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prenúncio de algo terrível que aconteceria em seguida

Jornal de Espiritismo nº 4 · 2004Página 134 min

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À redecisão (fase da terapia regressiva) que trabalhou foi o ela passar a estar tranquila e confortável nessas situações de explosão, libertando-se desse padrão defensivo do passado.

Este caso faz parte desta segunda pesquisa, e é um exemplo que ilustra como acontece o processo de libertação de um padrão defensivo de comportamento, porém desactualizado. Quando essa paciente pôde ter consciência desse padrão e da sua origem, ela pôde resignificar essa defesa, orientando-a numa direcção saudável e adaptada ao contexto que ela vive hoje.

Eu tenho uma amiga que nasceu numa quinta e agora é adulta e ainda tem medo de animais com penas. Isso é um caso frequente?

JPP — Isso é frequente. Não especialmente na terapia por regressão de memória, mas existem outras terapias que focam o medo de animais com penas. Tive um paciente que apresentava esse tipo

“ Dr. Júlio Prieto Peres de medo. Ele detectou uma situação traumática de uma suposta vida passada em que ele se via numa igreja muito antiga, provavelmente na Idade Média, porque a construção era tosca, e havia muitas pombas no ambiente em que ele ia fazer o serviço que lhe competia. E todas as vezes que ia fazer esse serviço, as pombas sujavam a área e ele ficava irritado, porque aquela vida dele foi de clausura, praticamente não conversava com as pessoas.

Veja o diálogo interno dele: “as pombas atrapalhamme a vida, as pombas estão sempre a causar-me problemas”. A sua morte dá-se numa situação em que ele escorrega no excremento das pombas e, no momento traumático, vê as pombas! Fez uma associação consciente, tomando-a como regra: as pombas trazem dificuldades ou transtornos e podem até gerar a morte.

Vivian Albuquerque, médica, tem um outro caso para ilustrar esta entrevista, o de uma paciente «que atendi que contava na altura 26 anos. O problema dela consistia em não ter menstruações. Teve duas menstruações na vida inteira e já se submetera a diversos exames ginecológicos, dosagens hormonais, e nunca fora constatado nenhum tipo de anormalidade em termos hormonais, físicos ou orgânicos. Ela procurou a terapia regressiva e teve uma vivência muito

traumática, porque era uma pessoa sensível, teve muitas facilidades nessa vivência, e ela situou-se numa vida anterior em que fora violada por um padre, neste caso também na Idade Média, numa Europa muito antiga. Ela engravidou. Depois questionava-se muito se havia ou não de ter aquele filho. Por fim, opta por ter o filho, só que entra em trabalho de parto prematuro, acaba por sangrar com gravidade, o bebé nasce e ela morre logo após o parto, com uma hemorragia muito intensa.

De facto, nessa altura não havia grandes cuidados. AÀ paciente chorou muito durante a vivência e revelou ter interiorizado que a menstruação era perigosa, que a concepção de uma criança estava ligada à morte e que o acto sexual era algo violento. Foi muito interessante porque essa paciente, umas semanas depois, começou a ter menstruações regulares.

JPP — Bonito, não é? O inconsciente a ser projectado no corpo físico por uma defesa desactualizada. Isso é importante de se dizer, Jorge. As dificuldades, muitas vezes, são defesas desactualizadas que estão a proteger o indivíduo de um risco traumático que, no entanto, já não existe.

Por outras palavras, é como se o passado estivesse mal arquivado. A função da terapia aí seria arquivá-lo bem?

JPP — Sim. Essa revisão do passado é uma boa imagem, para arquivá-lo com mais precisão. O passado acaba por contaminar de maneira negativa o presente quando existe essa desordem nos “arquivos”.

Em São Paulo conhecem médicos e psicólogos que se interessem por pesquisa e que tenham conhecimento da doutrina espírita?

VA — Sim, nós temos um grupo em São Paulo chamado NEPER (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Espiritualidade e Religião). Este grupo é constituído basicamente por psicólogos e médicos e também outros profissionais da área da saúde como farmacêuticos e também antropólogos, enfim, profissionais que têm interesse na pesquisa da espiritualidade em termos académicos e científicos. Esse sector era visto como área marginal? VA — Exactamente. E agora existem vários métodos que se podem utilizar para pesquisar esse tipo de fenómenos.

JPP — E nós estamos ligados a esse grupo. Alexander Almeida é o coordenador desse grupo e está a desenvolver vários protocolos muito bem controlados, com bons métodos para a investigação de fenómenos que os espíritas conhecem muito bem. Por exemplo, a mediunidade.

Há alguma mensagem que queiram deixar aos espíritas portugueses?

JPP — Parabéns aos portugueses que se aventuram a estudar o espiritismo e exercitar os preceitos que a doutrina coloca, porque historicamente conhecemos as dificuldades pelas quais o povo português passou em relação à abertura da própria expressão quanto a esses assuntos que envolvem a espiritualidade. E fica aqui a minha palavra de incentivo à continuidade dos espíritas nesses estudos e pesquisas na doutrina para que esse conhecimento possa cada vez mais sensibilizar outras pessoas não abertas, ainda, ao conhecimento profundo que a doutrina nos traz.

VA — Faço das palavras de Júlio minhas. Gostaria também de dizer que fico muito feliz ao ver que o movimento espírita aqui se tem desenvolvido. À mensagem que daria é a de que as pessoas que têm interesse e seriedade no assunto continuem a estudar e aperfeiçoando cada vez mais esse movimento.

Texto e fotos: Jorge Gomesjorge.jeQclix.pt entrevista

Curso Básico de Espiritismo em foco

Uma das prioridades da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) é sem dúvida a divulgação da Doutrina Espírita. Nesse roteiro destaca-se o Curso Básico de Espiritismo que a ADEP desenvolveu e está a reformular. Na sequência deste projeco, que culminou com um colóquio ADEP «Espiritismo para todos», falámos com José Lucas, actual secretário da ADEP sobre o impacto desta actividade.

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