39 — índice de conteúdos

Entrevista Divaldo Pereira Franco: do autopasse à vigilância Na sequên

Jornal de Espiritismo nº 39 · Março 2010Página 95 min

Partilhar
Idioma

Entrevista Divaldo Pereira Franco: do autopasse à vigilância Na sequência da entrevista da anterior edição deste jornal, Divaldo Franco continua a responder a diversas questões colocadas por José Lucas em 5 de Outubro do ano passado, durante o VII Congresso Nacional de Espiritismo, em Viseu. Se estou necessitado, estou obsidiado, ou perturbado, se eu vou aplicar o autopasse a mim próprio, não me vou autoperturbar na mesma?

Divaldo Franco – Não, porque vai criar a condição necessária mediante a oração. Para você poder aplicar-se o autopasse, irá concentrar-se, orar, e enquanto realiza esse mister desvincula-se do psiquismo negativo e, nesse momento, revigora-se. As suas energias, como numa auto-hemoterapia, irão auxiliá-lo no refazimento. No meu caso, porque estou sempre junto a muitas pessoas, quando me sinto indisposto, recorro a esse maravilhoso expediente autoterapêutico.

Noutras ocasiões, solicito a Nilson que me aplique a bioenergia, quando nos encontramos juntos, ocorrendo com ele o mesmo, o que nos ajuda a manter o equilíbrio e o bem-estar. É no sentido dos ponteiros do relógio ou ao contrário? Divaldo Franco – No sentido dos ponteiros do relógio. Após o que eu denominaria, embora com imprecisão, como sendo uma limpeza psíquica, concentro-me nos plexos coronários e cardíaco, logo conseguindo a recuperação anelada.

Divaldo, se os espíritas são a minoria porque é que sofrem tanto o assédio dos Espíritos inferiores? Divaldo Franco – Porque aqueles Espíritos inimigos foram nossas vítimas, e vendo hoje o nosso esforço para melhorarmos moralmente, agridem-nos a fim de nos manter na retaguarda onde se encontram. Um número expressivo de espíritas é constituído de cristãos que falimos e que gerámos situações embaraçosas, infelicitando muitas vidas, de forma que essas vítimas tornaram-se nossos adversários e não nos desculpam o mal que lhes fizemos.

Então não é pela grandeza, vá lá, da Doutrina Espírita mas sim por uma perseguição pessoal? Divaldo Franco – Exactamente. Porque eles vêm para a cobrança e sabem que o Espiritismo representa tudo de libertador, e que, se nos afeiçoarmos à doutrina, servindo-a com abnegação, eles perdem- nos, entregando-se desse modo ao infeliz tentame de nos prejudicar. Com o avanço tecnológico destes últimos cem anos é esperado que a tecnologia no Além pelo menos esteja igual, ou superior, não é?

Se assim for, podemos dizer que as obsessões deixaram de ser pessoais, isto é, o obsessor andar atrás de outro e passar a haver obsessões electrónicas? Divaldo Franco – Eles usam muitas técnicas e utilizam recursos que antes não conhecíamos, portanto, não sabendo precatar-nos. Desse modo, já os utilizavam, só que os ignorávamos, porque nos faltavam esclarecimentos próprios. Muitos casos, por exemplo, de auto- -obsessão decorrem de chips colocados no cérebro perispiritual, resultando na hipnose por uma voz monótona, repetitiva, levando o indivíduo a certos estados psicopatológicos com o tempo; outras vezes, eles utilizam a ressonância magnética.

Ao invés de ficarem ao lado, enviam ondas mentais sucessivas. As mesmas vêm em nossa direcção e se encontram resistência não nos afectam, mas isso raramente ocorre. Com o tempo, porém, a sua insistência como que vai gastando o campo defensivo até sermos alcançados, passando a sentir-lhes as ideias infelizes, estabelecendo-se assim o vínculo que abre espaço ao intercâmbio doentio. Como é que os trabalhadores espíritas se podem preparar para combater essas obsessões, esses trabalhos?

É só confiar na equipa espiritual? Divaldo Franco – Não. Têm de fazer o esforço de se deterem numa autoanálise a respeito da própria conduta. Encontramos essa directriz na resposta que os Mentores deram à questão de n.° 919, conforme exarada em “O Livro dos Espíritos”, lutando sem cessar para superar as más inclinações e fazer todo o bem possível. Se, por exemplo, me dou conta de que estou muito interessado numa coisa que não me é normal e que me pode trazer danos, eu reflexiono que essa ocorrência pode ser uma inspiração negativa.

Então eu procuro diluí-la, substituindo esse tipo de pensamento por um outro edificante. Os cuidados com a mente, as palavras e os actos devem ser constantes. Vigilância? Divaldo Franco – Vigilância, sim, sem cessar. Lá na organização do mundo espiritual cada país tem um guia? É tipo presidente da república e cada cidade tem um governador? Divaldo Franco – Seria mais um conselho de administradores dos povos. Cada um deles estaria vinculado a um povo sob a presidência de Jesus, como numa grande empresa, em que Jesus é o presidente e os outros são chefes de departamentos...

2012 é um ano mágico? Segundo as tradições Maias e outras, parece que vão acontecer muitas coisas, terramotos, tsunamis… Divaldo Franco – Eu confesso que não acredito. Porque é provável que os Maias hajam parado o seu calendário por qualquer circunstância que nos escapa. A humanidade gosta muito de tragédias, de fenómenos físicos dolorosos, de apocalipses e desgraças. Os Espíritos nobres afirmam que essas profecias não podem ter data fixa, porque dependem muito do livre-arbítrio da sociedade.

Se nós prosseguirmos em determinadas circunstâncias acontecerão tais ou quais ocorrências, mas se mudarmos para melhor acontecerão outras. Então, o ano 2012 talvez esteja dentro desse cômputo das transformações naturais lentas, porque em todas as épocas temos tido maremotos, tsunamis e outros fenómenos sísmicos tão graves quanto esses que ora se encontram anunciados. A ciência vai descobrir o Espírito? Divaldo Franco – Já o descobriu em diversas ocasiões através de diversos cientistas, que optaram porém dar-lhe outra denominação.

Por exemplo, o dr. Firsoff, inglês, declarou: «O espírito, para mim, sou um ser de interacção universal, semelhante à electricidade e à gravidade, que pensa.» Utilizando a palavra inglesa Mind, afirmou que o mesmo é constituído de mindons, de corpúsculos. Portanto, um astrofísico dessa talha fazer tal afirmação é a constatação da descoberta do Espírito. O dr. Rupert Scheldrak, que é um notável biólogo, Prémio Nobel da Biologia, também conseguiu constatar que existe no universo uma força oculta.

De igual maneira, diversos outros estudiosos lograram encontrar o Espírito. A transcomunicação instrumental praticamente não evoluiu desde os anos 60. Quer dizer, há assim uns factos, mas vá lá, não há uma coisa mais aprofundada. Isto deve-se a quê? Divaldo Franco – Se bem observarmos, o fenómeno espírita veio até à TCI, só que usando os instrumentos da época: a mesinha, a ardósia, a cesta de vime. Com o advento dos gravadores, da televisão, acreditou-se que se poderia mais facilmente detectar essa realidade nessa área, assim como na virtual.

Mas os passos até então conseguidos não foram muito expressivos. Que eu saiba hoje são poucos os grupos que estão trabalhando em TCI com os resultados desejáveis, salvadas algumas nobres excepções. Divaldo, há tempos, se não me falha a memória, o Divaldo tinha apontado que por volta mais ou menos de 2050 poderia iniciar-se a época da Regeneração… Divaldo Franco – Sim, é verdade. Nessa época já estaremos em um período avançado na condição de mundo de regeneração.

Penso que esse é também o conceito defendido pelo Espírito Emmanuel através de Francisco Cândido Xavier.