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Jornal de Espiritismo nº 38 · Janeiro 2010Página 85 min

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Destaque Curso Básico de Espiritismo www.adeportugal.org curso básico de espiritismo on-line em Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal PUBLICIDADE O curso básico de espiritismo via internet, inteiramente grátis, foi uma entre meia dúzia de iniciativas que a Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal planeou na reunião preparatória do seu surgimento, numa tarde de Julho de 1999, há uma dezena de anos, para arrancar antes do fim desse mesmo ano.

Como as associações espíritas se concentram sobretudo no litoral do país, a maior parte do território ficava por cobrir. E as pessoas dessas regiões que se interessassem pela doutrina espírita? Ficavam de fora? A disponibilização de um curso básico poderia até criar grupos interessados em diversas cidades sem uma associação espírita. Além disso, estava aberto o mundo da Lusofonia, de África às Américas, incluídas as comunidades emigrantes espalhadas por toda a parte, inclusive na Ásia.

Este curso já existia na forma presencial em associações espíritas das regiões de Braga, Porto e Caldas da Rainha. Por exemplo, na Associação Sociocultural Espírita de Braga já decorria anualmente há décadas. Na sua origem este curso adaptava um trabalho de dez apostilas com a chancela do Centro Espírita Luz Eterna, de Curitiba, no Brasil. Tudo isto surgiu numa altura, nomeadamente em Braga, em que não se cogitava vir a ter computadores em casa.

Era um assunto desconhecido. Os textos faziam-se com uma máquina de escrever e depois surgia a abençoada fotocópia, bem mais eficaz e rápida do que o velho stencil de manivela. Isso levantava previamente um problema: meter aquele oceano de letras no computador. Contudo, há dez anos já a maior parte dos companheiros o tinha em casa – um 386, um 486, até um Pentiume a melhor opção para implementar o projecto do curso à distância seria ter os textos passados neste formato, o que permitia eliminar erratas através da correcção progressiva dos equívocos e gralhas, ou até introduzir actualizações.

Mas, para uma ou até duas pessoas, seria uma tarefa, entre outras, esmagadora, demorada, e por que não, extremamente aborrecida. A solução teria de passar por se arranjar a autorização dos autores dos originais (conseguiu-se com facilidade, sem reservas). Depois, era preciso abrir campo a voluntários, dando o monitor o exemplo de passar um dos capítulos a computador. Onde arranjar voluntários? Teriam de ser pessoas que conhecessem o curso para perceberem que valia a pena investir tempo e esforço nesse trabalho.

Assim, entre os três monitores do curso em actividade no país e os seus inscritos, surgiu com facilidade a colaboração necessária: num par de meses estava tudo metido no computador. Agora era necessário fazer um site para que esses conteúdos ficassem disponíveis para todos. Não havia webdesigner na altura mas houve quem o fizesse, sem custos, um dado fundamental, já que não havia dinheiro (por isso não havia jornal na altura).

Foi muito mais rápido do que passar um dos cadernos para o computador. Testado, funcionava. Os monitores (tutores) teriam de ser pessoas que tivessem pelo menos frequentado o curso, independentemente da sua cultura doutrinária. Havia candidatos a tutores que não o conheciam. Teriam de ser os primeiros a fazê-lo, experimentalmente. Depressa surgiu uma dezena de tutores. Criara-se também o caderno do tutor, com o leque essencial de dados de funcionamento do curso.

A mecânica do curso era simples. Disponibilizava-se o conhecimento da existência desse mesmo curso e definiam-se as regras para inscrição. Alguém interessado teria de enviar um e-mail à ADEP nesse sentido. A pessoa designada para isso distribuiria os inscritos por este ou aquele tutor. Este dava as boas-vindas e sugeria a leitura do primeiro caderno. Terminada a leitura o inscrito avisava e o tutor enviava o teste, que depois corrigia.

E por aí fora dez vezes… uma para cada caderno. O curso revelou-se um êxito rapidamente e um incontável número de inscritos frequentou-o, tendo uma minoria terminado esse mesmo curso. Era de esperar. Foi assim até há cerca de dois anos, quando Vasco Marques gizou o curso através da plataforma Moodle. Hoje, estão inscritas cerca de 2 mil pessoas das mais diversas profissões, nacionalidades, idades, etc. Para atender a este universo de procura, estão disponíveis 20 tutores instruídos para esse efeito.

Prevê-se que se consiga atender, somente nos tempos pós-profissionais de cada tutor, mil inscritos no próximo ano. Havendo uma participação televisiva de alguém ligado à ADEP, as inscrições no curso aumentam nitidamente. Funciona assim: através da internet, por exemplo, a partir do site da ADEP (www. adeportugal.org) um visitante interessado descobre o item do curso. Resolve inscrever-se. Quem recebe a inscrição é o Toni, nas Caldas da Rainha.

Entre um ou dois dias, nos seus tempos livres depressa atribui um dos tutores a este inscrito no curso. Este tutor pode morar em Olhão, em Braga, na Maia e por aí fora. O tutor vai dar as boas-vindas, sugerindo a leitura do 1.º caderno e disponibilizando-se para ajudar em algo em que possa ser útil. Com este formato de funcionamento, e ao contrário do sistema inicial, os tutores por vezes quase nem precisam de contactar o inscrito mais do que uma vez, já que a plataforma Moodle corrige os testes, regista os dados e encaminha adequadamente o inscrito à medida que faz ou desiste do curso.

E agora uma confidência, caro leitor: alguns dos tutores da primeira onda não apreciam isso. Estão no seu direito, claro, e terão a sua razão, mas a fatia de resposta à procura é quantitativamente muito maior agora. Por outro lado, o contacto entre tutor e inscrito cria mais ligações de fraternidade, aproxima. No novo sistema, se o inscrito o desejar, isso também pode ocorrer. Como antigamente, é sempre uma minoria que termina o curso, quando comparada com o número total de inscritos.

Isso explica-se porque depende sobretudo da vontade pessoal do inscrito. Vários dos “alunos” que terminam evidenciam uma opinião favorável sobre o curso em geral mas pedem que se deixe o básico e se passe a níveis mais específicos e aprofundados. O assunto está a ser tratado também. Eis algumas expressões retiradas aleatoriamente de alguns inscritos no curso que o terminaram. Dulce Amaro, em 4 de Janeiro de 2008, considerou “muito bons” os conteúdos do curso e define assim a doutrina espírita: “Além de ser uma ciência prática e filosófica de consequências morais, para mim é tudo muito importante.

Acho que foi o suficiente, para um curso básico, sabermos porque estamos aqui, para onde vamos. É muito importante, ainda estamos a tempo de regenerarmos, e de nos aperfeiçoarmos, ate à hora de nos desligarmos, deste fardo, para partirmos para o outro lado sem obstáculos”. Em 28 de Novembro de 2009 Maria Fernandes considerou “muito boa” a plataforma de ensino a distância. Entende que o espiritismo é “uma doutrina filosófica/religiosa” e “gostaria de ter conhecimentos mais profundos sobre livros de Kardec”.

Maria, questionada a respeito, considera que os conteúdos do curso poderiam ser melhorados com a “abordagem de investigações e estudos efectuados sobre diversos temas, tanto científicos, como espíritas”. Com as novas tecnologias torna-se mais fácil implementar melhorias e está visto que o espaço virtual abre novos mundos a quem se abre à ideia. Texto: Jorge Gomes. Gráficos: Vasco Marques.