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Editorial Lembrou-se o petiz da bisavó que partiu e veio o dia em que

Jornal de Espiritismo nº 38 · Janeiro 2010Página 24 min

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Editorial Lembrou-se o petiz da bisavó que partiu e veio o dia em que perguntou ao pai: Para onde foi a Bibó? Não eram dados a muita proximidade, uma e outro. Lembrava-se na primeira infância da voz cansada pela idade a dizer-lhe, ela de pé, ele à mesa: Come lá a sopa! Mas agora a criança já não sustinha a dúvida. Estava a idosa ausente há demasiado tempo para estar de viagem, ou até para permanecer no hospital. Era um dado adquirido: tinha partido desta vida.

Do ponto de vista materialista o corpo físico da bisavó estava a desfazer-se, dando à Terra a matéria que dela viera. Do meu ponto de vista, espiritualista, estaria a enganar aquela doce mente de seis anos de idade se lhe dissesse – ao contrário do que as evidências indicam – que essa pessoa já não existia. Falei-lhe então de um homem da Grécia Antiga, Platão. Ele escreveu que vínhamos do mundo das ideias e que para lá regressávamos quando fôssemos tão velhinhos que os nossos corpos já não funcionassem, de pé ou deitados.

Seria o País da Luz, onde as pessoas gostam umas das outras, mesmo que não tenham as mesmas opiniões, e onde ninguém é capaz de pisar outrem para deitar a mão a algumas migalhas ou atingir posições de destaque, como os macaquinhos no bando ou os cães vadios na alcateia reconstruída. No dia seguinte o petiz, com aquela alegria natural da infância, fazia questão de dizer à família que a Bibó estava no planeta das A camisa branca e o carvão O pequeno Zeca entra em casa, após a aula.

Via-se que estava zangado. O pai, que se dirigia ao quintal para fazer alguns serviços na horta, ao ver aquilo achou melhor chamar o menino e conversar com ele. Zeca, de oito anos de idade, acompanha-o desconfiado. Antes que o pai dissesse alguma coisa, diz irritado: - Pai, estou com muita raiva. O João não deveria ter feito aquilo comigo. Desejo-lhe tudo de ruim. O pai, um homem simples mas cheio de sabedoria, escutou-o, calmamente.

Mas o filho continuou a queixar-se: - O João humilhou-me à frente dos meus amigos. Não aceito. Gostava que ele ficasse doente sem poder ir à escola. O pai escutou tudo, sempre calado, enquanto caminhava até um abrigo onde guardava um saco cheio de carvão. Levou o saco até ao fundo do quintal e o menino acompanhou-o. Zeca viu o saco abrir-se e, antes mesmo que ele pudesse fazer uma pergunta, o pai propõe- -lhe: - Filho, faz de conta que aquela camisa branquinha que está a secar no varal é o seu amiguinho João e cada pedaço de carvão é um mau pensamento seu, que lhe é enviado.

Quero que atires todo o carvão do saco à camisa, até ao último pedaço. Depois eu volto para ver o resultado. O menino achou que essa era uma brincadeira divertida e pôs mãos à obra. O varal com a camisa estava longe do menino e poucos arremessos acertavam no alvo. Uma hora passou e o menino por fim terminou a tarefa. O pai, que observava tudo de longe, aproxima-se do menino e pergunta-lhe: - Filho como te estás a sentir agora?

- Estou cansado, mas estou alegre porque acertei com muito carvão na camisa. O pai olha para o menino, que fica sem entender a razão daquela brincadeira, e diz-lhe: - Vem comigo até ao meu quarto, quero mostrar-te uma coisa. O filho acompanhou o pai até ao quarto e fica à frente de um espelho onde pode ver o seu corpo todo. Que susto! Só se conseguia enxergar os seus dentes e os olhinhos. O pai, então, diz: - Zeca, viste que a camisa quase não se sujou; mas, olha só para ti.

O mal que desejamos aos outros é como o que lhe aconteceu. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com os nossos pensamentos, a borra, os resíduos, a fuligem ficam sempre em nós mesmos. Fonte: http://omensageiro.com.br/mensagens/mensagem-380.htm boas ideias. Percebeu que desta vez o pai não estava a brincar com ele, e adaptou a linguagem à sua compreensão. É discutível se esta opção de resposta foi a melhor.

Algo irrelevante, já que o tempo não volta atrás. Certo é que por vezes se passa anos e anos iludidos com as aparências, como se o efeito fosse a causa e a reacção a acção. Diáfano, o Espírito é o condutor do veículo, o ser que pensa, sente e age, embora dentro dos condicionamentos materiais da vida no plano físico. Se não fosse assim, nem a gripe lhe pegaria. Chão de aprendizagem de conhecimentos e afectos, os anos que o ser humano passa na Terra sedimentam o seu progresso evolutivo.

Sem perder o olhar nos horizontes mais longínquos, decerto ainda distantes, torna-se agora mais útil iluminar quaisquer inclinações duvidosas com os recursos da auto-educação, nos parâmetros do melhor conhecimento de si próprio. Se “sem amor no coração não teremos olhos para a luz”, é sensato usar cada um a luz de que dispõe para sedimentar a paz no imo do seu ser e dirigir o seu tempo rumo a conquistas interiores mais felizes.

Assim, neste plano, ou até mais tarde no tal “planeta das boas ideias”, de onde viemos, teremos reunidos recursos para aprendermos o ritmo das leis naturais e com elas mais nos harmonizarmos, conforme ensinou Jesus.