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sem consulta prévia e sem o consentimento do Ministério em Lisboa

Jornal de Espiritismo nº 4 · 2004Página 124 min

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l sem consulta prévia e sem o consentimento do Ministério em Lisboa. Tal medida identificava claramente como indesejados em solo

ortuguês os membros das raças impuras

judeus e ciganos), cidadãos dos países de Leste

e os portadores de passaportes emitidos pela Sociedade das Nações, por serem de gente suspeita de actividades antinazis.

Aristides de Sousa Mendes acolhia nas instalações da delegação portuguesa em Bordéus quase 30 refugiados, desde uma criança de 10 anos perdida da família até aos idosos mais desvalidos, enquanto desesperava sem notícias de Lisboa. Aos 55 anos de idade e com trinta de carreira diplomática, tomou a decisão de conceder vistos a todos os que deles necessitassem, sem fazer perguntas ou discriminações. Razões de natureza ética, racional e até históricas terão pesado no seu julgamento.

Enquanto cristão tinha de impedir o sacrifício daqueles milhares de pessoas em desespero, enquanto patriota redimia Portugal das perseguições às famílias judias portuguesas que desde 1497 buscaram exílio em al dos países de onde agora provinham tantas pessoas em busca de socorro.

Os dias entre17 de Junho e 7 de Julho de 1940 marcaram a diferença entre a liberdade, a escravatura e a morte nos campos de concentração para cerca de 30.000 pessoas, aquelas a quem Sousa Mendes entregou

gratuitamente vistos e %assaportes portugueses. .

o escritório de Bordéus à fronteira francoespanhola em Bayonne, o diplomata desdobrouse com a ajuda de subalternos e da família para resgatar o maior número de vidas. Pagou cara a desobediência a Salazar. No regresso a Portugal tinha à sua espera o desprezo do ditador, a impossibilidade de trabalhar e a miséria. Aristides de Sousa Mendes desencarnou em Lisboa no dia 3 de Abril de 1954 vitimado por uma trombose cerebral agravada pela lÉneumor&ia. Sublinhe-se o seu testemunho de homem de bem: prefiro ficar com Deus contra um homem, do que ficar com um homem

Bibliografia: AFONSO, Rui, Um Homem Bom, Aristides de Sousa Mendes o “Wallenberg Português, s.]., Editorial Caminho, 1995; FRALON, José-Alain, Aristides de Sousa Mendes um Herói Português, Lisboa, Editorial Presença, 1999;ANDRINGA, Diana, “Sousa Mendes o Desobediente de Bordéus”, Público, 29 Agosto 2003, Ep.16—17. Texto: Maria José Cunha, mijscunha€sapo.pt. FOTO: Rabino Chaim Kruger e Aristides de Sousa Mendes, 1940.

Júlio Prieto Peres, 35 anos, é psicólogo clínico especializado em terapia por regressão de memória. Passou pela cidade do Porto para participar no 5.º Simpósio da Fundação Bial, em Abril, instituição responsável pelo patrocínio da pesquisa que está a desenvolver em São Paulo, no Brasil, com uma equipa a que também pertence Vivian Albuquerque, médica.

A pesquisa em pauta liga-se a uma segunda bolsa que se destina a estudar as diferenças e semelhanças neurofisiológicas que ocorrem durante o resgate de memórias traumáticas de supostas vidas passadas e memórias traumáticas de vida actual. Ou seja, há que «localizar as estruturas cerebrais solicitadas durante esses resgates de memórias de supostas vidas passadas. O que aparece no cérebro quando o paciente submetido à regressão de memória pode estar a dizer que ele se está a lembrar de uma situação de vida passada. É isso que nós estamos estudando».

Escusado seria dizer, mas não pode passar em branco: esta terapia regressiva «deve ser feita por profissionais, médicos e psicólogos muito bem treinados nessa abordagem, porque se trata de uma «cirurgia» no inconsciente dos pacientes e essa «cirurgia» precisa de ser muito bem feita para que não ocorram sequelas negativas desse procedimento, e como um procedimento técnico envolve formação e instrumentalização técnica, é preferível que se faça com profissionais especializados nessa área», conclui Júlio Prieto Peres.

Vamos a alguns casos ilustrativos.

Podia ilustrar um caso interessante que tenhas tratado que seja um exemplo prático de terapia regressiva, compreendendo-se que não se esgota aí o assunto?

Júlio Prieto Peres — Um caso interessante que está entre os quatro pacientes estudados até agora nesta pesquisa é o de uma paciente que nos chegou com

queixas de fobia específica, manifestada desde a infância.

Por exemplo, quando a televisão mostrava fogode-artifício, durante o Carnaval ou durante jogos de futebol, qualquer situação relacionada com explosões, esta paciente apresentava um quadro de medo exacerbado. Escondia-se, gritava, chorava. Esse problema continuou na pré-adolescência, na adolescência, e chegou a usar medicamentos para o controlo fóbico.

Aos 19 anos de idade, procurou-nos para trabalhar esse tema e, ao longo do processo, tomou consciência acerca da origem desse medo de explosões. Viu-se numa situação de guerra em que ela era um soldado, um homem, que estava num “bunker”, que foi bombardeado. Esse bombardeamento aconteceu de maneira que, no primeiro momento, esse soldado viu os colegas morrerem. Estava distante, com outros soldados, e observava o avião a voltar para fazer um novo bombardeamento: sabia que a morte chegaria ali.

Os amigos da direita, a uma certa distância, já tinham morrido e o estrondo foi o episódio mais traumático, não foi a morte em si, mas o barulho da explosão e ver os amigos soldados a morrer. No final, de facto, isso confirma-se.

bombardeamento e imprime um sistema de defesas natural, como qualquer pessoa que passa por situações traumáticas nesta vida para que esse mesmo trauma não aconteça novamente; o sistema de defesas continua a agir, na vida actual, de maneira inconsciente. A paciente percebeu isso durante a terapia compreendendo que a decisão naquele momento mais traumático foi que as explosões eram antecipações de situações terríveis. Isso ficou guardado no inconsciente dela e, sempre que ela via uma explosão, essa mensagem aflorava de maneira inconsciente como se fosse o