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Jornal de Espiritismo nº 39 · Março 2010Página 73 min
Opinião Se não houver amor… PUBLICIDADE Há uma campanha sobre a Bíblia assim: “Bíblia na mão, palavra de Deus no coração”, que respeito e considero válida, como uma divulgação dela, a qual até me inspirou esta matéria. Divulgando essa campanha, acrescento-lhe, entretanto, uma adenda. foto loucomotiv A Bíblia sem a sua vivência é-nos inútil: Quem ouve as minhas palavras e não as põe em prática é como aquele que constrói sua casa na areia.
(São Mateus 7,26). Coloquemos, pois, não sóaBíblia em nossas mãos, mas na nossa vida prática e quotidiana, sem o que ela se nos torna como que um sal insípido ou vencido. Há cristãos que até cometem a bibliolatria, mas levam uma vida alheia à Bíblia. Na Idade Média, reinava a filosofia do Teocentrismo, incentivada pela Escolástica, que tinha Deus como sendo o centro de tudo. Contra essa filosofia reagiram os filósofos materialistas com o seu o antropocentrismo, ou seja, o princípio de que o homem é que é o centro de tudo.
E até que eles estavam mais ou menos certos, pois o amor a Deus passa pelo crivo do amor ao próximo. “Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus a quem não vê” (1João 4,20). Apesar de a ala ortodoxa da Igreja oficial ligada ao poder imperial ter alijado totalmente de seu seio a ala cristã gnóstica, que ensinava, entre outras doutrinas, a da reencarnaçãoea da gnose (conhecimento) como meio de nossa salvação ou libertação, essas doutrinas ficaram na Bíblia: “Somos de ontem e nada sabemos”.
(Jó 8,9); “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. (João 8,32); e “O meu povo está sendo destruído por falta de conhecimento.” (Oséias 4,6). Trata-se do conhecimento de certas verdades bíblicas e da sua prática, que, lamentavelmente, foram substituídas por algumas doutrinas dogmáticas e outras amedrontadoras. Muitos cristãos, inclusive, prendem-se mais às leis mosaicas do Velho Testamento do que aos preceitos do Novo Testamento.
Daí que digo que eles são judeus que pensam que são cristãos! O Novo Testamento nos mostra que Jesus não veio destruir a Lei, mas confirmá-la, aperfeiçoando-a. Gandhi afirmou que aceitava o Evangelho de Jesus, mas não o cristianismo dos cristãos. De facto, apesar do cristianismo já existir há 2000 anos, os cristãos, na sua maior parte, levam uma vida de rituais e comemorações, mas na sua vida prática nada há de cristianismo.
Sim, todos nós cristãos, de um modo geral, continuamos a ser aquele homem velho e não o homem novo de que nos fala São Paulo. Realmente, os cristãos precisam de mais vivência da mensagem de amor incondicional do Evangelho do que de apego fundamentalista a doutrinas e cultos, que devemos respeitar, mas que não nos ajudam em nada na nossa reforma íntima para sermos cristãos melhores. Eis o ensino bíblico do Mestre dos mestres, que é exactamente mais um subsídio para alcançarmos a felicidade: Se estiver no altar a fazer oferendas a Deus e se lembrar de que não está bem com o seu semelhante, vá primeiro reconciliar-se com ele, depois continue a fazer as suas oferendas a Deus (Mateus 5,23).
É que nós estarmos bem com os nossos semelhantes é mais importante do que estarmos a fazer oferendas a Deus, pois Ele não precisa de nossas oferendas. Já todos nós precisamos estar bem uns com os outros, sem o que não podemos ser felizes. Bíblia na mão, sem a sua vivência, não dá a ninguém salvação! Por José Reis Chaves jreischaves@gmail.
