Entrevista Ciência e espiritualidade Francisco Curado* é membro da Ass
Jornal de Espiritismo nº 37 · Novembro 2009Página 102 min
Entrevista Ciência e espiritualidade Francisco Curado* é membro da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), responsável pelo seu departamento de pesquisa, actividade que naturalmente desempenha nos seus tempos pós-profissionais e que não é remunerada. Veja aqui as perguntas e as respostas… Ser espírita e ser cientista não é um contra-senso? Francisco CuradoCiência e espiritualidade nada têm de incompatível.
Pelo contrário, em minha opinião. Aquilo que tenho verificado ao longo da vida, quer no contacto directo com cientistas, mestres e colegas, é um profundo interesse pelas questões existenciais, pelas grandes questões que se prendem com a origem, o destino e o significado do Universo e dos seres. Alguns dos mais eminentes cientistas de sempre e da actualidade, muito em particular físicos, bioquímicos e outros que desenvolvem investigação nas áreas da origem da vida e da astrofísica, nas suas obras de divulgação científica acabam por colocar estas questões a um nível metafísico.
Na realidade, um cientista deve ser uma pessoa que, para além de respeitar determinadas metodologias, se preocupa em ir ao fundo das questões. Assim sendo, necessariamente irá deparar com a espiritualidade. O facto de um cientista adoptar ou simpatizar com uma determinada religião (o catolicismo, o hinduísmo, o islamismo ou outra) ou com filosofias como o budismo ou o taoísmo é normalmente apenas uma consequência da sua história pessoal e do meio em que foi educado, embora me pareça que, cada vez mais, as pessoas ligadas à ciência tendam a desvincular-se de religiões mais conservadoras para abraçar doutrinas menos dogmáticas e mais abrangentes em termos filosóficos.
Em minha opinião, ser espírita, está nesta linha de orientação. O que faz a ADEP no campo da pesquisa? Francisco CuradoEssencialmente, a ADEP estuda casos de manifestações que, caindo na esfera do fisicamente observável, são passíveis de uma interpretação à luz da doutrina espírita, tal como é proposta nas obras codificadas por Allan Kardec, mas também por autores e investigadores mais recentes. Incluem-se nos casos com potencial interesse para a ADEP manifestações do tipo “poltergeist”, manifestações mediúnicas através de médiuns credíveis e bem documentadas, fenómenos de “transcomunicação instrumental” (isto é comunicações através de meios electrónicos), entre outras.
O objectivo desta pesquisa é por vezes o de explicar os fenómenos e elucidar as pessoas que são de alguma forma perturbadas pelos mesmos, mas também tentar trazer a público a realidade destes casos e tentar esclarecer a sua origem. É uma actividade que deve ser desenvolvida com muito rigor e requer um conhecimento e domínio do método científico, para além dos conhecimentos filosóficos e doutrinários. Quer contar um caso que tenha pesquisado que não tenha resposta à luz da ciência oficial?
Francisco CuradoEm minha opinião, devemos ser humildes o suficiente para reconhecermos que os nossos conhecimentos, por muito avançados que sejam, são sempre limitados. Na realidade, um cientista deve ser uma pessoa que, para além de respeitar determinadas metodologias, se preocupa em ir ao fundo das questões. Assim sendo, necessariamente ir deparar com a espiritualidade.
