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Entrevista Divaldo Franco: o homem Divaldo Pereira Franco é talvez o m

Jornal de Espiritismo nº 38 · Janeiro 2010Página 104 min

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Entrevista Divaldo Franco: o homem Divaldo Pereira Franco é talvez o mais conhecido médium espírita no mundo. Através das suas conferências e seminários singulares, não parece pertencer a este patamar. É mais fácil «endeusá-lo» do que compreendê-lo. Por isso, José Lucas resolveu fazer-lhe perguntas diferentes, quiçá desconcertantes. Na próxima edição, continua, agora já sobre questões menos pessoais, ouseja, doutrinárias.

Como é o seu dia-a-dia no Brasil? Divaldo Franco – Quando me encontro na Mansão do Caminho, levanto-me às 7 horas da manhã para o pequeno-almoço, às 8 horas dou início às actividades habituais para atender à nossa comunidade. Mais ou menos às 10 horas, dedico-me à correspondência, tanto por e-mail como convencional. Após o almoço deito-me por aproximadamente 15 minutos, após o que volto ao trabalho, nesse momento com a comunidade.

Seis vezes por semana temos reuniões espíritas em nosso Centro: quatro doutrinárias e duas mediúnicas. Quando retorno ao lar, após as reuniões, dedico-me à psicografia, uma média de duas, três horas, até às 3 ou 4 da manhã, a depender do trabalho que está sendo executado pelos Espíritos. E quando está no estrangeiro, como é esse dia-a-dia? Divaldo Franco – Obedecendo a uma programação antes estabelecida, evito fazer qualquer tipo de visita, de modo a poder atender os compromissos em clima de alegria e de bem-estar.

Não realizo turismo em absoluto, e, terminadas as palestras, mesmo estando em hotel, prossigo no labor psicográfico, de acordo com as directrizes estabelecidas pela benfeitora espiritual Joanna de Ângelis, que sempre convida algum amigo espiritual para escrever. Olhe, isto é uma pergunta muito primitiva, como é viver sozinho? É uma missão? Foi uma opção? Divaldo Franco – Naturalmente, à medida que as actividades se multiplicaram, ao largo dos anos, fui sendo absorvido de tal forma que não me dei conta dessas ocorrências, tais como solidão, angústia, ansiedades, faltas ou desconforto...

Os fenómenos sociais, as actividades abraçadas foram-me conduzindo de um lugar para o outro e, como tenho muita vida interior, consegui manter o equilíbrio interno, perseverando em paz. Naturalmente, se houvesse encontrado uma esposa companheira teria sido, talvez, mais fácil para a própria tarefa, mas por outro lado, Deus mandou-me tantos corações afectuosos voluntários para acompanhar-me em nossa casa, que passamos a ter uma vida em família, normalmente uma média de 20 pessoas na casa da administração e na comunidade uma média de 400 cooperadores...

além dos funcionários remunerados, quase 300. Os Espíritos atrapalham muito a sua vida? Por exemplo, sei lá, andar por exemplo em casa, nos seus afazeres, aparecerem-lhe assim Espíritos de repente, ou não? Divaldo Franc o – Aparecem-me, sim, os Espíritos, a todo momento. Como sou possuidor de uma espécie de segunda vista, consigo alcançar ocorrências fora do mundo convencional. A princípio assustava-me, porém com o tempo acostumei-me tanto que já não me inquieto.

É como alguém que está na rua e retornando ao lar, se é interrogado: «Quem é que você viu na rua hoje? – Ninguém – é a resposta natural». Mas, de facto, a pessoa viu muita gente, somente que não se deteve na observação. Quando se trata, porém, de um Espírito conhecido, quase sempre se estabelece um breve diálogo. Os Espíritos inferiores, às vezes, tentam criar-me problemas no entorno, lançar pessoas desprevenidas contra mim, criar situações embaraçosas que, de alguma forma, eu consigo administrar bem.

O Divaldo vê os Espíritos apenas quando se concentra, quando quer, ou só quando eles lhe aparecem? Divaldo Franco – É um fenómeno quase normal. É como estarmos vendo aqui na sala cadeiras e móveis, sem que nos chamem a atenção, como resultado do hábito. Da mesma forma adquiri uma espécie de técnica, que seria uma forma de ver sem enxergar, excepto quando há algum interesse de minha parte, ocorrendo uma fixação mais demorada e complexa em relação aos desencarnados que se me apresentam.

O Divaldo também sofre de problemas obsessivos? Divaldo Franco – Penso que não. No começo da mediunidade convivi com uma Entidade amiga que afirmava odiar-me e buscava perturbar-me, o que se prolongou por um longo período, tornando-se, por fim, com o meu esforço de transformação moral e espiritual para melhor um grande amigo, e hoje praticamente um benfeitor. Está preparando-se para reencarnar. Mas alguns adversários da causa espírita, em decorrência do meu passado, muitas vezes procuram afigir-me, projectando-me pensamentos perturbadores, criando-me situações mais difíceis no relacionamento social, na internet, mas, graças a Deus, não lhes atribuo qualquer importância, compreendendo que isso é natural em relação a todas as pessoas que se dedicam ao bem.

O Divaldo tem consciência se alguma vez foi mistificado, se isso aconteceu? Divaldo Franco – Logo no começo, a benfeitora Joanna d’Ângelis na área da psicografia, depois de reunir muitas mensagens, sugeriu-me que as destruísse, porque todas eram treinamento e muitas procediam de Entidades de vários níveis evolutivos. Publiquei raríssimas por ela consideradas credoras de divulgação. A partir de 1964, ela selecionou diversas que lhe pareceram próprias e reuniu-as no livro intitulado “Messe de Amor”, iniciando uma fase nova.

Algumas Entidades que se faziam passar como letradas, foram discretamente sendo recusadas, embora contribuíssem para o treinamento mediúnico, dando lugar à presença de Espíritos generosos e amigos. Sob o aspecto doutrinário, é bem provável que haja ocorrido alguma mistificação de que não me dei conta, considerando-se as minhas próprias imperfeições. Mas isso é propriamente uma mistificação? Divaldo Franco – Em verdade, não, porque eu podia identificar aqueles que eram levianos através dos fluidos de que se faziam portadores.

Mesmo quando escreviam com beleza, faltava-lhes o conteúdo moral e espiritual relevante. Todo médium percebe, através de cuidadosa observação, quando está sendo mistificado, porque os desencarnados podem fingir mas não modificar as qualidades dos fluidos de que são portadores...