Reportagem Palestras versus didáctica É natural que se caminhe do mais
Jornal de Espiritismo nº 42 · Setembro 2010Página 111 min
simples para o mais complexo, que se aprenda com o tempo que entre a cor branca e a preta há muitas outras, ou que há um sem-fim de maneiras de passar uma mensagem. Importante mesmo é reter que nada está terminado, até porque a evolução sugere sempre um amadurecimento de processos, passo a passo. Sem desmerecer a inspiração que é sempre desejável, antigamente pensava-se inclusive que se se preparasse uma palestra, anotando os pontos de abordagem obrigatória face ao tempo disponível, isso seria mau, pois “não daríamos ensejo a que os bons Espíritos inspirassem ao palestrante as abordagens que seriam mais úteis ao auditório do momento, invariavelmente imprevisível”.
A experiência veio a demonstrar que, afinal, a inspiração antes do momento da palestra, isto é, na preparação do tema, é tão ou mais importante do que a inspiração mediúnica no cenário concreto dessa mesma palestra. Outra ideia que colhemos ao longo dos anos é a de que utilizar meios didácticos – antes até do surgimento do data-show e dos projectores de vídeo utilizados sobretudo com os acetatos electrónicos dos power-points – é a de que algumas pessoas defendem que quebra a “vibração” da sala em que se fala para o público presente.
Várias experiências colocadas em campo indicaram-nos que, sendo estes processos bem aplicados, isso não é assim. As pessoas ficam muito mais envolvidas no processo de comunicação e, logo, mais predispostas a analisar as ideias inovadoras que se está a partilhar. Conteúdos tão interessantes como são os da doutrina espírita merecem cuidado na forma como são expostos, caso contrário não surgem com o brilho que lhes é natural.
Fica um denominador comum em tudo isto: quem não conhece minimamente esta doutrina não a saberá divulgar, imiscuindo opiniões pessoais no meio do seu discurso. O estudo das obras de Allan Kardec, que codificou o espiritismo, e das (boas) obras complementares são a base para que o mostruário verbal ou escrito consiga prestar verdadeiramente serviço a favor de todos.
