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Jornal de Espiritismo nº 42 · Setembro 2010Página 125 min

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Opinião A Parapsicologia e o Espiritismo PUBLICIDADE PUBLICIDADE “Ao mexer em documentos descobri-o por “acaso”. Devido à sua importância doutrinária”, diz Carlos Alberto Ferreira, “e também para a História do Espiritismo em Portugal deve ser resgatado.” foto arquivo Complementa: “Foi das últimas vezes que o Divaldo foi ao Centro Espírita «Perdão e Caridade», porque devido ao crescimento do movimento espírita, particularmente a partir da última década do século XX, passou a ser impossível levar o Divaldo ao CEPC, porque o espaço deixou de poder comportar o número de pessoas para o ouvir.

Nesse dia de Outubro de 1981, a Direcção do CEPC realizou uma pequena homenagem privada, na secretaria, horas antes da palestra, em que esteve presente um membro da Instituição da Madeira, só me lembro do apelido Dinis, e que pertencia também à rádio do Funchal. Sei que estive presente bem como o saudoso Casimiro Duarte, Manuel dos Santos Rosa, Licínio Henriques, Júlio de Sousa e Aldo Marques. Tal documento será importante para os espíritas que amam a doutrina.

Aqui fica esta mensagem de Divaldo Pereira Franco aos espíritas da Madeira em geral e, em particular, aos companheiros do Núcleo de Parapsicologia e Espiritismo do Funchal, proferida no CEPC, na noite do dia 15 de Outubro de 1981. “Caros amigos: Rogamos a Jesus que nos abençoe e que nos dê sua paz! O Dr. Joseph Banks Rhine definiu a Parapsicologia como sendo um ramo da Psicologia Experimental, que se dedica à investigação dos fenómenos inusitados, paranormais, objectivando dar uma metodologia a todos esses factos que têm atravessado a História, sem uma nomenclatura correcta nem uma investigação exacta.

Allan Kardec definiu o Espiritismo como sendo a ciência que estuda a origem, a natureza, o destino dos espíritos e as relações que existem entre o mundo corporal e o mundo espiritual. Allan Kardec, chamado por Camille Flammarion, o «bom senso encarnado», teve a nobreza de considerar que o início do século XX seria obviamente o período de investigação científica. Os anos últimos do século XIX seriam o período da libertação da Ciência, que arrebentava a grilheta do dogma para oferecer uma visão de profundidade a respeito da vida, em torno do homem, a respeito do ser.

E, pensando nisto, Allan Kardec afirmou: «o Espiritismo estuda as causas, enquanto a Ciência estuda os efeitos». Graças a isto, o Espiritismo não pára onde a Ciência termina, pelo contrário, o Espiritismo vai mais além, porque procura encontrar a génese, a realidade das coisas dentro da sua profundidade legítima e verdadeira. Com essas palavras, desejamos dizer que Allan Kardec conseguiu o milagre do matrimónio da Ciência com a Religião.

A ortodoxia religiosa havia criado um abismo entre a investigaçãoeafé. Por outro lado, o magister dixit da Ciência havia criado um despenhadeiro entre a razãoea intuição. Allan Kardec foi a ponte que ligou o impedimento cultural ao sentimento emocional, que estabeleceu o hífen entre as bordas da razão fria e do sentimento entusiasmado. É por isto que o Espiritismo é a doutrina religiosa-filosófica, que assenta, sobretudo, na pesquisa e na demonstração do facto.

É a doutrina sui generis, porque todas as filosofias, todas as religiões, nasceram de uma teoria para a busca de um facto. O Espiritismo nasceu de um facto – as comunicações dos espíritos – para as teorias, a filosofia espírita. É a doutrina, portanto, da responsabilidade, do conhecimento, da razão lógica mas, indubitavelmente, também da emoção. Allan Kardec teve a oportunidade de fazer uma análise de profundidade sobre ciência e fé, e demonstrou que inutilmente o homem de inteligência privilegiada poderia voar, porque é necessário que o ser possua duas asas: a da Sabedoria e a do Amor.

Se ele é alguém que ama e, exclusivamente, ama, mas não discerne, este sentimento projecta-o na direcção da vida, mas não no equilíbrio do cosmo; se é alguém que sabe mas não ama, ele interpreta os enigmas, mas não os vive. É necessário o amor e o saber para o indivíduo planar com sabedoria, acima das vicissitudes. Por esta razão, o Espiritismo fundamenta-se no Evangelho de Jesus, solicitando ao homem a vivência moral, sem a qual toda a estrutura filosófica iria por água abaixo sem nenhum sentido.

Do que nos adiantaria, pergunta Kardec, saber que a alma é imortal, que os espíritos retornam à Terra, se isso não modificasse o nosso comportamento, a nossa atitude perante a vida? Mohandas Karamchand, o apóstolo da não- -violência, estabeleceu o seguinte princípio: «se um único homem atingir a mais elevada qualidade de amor, isto será suficiente para neutralizar o ódio de milhões». E Gandhi atingiu a mais excelente qualidade do amor.

No entanto, o amor de Gandhi era um amor sábio, não era emoção descontrolada, não era o entusiasmo descabido, porque Goethe, o mais extraordinário pensador da Alemanha no século XIX, estabeleceu como código a Ética: «não basta ter a boa vontade, é necessário tê-la bem dirigida», o que equivale a dizer: «não basta amar, é necessário saber amar com discernimento, para que este amor não se faça pernicioso, prejudicial».

E Goethe dizia mais: «nada pior que pessoas de boa vontade sem discernimento, nem directriz; perturbam mais do que ajudam». Ora, o Espiritismo é a doutrina da lógica, em que o indivíduo crê porque sabe, e ele sabe porque experimentou: é a fé racional, é aquela que enfrenta a razão em todas as épocas da Humanidade, face a face, sem empalidecer, sem descolorir-se. É a doutrina da libertação, porque dá ao homem uma visão real a respeito da vida, e liberta-o de superstições, de fetiches, de crendices, de aparatos, de cerimoniais, de ritos, de hierarquias.

Na Doutrina Espírita, o chefe, o líder, o maior, é aquele que mais serve, é aquele que mais se doa, é aquele que mais ama pelo exemplo. Esta é a doutrina que está fadada a modificar a Humanidade. Considerando cinco períodos que a Humanidade atravessaria, Allan Kardec estabeleceu que o Espiritismo, na sua fase final, encarregar-se-ia da renovação social. E é o que nós vemos. Penetrando no homem, modifica-lhe a estrutura emocional; o homem novo modifica o lar; o lar transformado renova a comunidade; a comunidade melhor modifica o Mundo.

Esperamos, portanto, que dentro destas directrizes de um homem salutar na direcção de um mundo feliz, venhamos a ter uma sociedade mais consentânea com a nossa cultura, um Mundo melhor. E neste sentido, confiamos que os espíritas da Madeira, os companheiros do «Núcleo de Parapsicologia e Espiritismo do Funchal», consciencializem-se de que é necessário saber, mas é importantíssimo viver; é indispensável conhecer, mas é sobremodo imprescindível exemplificar.

A teoria sem o exemplo é uma decoração inútil, porque o exemplo é a demonstração que oferece a pregação mais eficaz, mais veraz e mais legítima de que tem necessidade o mundo. É, portanto, com gáudio, aqui no Centro Espírita «Perdão e Caridade», onde a Doutrina Espírita é praticada com pureza, onde se vive o Evangelho de Jesus, em espírito e verdade, que, em nome dos espíritas baianos, já que não podemos falar em nome dos espíritas brasileiros, em nome nosso pessoal, do Nilson, nosso companheiro e amigo de viagem, das crianças da «Mansão do Caminho» e da nossa instituição, Centro Espírita «Caminho da Redenção», auguramos, a todos vós, um porvir de bênçãos numa Humanidade mais feliz, no amanhã, sem dúvida, mais venturoso.