Crónica Acerca das férias… Sem olhar para o relógio e sem actividades
Jornal de Espiritismo nº 42 · Setembro 2010Página 63 min
em excesso, cada trabalhador vai gerindo o seu tempo, tendo em conta os dotes existenciais que a todos nos distinguem. A sociedade ocidental, detentora de tantos inventos, impõe ao ser humano regras de bom viver. A exigência de um número matemático de dias de férias é uma delas, mas variável de acordo com a legislação de cada país. É óbvio que o objectivo das férias é proporcionar ao seu detentor um ciclo de descanso periódico na sua actividade constante, razão porque não pode abdicar daquelas, nem mesmo por vontade própria.
Surge, assim, uma obrigatoriedade que, em densa percentagem, agrada, sensibiliza, acalma e cria modelos de pensamento. Sonhos, poemas, piscina, viagens, máquina fotográfica, turismo, ondas, aventura, barco, cidade, ar livre, mala, congestionamento rodoviário…, enfim, um manancial de palavras associadas. De uma maneira geral, os mais velhos buscam a toalha numa praia rodeada de banhistas ou a solidão de uma varanda, acompanhados apenas pelas estrelas do firmamento, que os liberta do stress que acumulam ao longo do ano, enquanto os mais novos se debatem entre variadíssimas propostas: Festival Sudoeste, Rock in Rio, desportos radicais, concursos nacionais de detecção de novos talentos, etc.
, etc. Na embriaguez dos seus verdes anos, deixam o computador e a televisão para se dedicar a um sem número de mundos por explorar, quer interiores, quer exteriores. Entregam-se à descoberta, à beleza, à alegria e à vivacidade de uma linguagem que lhes é única: a novidade. Sozinhos ou acompanhados, divertem-se, partilham experiências e acumulam momentos … Mas não é apenas destes que a humanidade se vale para a resolução dos seus vastos enigmas e enredos sociais.
O número daqueles que deixam as suas famílias e os seus encantos domésticos para se aplicar em fundamentos e causas comunitárias cada vez engrossa mais, contrariando as vozes “loucas” dos preconceituosos que apelidam os jovens de inconstantes, imaturos, despreocupados ou sem valores. Este ano, de diferentes países de todo o mundo, 700 jovens escolheram Portugal para trabalhar voluntariamente durante as férias de Verão em projectos de índole comunitária, prestando serviços às colectividades locais entre Viana do Castelo e Faro.
Pondo de parte a praia, a diversão ou o romance, todos os anos, cerca de cem jovens participam, em média, em semanas missionárias. São os Jovens sem Fronteiras, ao serviço de um movimento católico associado à Congregação do Espírito Santo. Ainda outros jovens aproveitam o período de férias para desenvolver trabalhos assistenciais em alojamentos para idosos ou para deficientes, ou na ajuda a animais selvagens, como é o caso dos que alimentam, limpam e tratam os animais feridos, depois de conduzidos ao Centro de Recuperação de Animais Selvagens (CERAS), em Castelo Branco.
E muitos, muitos mais … Entre eles, Tatiana Sequeira, 18 anos, Débora Salgado, 20 anos, Ruben Filipe, 25 anos e Cristina Josefa, 21 anos de idade. Os primeiros dão-se por satisfeitos. Em regime de voluntariado, vigiaram as matas portuguesas. A última “perdeu” a vida em Monte Meda, Gondomar, quando fazia o rescaldo de um incêndio florestal. Era bombeira voluntária de Verão. Acumulava este trabalho com o estudo de Engenharia Biomédicano Portoe um part-time num supermercado em Santa Maria da Feira.
Afinal, o que atrai jovens como estes a dinamizar as suas férias em benefício de causas nobres e humanitárias? A resposta é clara e não exige qualquer esforço: as tendências da sua mentalidade encaminham-nos para a potencialização da sua dimensão social e espiritual. Estão atentos aos problemas que os rodeiam e põem em prática actividades de reflexão, de entrega ao próximo, deixando antever o desenvolvimento integral da sua personalidade.
Pondo de parte a praia, a diversão ou o romance, todos os anos, cerca de cem jovens participam, em média, em semanas missionárias. Ouviram os apelos de Paulo a Timóteo: “Foge também aos desejos da mocidade e segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor”. E fazem jus ao seu aperfeiçoamento moral, ao mesmo tempo que praticam os compromissos assumidos antes da sua encarnação. Para todos estes jovens vai a minha admiraçãoeo meu respeito.
Para a Cristina Josefa Ferreira Santos, particularmente, segue o apelo de todos os espíritas: Sorri, afasta o desequilíbrio; Apenas queimaste o invólucro carnal; Não disperses possibilidades; Na próxima encarnação terás, de novo, um corpo apto a múltiplas tarefas benfazejas; Agarra e promove a felicidade e a paz. Texto: Eugénia Rodrigues foto loucomotiv www.adeportugal.
