o roteiro da evolução desejada.

Que possamos pois, interiorizar um pouco em torno da fenomenologia espírita, e que esta possa ser também um trampolim para novas elucubrações em torno do nosso estado íntimo, e do que podemos e devemos fazer, no sentido da nossa evolução espiritual. Florêncio Anton esteve em Portugal de 21 de Julho a 2 de Agosto.