Publicidade (pág. 8)
Jornal de Espiritismo nº 39 · Março 2010Página 86 min
Opinião Imortalidade da alma www.adeportugal.org curso básico de espiritismo on-line em Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal PUBLICIDADE foto arquivo A noite estava fria, como tem sido timbre deste Inverno rigoroso, e pelas 19 horas já era noite cerrada. Vultos apressados dirigiam-se para o Auditório da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, onde teve lugar a conferência “A Imortalidade da Alma”. Foi no dia 8 de Janeiro, e, apesar da transmissão para todo o Mundo, via Rádio 94.
8 FM, a sala apresentava-se completamente lotada. Veio gente de longe, para ter oportunidade de assistir no local, de conviver, e de apresentar as suas questões ao entrevistado da noite, Francisco Curado, engenheiro de profissão e responsável pelo departamento de pesquisa da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP). À entrevista, muito bem conduzida pelo jornalista Francisco Gomes, seguiu-se o debate, em que participou também José Lucas, militar de profissão, membro da ADEP e do Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha.
Não foram apenas espíritas que compareceram. Pelo contrário, e como vem sendo habitual, o facto de se realizar num espaço polivalente encorajou a comparência de pessoas que habitualmente não frequentam associações espíritaslouve-se também a generosidade da Câmara Municipal, que mais uma vez cedeu o seu Auditório para um evento espírita, demonstrando abertura, e respeito pela liberdade de pensamento. Para quem se dedica a divulgar o Espiritismo, sem intuitos proselitistas, apenas a bem da pluralidade das Ideias, levando uma mensagem universal de Paz e de Esperança, esta jornada foi muito gratificante.
Nota-se cada vez mais, pela diversidade de quem se abeira destes eventos, que não é a curiosidade vã nem a atracção pelo fenómeno que movem as pessoas. É a necessidade de saber mais, e de conhecer filosofias que sejam alternativa ao Materialismo, cada vez mais gasto, cada vez mais estéril, cada vez mais posto em causa, à medida que o sentido moral das gentes amadurece e as leva à sadia atitude de questionar. É isto que se depreende da riqueza e diversidade das perguntas dirigidas aos conferencistas, e dos depoimentos colhidos ao acaso, aqui e ali, entre a assistência.
A mediunidade, ou percepção extra-sensorial, é muitas vezes a “clique” que despoleta a vontade de saber mais acerca Do que vai saindo na imprensa do mundo espiritual. De outras vezes, são os processos obsessivos, que pedem alívio e explicação, e que acabam por ser o trampolim para uma vida melhor e para a paz interior reconquistada. As interrogações filosóficas, a curiosidade legítima e profunda, arrastam também muita gente que começa a sentir-se insatisfeita com a ideia do “Nada”, proposta pelo ateísmo; e a ideia das penas eternas e da perpétua contemplação, ainda presentes em muitas religiões.
Se a razão, a experiência prática do dia-a-dia, a antropologia, e as múltiplas revelações proféticas – de que se destaca a de Jesus de Nazaré – nos dizem que a alma é imortal, o Espiritismo explica a existência dos Espíritos, as suas relações com o mundo material, e dá uma ideia de Deus muito mais consentânea com a sua infinita Bondade e Grandeza. À saída da conferência, a noite estava ainda mais fria, mas os corações dos que se atreveram a comparecer, estavam mais confortados e as mentes mais esclarecidas.
São esses os objectivos da divulgação espírita: esclarecer e consolar. Não para criar adeptos do Espiritismo, mas para fazer saber a todos que Deus existe e que a vida continua após esta breve passagem pela Terra. A proposta espírita é de optimismo, de resignação activa, e de fé, a tal fé que “transporta montanhas”, segundo as palavras do Nazareno. Por Roberto António Em referência a vários artigos que têm saído na imprensa, urge informar que Espiritismo ou Doutrina Espírita, ou ainda, Doutrina dos Espíritos, nada tem a ver com astrologia, quiromancia, magia, etc.
, etc. Continua-se a confundir mediunismo com Espiritismo, por ignorância, leviandade e, não poucas vezes, por má-fé. O Espiritismo é a doutrina de Jesus, em espírito e verdade, sem fórmulas nem ritos, sem aparências nem representantes, sem mistérios nem ministros. É a religião do amor e da verdade, na qual cada um é responsável pelos próprios actos, respondendo por eles, conforme o seu grau de conhecimento e maturidade, conquistadas.
«É a Religião da Filosofia, a Filosofia da Ciência e a Ciência da Religião.» O Espiritismo é uma doutrina que surge pela primeira vez, em Paris — a cidade-luz —, no dia 18 de Abril de 1857, quando um professor e pedagogo francês, que utilizou como pseudónimo o nome celta, Allan Kardec, publicou «O Livro dos Espíritos». Logo no primeiro item da introdução dessa notável obra ele explica-nos porque criou o neologismo «Espiritismo».
A mediunidade é uma faculdade orgânica inerente a todo o ser humano, que está na base dos fenómenos inusitados, designados de «espíritas», «mediúnicos», «paranormais», etc., que colocam o homem em contacto com o mundo invisível, o mundo dos espíritos. Esse fenómeno esteve sempre envolto no véu da ignorância e da superstição, que causou muita intolerância, fanatismo e sofrimento. Allan Kardec tirou esse fenómeno do campo da superstição e da fantasia, retirando-lhe a pecha de maravilhoso e de sobrenatural, mostrando- nos à saciedade que é um fenómeno natural, em estudos pacientes feitos em laboratório: a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, que fundou em Abril de 1858.
Resumindo, a mediunidade faz parte da Natureza, das suas leis, é portanto, de todos os tempos, é um fenómeno; o Espiritismo é uma doutrina, recente, tem 152 anos. A prática da mediunidade não respaldada no conhecimento espírita — conhecimento este consignado nas obras de Allan Kardec, designadas vulgarmente por Codificação Espírita — é designada por mediunismo. No Espiritismo a mediunidade é educada, não desenvolvida, como vulgarmente se diz, pois que ela já vem com o indivíduo.
Foi através dela que os Espíritos trouxeram à Terra a sua sabedoria, para reorientarem o pensamento humano, que Kardec codificou na sua obra. Esse saber dos Espíritos tem por base as lições de Jesus que os homens adulteraram, mutilaram e esqueceram. Podemos defini-lo como o Cristianismo Redivivo, aquele Consolador que o Amigo Celeste nos prometera (João, XIV). No Espiritismo as condições primeiras para se exercer a prática mediúnica com dignidade e elevação são duas: 1.
ªO médium terá de cuidar da família, do lar; 2.ªO médium terá de ter o seu sustento ganho através do trabalho digno como qualquer pessoa. Só depois daquelas duas condições firmadas, como base da sua vida, poderá nos tempos livres — repetimos, sem nunca pôr em causa aquelas duas condições fundamentais — poderá, dizíamos, exercer uma, duas ou três vezes na semana, a prática mediúnica, se possível numa instituição espírita bem orientada.
Em circunstância alguma o médium pode cobrar pelos seus serviços, nem directa nem indirectamente. O médium digno segue a orientação lapidar de Jesus: «Dai de graça o que de graça recebestes». O verdadeiro profissional, no caso o jornalista, deve conhecer o que diz e escreve, para não informar de forma errada e confusa. Para se falar de Espiritismo, devemos saber o que ele é na realidade. Para tal sugeríamos a leitura do livrinho «O que é o Espiritismo» (1859) de Allan Kardec, a «Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita» que abre «O Livro dos Espíritos» e o seu trabalho «Carácter da revelação espírita», publicado pela primeira vez na «Revista Espírita» de Setembro de 1867 e que seria no ano seguinte integrado na 5.
ª e última obra da codificação - «A Génese, os milagres e as predições segundo o Espiritismo» - como o seu primeiro capítulo. Vivemos numa sociedade pluralista e não há razão nenhuma para disseminar confusões e informar mal.
