Ficha Técnica
Jornal de Espiritismo nº 38 · Janeiro 2010Página 34 min
Correio do leitor FICHA TÉCNICA Jornal de Espiritismo Periódico Bimestral Director: Ulisses Lopes Editor: Jorge Gomes Maquetagem: www.loucomotiv.com Fotografia: Loucomotiv e Arquivo Tiragem: 2000 Exemplares Registado no Instituto da Comunicação Social com o n.º 124325 Depósito Legal: 201396/03 Administração e Redacção ADEPRua do Espírito Santo, N.º 38, Cave Nogueira – 4710-144 BRAGA Assinaturas Jornal de Espiritismo Apartado 161 4711-910 BRAGA E-mail jornal@adeportugal.
org Conselho de Administração Noémia Margarido, Isaías Sousa Publicidade Apartado 161 4711-910 BRAGA pub@adeportugal.org Propriedade Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal ADEP NIPC 504 605 860 Apartado 161 4711-910 Braga E-mail: adep@adeportugal.org http://www.adeportugal.org Impressão Oficinas de S. José – Braga A minha filha vê “sombras” e ouve “vozes” Entre o correio que recebemos, seleccionamos uma de 29 de Dezembro, de Maria Guerreiro: «Bom dia.
Gostaria se possível de esclarecer uma dúvida: a minha filha com oito anos, por vezes fica assustada, refere que vê “sombras” e ouve vozes “pessoas aflitas”. Já há bastante tempo que não tinha episódios destes, estou preocupada porque não sei se a levo à pedopsiquiatria ou se analiso o assunto de outra forma. Eu tenho premonições, não regularmente, até porque nunca desejei desenvolver muito a minha mediunidade, talvez por receio, não sei.
Gostaria muito da vossa ajuda se possível. Muito obrigado». A resposta não tardou: «Olá Maria, quando alguém diz ouvir vozes, por exemplo, é sempre boa ideia descartar a hipótese de se tratar de algum transtorno psicológico. No entanto, aconselhamos sempre que nesses casos se dê preferência a um médico ou psicólogo com formação espírita ou em Psicologia Transpessoal. Um médico materialista descarta sempre à partida a possibilidade de se tratar de mediunidade.
No caso da sua filha tudo indica que se trate de mediunidade. Ora nesse caso, a pedopsiquiatria pode ser útil, desde que não “resolva” o problema mascarando-o sob uma quantidade de medicamentos depressores e de lugares-comuns do tipo de “a menina quer chamar a atenção”, ou outros do género. A mediunidade não é um problema. É uma faculdade orgânica, que uns têm mais apurada que outros. Tomemos por comparação a audição, um dos 5 sentidos conhecidos: ouvir não é bom nem é mau.
Será bom de estivermos no campo a ouvir o agradável cantar dos passarinhos e o sussurrar das folhas das árvores. Será mau se estivermos ao pé de um martelo pneumático ligado sem protecções nos ouvidos. Com a mediunidade é a mesma coisa. Não se trata de bloquear ou desenvolver a mediunidade, pois tal não é possível. O que é possível, e desejável para o bem-estar da pessoa, é educar a mediunidade. Tratando- -se de um adulto, o que a filosofia espírita propõe é a leitura de «O Livro dos Espíritos» (pelo menos essa obra), a frequência de um bom centro espírita para ouvir as palestras públicas, e o curso básico de Espiritismo, num centro ou on-line.
Escusado será dizer que TODOS os serviços espíritas são livres e gratuitos. Tratando-se de uma criança, não achamos boa ideia que se ignore o que se passa, como muitos pais (com a melhor das intenções) fazem. Pode ser que essas percepções diminuam com a idade, pois até cerca dos 7 anos elas dão-se na maior parte das crianças. Mas também pode ser que persistam, e, nesse caso, a criança vai achar-se “diferente”, quando descobrir que os outros não vêem nem ouvem o que ela vê.
Em vez de se ignorar, ou de se tentar convencer a criança de que é imaginação dela (o que é particularmente cruel...), aconselhamos que a criança seja integrada num grupo de evangelização infantil espírita. Não se trata de tornar a criança espírita. Trata-se de lhe dar bases morais e filosóficas. Aos pequenitos fala-se de Jesus, da dupla condição humana corpo-alma, fala-se da beleza e perfeição da Criação, e naturalmente fala-se de Deus, o Criador, fala-se do amor ao próximo, do cuidado com a Natureza, etc.
“A mediunidade não é um problema. … uma faculdade orgânica, que uns têm mais apurada que outros...” Esses conceitos fazem com que se torne natural para a criança ter esse tipo de percepções. Há aspectos em que a formação das crianças não deve ser deixada ao critério delas próprias. Depois dos 8 vêm os 9 anos, depois do 1º ciclo vem o 2º ciclo, e eis que, em conjunto com os novos colegas, as crianças portadoras da faculdade mediúnica começam a tentar “solucionar o problema” por elas mesmas, embarcando nas tolices das magias, das promessas, dos tabuleiros ouija, e outras...
É importante também que, apesar da idade da menina, a prece já seja um hábito natural. Fazer uma oração espontânea, ao levantar; fazer uma oração espontânea, sem fórmulas, ao deitar, pedindo a Deus uma boa noite, pedir a companhia do “Anjo da Guarda”, tudo isso melhora a saúde espiritual, funciona como um “filtro” eficaz para as percepções mediúnicas. É como quem toma um suplemento alimentar que aumenta o vigor e as defesas do organismo físico.
Abraço amigo, e disponha sempre. Bom Ano! M.C.
