Literatura | Vídeo Palais Royal Filme sobre Chico Xavier já estreou no
Jornal de Espiritismo nº 40 · Maio 2010Página 197 min
Literatura | Vídeo Palais Royal Filme sobre Chico Xavier já estreou no Brasil Julieta Marques, de Lagos, de passagem por Recife no Brasil, ficou curiosa, como é normal quando se aprecia os assuntos ligados ao espiritismo: foi ver ao cinema o recém- -estreado filme sobre o médium Francisco Cândido Xavier, com actores conhecidos da TV. Diz assim: «Fui com meus amigos ver o filme tão falado, tão divulgado nos meios de comunicação espírita em Portugal e não espírita na internet e na Imprensa não espírita do Brasil.
Naturalmente que a minha expectativa era imensa, mas não só minha a de todos os que se propunham a assistir à sua exibição. Conhecendo como conhecemos a vida deste Missionário, acreditava a maioria dos que com quem conversei, de que o final seria aquela emoção de seu desencarne e o funeral com os helicópteros sobrevoando o carro funerário e a multidão de milhares de pessoas, deixando cair milhões de pétalas de flores, o que a todos emocionou às lágrimas.
Curiosamente eu não me colocava entre os que assim supunham, eu acreditava num final diferente. Sim, porque Chico Xavier é um ser diferente, logo o final do filme sobre a sua vida teria que ser diferente. E foi mesmo. Momentos de alegria e gargalhada pelo inusitado de algumas situações. Outras de lágrimas de grande emoção. As cenas de Pedro Leopoldo são vivas e reais, como reais são as imagens da Cachoeira onde Emmanuel lhe aparece, bem como a da janela de sua casa, de onde ele olhava as flores e a vida que estuava fora das paredes de seu lar.
O trabalho dos actores é excelente e deixa no ar a grande mensagem duma alma nobre quanto baste, como exemplo a procurar ser seguido e colocando-nos em estado de reflexão. Sacrifícios foram incontáveis, mas ele enfrentou-os e seguiu em frente sem desanimar nunca. Auxiliou multidões sofridas e agoniadas de tanta dor. Conseguiu superar todas as acusações, críticas e desconfianças de que foi alvo, bem como de calúnias e afrontas.
A grande virtude de Francisco Cândido Xavier, o nosso Chico Xavier, foi a sua capacidade de transformar todos esses momentos dolorosos em oportunidade de crescimento interior, pelo que nesse crescimento se movimentou a favor do bem em torno de si. A bondade extravasava de todo o seu e tudo isso foi muito bem conseguido neste filme de Daniel Filho. Não é de forma alguma uma forma de divulgar a doutrina espírita, mas antes de divulgação para todo o mundo sobre um dia ter existido um homem invulgar, cuja luz jamais se extinguirá pelos séculos fora.
Não vou dizer como o filme termina, deixo isso para o leitor imaginar. Se o filme chegar a Portugal, não deixe de o ir ver e seus amigos, pois que isso lhes fará muito bem». O 1.º Livro dos Espíritos de Allan Kardec – 1857* O Instituto de Cultura Espírita de São Paulo (ICESP) em boa hora oferece-nos a segunda edição do texto bilingue, em fac-simile do original francês, da primeira edição de «O Livro dos Espíritos», de 1857, de tradução do Dr.
Canuto Abreu, como sua contribuição às comemorações do seu sesquicentenário (1857-2007). A primeira edição em fac-simile, versão em face, foi publicada no dia 18 de Abril de 1957, cinquenta anos antes, nas comemorações do primeiro centenário do Espiritismo (1857- 1957). O resgate dessa obra rara deve ser aproveitado pelos estudiosos do legado de Allan Kardec para estudarem, na fonte primeira, a verdadeira certidão de nascimento do Espiritismo.
Vamos descrever a sua estrutura para facilitar a sua análise e estudo em confronto com a edição definitiva, que conhecemos em português, surgida em 1860. Assim temos: 1.ºIntrodução ao estudo da Doutrina Espírita (título), com o subtítulo Refutação de várias objecções, que ocupa as primeiras 28 páginas do notável livro. Este trabalho mereceu do Sr. Chalard um artigo publicado no «Courrier de Paris», de 11 de Julho de 1857, das quais destacamos as seguintes observações: «Aquele que escreveu a introdução que inicia “O Livro dos Espíritos” deve ter a alma aberta a todos os sentimentos nobres» e «Desafiamos a rir os mais incrédulos quando lerem este livro, no silêncio e na solidão.
Todos honrarão o homem que lhe escreveu o prefácio». 2.ºProlegómenos (3 páginas) no final não trazem o nome dos dez Espíritos que concorreram para a feitura do livro que aparecem na edição definitiva. Allan Kardec coloca a relação desses Espíritos na nota n.º XVII que encerra o livro, mas nomeando apenas oito Espíritos. Os Espíritos Hahnemann e NapoleãoInão figuram entre os dez que o Codificador regista posteriormente na edição definitiva, mas acrescenta Santo Agostinho, São Luís, PlatãoeO Espírito da Verdade.
Ainda registamos outra nuança que Kardec alterou. Na primeira edição não utiliza o designativo de «Santo» para os Espíritos venerados pela Igreja, designa-os apenas por João Evangelista e Vicente de Paulo. Na edição definitiva, designa os quatro venerados pela Igreja por São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paulo e São Luís. As razões porque o fez, não sabemos, podemos apenas especular… Depreendemos, ainda, que retirou o nome de Napoleão primeiro, que tem uma conotação bélica, não obstante a sua grandeza, e substituiu por São Luís, que são o mesmo Espírito.
Tal facto parece absurdo, mas não o é, como poderemos demonstrar em artigo futuro. 3.ºO Livro dos Espíritos está dividido em três partes que o Codificador designa de: Livro Primeiro – DOUTRINA ESPÍRITA (item n.º 1 ao n.º 276); Livro Segundo: LEIS MORAIS (item n.º 277 ao n.º 452) e Livro Terceiro: ESPERANÇAS E CONSOLAÇÕES (item n.º 453 ao n.º 501). As três partes são apresentadas em duas colunas por cada página. No final dos Prolegómenos, Allan Kardec colocou uma nota para nos explicar a estrutura do livro propriamente dito e a sua autoria.
Assim nos diz: a) Dos princípios contidos no Livro resultaram: 1.ºRespostas dos Espíritos a perguntas directas e 2.ºInstruções dadas espontaneamente pelos Espíritos; b) O todo foi coordenado de maneira a apresentar um conjunto regrado e metódico; c) E só foi publicado após haver sido cuidadosamente, e reiteradas vezes, revisto e corrigido pelos próprios Espíritos; d) No Livro Primeiro – DOUTRINA ESPÍRITA – a 1.ª coluna (esquerda) contém as perguntas formuladas e as respectivas respostas, excepto as questões (itens) n.
º 1 e n.º 53, cujas respostas estão na coluna do lado – a 2.ª coluna, a da direita; e) A 2ª coluna (direita) «encerra o enunciado da doutrina sob forma fluente», ou seja, o comentário a cada pergunta, tendo portanto a mesma referência numerada e o mesmo conteúdo da 1.ª coluna (esquerda); f) Resumindo a estrutura do Livro Primeiro: a 1.ª coluna mostra o tema sob a forma de entrevista e a 2.ª coluna o mesmo tema numa leitura sequente, como comentário ou reforço da pergunta/resposta da 1.
ª coluna. É importante esclarecer que o conteúdo da 2.ª coluna é, também, a expressão do pensamento dos Espíritos. No Livro Segundo e no Livro Terceiro – LEIS MORAIS e ESPERANÇAS E CONSOLAÇÕES, respectivamente – as duas colunas farão sequência uma da outra e não apresentam duas partes distintas como no Livro Primeiro, conforme nota de rodapé que encontramos logo no início do Livro Segundo (LEIS MORAIS). É importante dizer que os 501 itens não correspondem a 501 perguntas, mas sim a muitas mais.
Há itens que têm cinco perguntas. 4.ºTemos depois um Epílogo, numa página apenas, em que é dito entre várias observações importantes: «A doutrina espírita verdadeira está no ensino dado aqui pelos Espíritos; e o conhecimento que tal ensino comporta é demasiado grave para poderem ser adquiridos sem nenhum estudo sério e continuado, feito no silêncio e no recolhimento» e «O estudo da doutrina contida no Livro dos Espíritos tem um “duplo resultado”, o de guiar as pessoas desejosas de esclarecimento, mostrando-lhes, nesse estudo, um grande e sublime objectivo – o do progresso individual e social, e o de lhes mostrar a rota a seguir para o atingir».
5.ºNo final, seguem-se 17 notas que ocupam 12 páginas, correspondentes a chamadas inseridas ao longo dos três livros. Tais notas contêm informação muito importante para ampliarmos o conhecimento da doutrina, que devem ser lidas e estudadas atentamente. Kardec, com a segunda edição, modifica o conteúdo de alguns itens. Não podemos deixar de registar o item n.º 86, um pouco confuso, desta 1.ª edição, que trata da questão da encarnação.
Tal modificação foi feita por iniciativa dos Espíritos, pois Kardec não o faria por si. A questão é hoje pacífica: a do momento em que o Espírito se une ao corpo. Analisemos com atenção as questões n.ºs 344 e 345 da edição definitiva, em confronto com o n.º 86 da edição de 1857. 6.ºApós os índices que Kardec designa por Tábua de capítulos (1 página) e Tábua alfabética (5 páginas), encontramos a seguinte nota: «As pessoas que tiverem comunicações a fazer ao Autor do Livro dos Espíritos, queiram dirigir-se a ele por meio de cartas franqueadas ao cuidado de M.
