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Reportagem foto jorgegomes Divulgar e comunicar Professora universitár

Jornal de Espiritismo nº 42 · Setembro 2010Página 104 min

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Reportagem foto jorgegomes Divulgar e comunicar Professora universitária, Ângela Moraes esteve em Braga e em Barcelos no passado mês de Julho. Nesta última cidade, perante uma audiência atenta, distinguiu em linguagem muito acessível algumas das diferenças entre divulgar uma ideia e comunicá-la. Por vezes tudo começa assim. António ouviu de alguém que não conhece, quando menos esperava, uma mensagem do Além atribuída de alguém que já partiu.

Nessa oportunidade escuta pormenores antigos de circunstâncias da sua infância, quase esquecidas, sem os pedir ouve conselhos sobre as suas preocupações actuais, e até surge a referência a um trabalho que está a desenvolver e que se encontra guardado a sete chaves… Examina as hipóteses explicativas. São muitas! Algumas facilmente se descartam, outras sugerem um exame detalhado. A telepatia, embora não pensasse nas ocorrências reveladas há décadas, é uma delas.

Mais tarde alguém lhe descreve um caso em que há um facto revelado mediunicamente que não era do conhecimento pessoal dos envolvidos e que se vem a confirmar. Por fim chega a hipótese espírita: a morte só ceifa o corpo material e projecta o ser numa outra vida, espiritual, que os cinco sentidos clássicos materiais geralmente não detectam. Aí a pessoa transferiu-se para fora do corpo físico e, num fio de continuidade, age com a mesma personalidade num ambiente mais diáfano, com parâmetros ora semelhantes ora diferentes.

Surge então a fase dos primeiros estudos. Que pesquisas já foram feitas? Onde está a melhor bibliografia? Depressa percebe que o solo não é virgem. Há até vagas de investigação, e os resultados publicam-se. A aceitação pessoal, racionalizada, de que vida continua suscita outro módulo – se a vida tem outro patamar, que andamos a fazer aqui na Terra? Afinal de onde viemos antes desta vida? Depois concretamente para onde vamos?

… É interessante falar com outras pessoas, que se gostam de falar sobre estes assuntos. Ah, há até cursos nas associações espíritas… impõe-se observar. Depois há o gosto de participar. É por esta altura que o desejo de divulgar a doutrina espírita surge com maior veemência. Divulgar não é comunicar A questão que vimos Ângela levantar em Barcelos é esta: divulgar é comunicar? Começou por explicar que não são a mesma coisa.

Comunicar é algo muito mais completo, um melhor serviço, capaz de prestar outro tipo de ajuda na qual a divulgação fica a meio caminho. Ângela Moraes tem formação jornalística e, a partir da sua experiência profissional na Universidade de Goias (Brasil), traz fraternalmente estas questões ao movimento espírita. Nessa altura, disse que divulgar equivale a “tornar vulgar”. Comunicar, por sua vez, não só torna uma certa ideia vulgar, acessível a todos, como supõe a interacção, um transporte bilateral de recursos de comunicação entre os envolvidos no processo que assenta não num discurso unilateral mas mais no diálogo.

Lembramos o mesmo tema levantado já nas últimas duas décadas do século passado por estas bandas. Palestra de um mero “sente-se e ouça” ou uma exposição de ideias úteis que envolva a participação de quem está presente? A última versão é mais difícil. Com a necessidade de atenção que muitas pessoas revelam, facilmente meia hora de exposição de um tema pode reverter-se numa frustração, cheia de banalidades. Por isso surge o refúgio, como um mal menor: discurso unilateral.

Mas não se podem aprender formas novas, mais interessantes, mais vivas, mais luminosas de trabalhar os assuntos? A resposta não nos pertence, mas a cada um dos que desempenha essa tarefa. Vertentes da comunicação As tendências contemporâneas instaladas – num destaque positivo – são as de encarar a comunicação como diálogo. Não aprende só uma das partes, mas todas as envolvidas no processo. Quer-se uma comunicação participativa, até porque esta é um direito do cidadão, numa atmosfera de globalização, de multiculturalismo, de democracia.

Falar e ouvir ergue como um menir os aspectos filosóficos da comunicação. A palavra alteridade surgiu em força pelo menos há mais de uma década no movimento espírita brasileiro. Traz consigo uma grande carga de idealismo, de mudança qualitativa nas inter-relações pessoais e associativas. No fundo traz fraternidade, aceitando pacificamente as diferenças de outrem. Não se pode olhar o outro de cima para baixo, diminuí-lo.

Mais uma vez reformulada, eis uma bela chave para abrir as portas a um futuro melhor. Mas tem de ser usada. Embora implique riscos esta proposta de melhoria lança a comunicação como uma balança de troca, sem mercantilismo. Entre outros ângulos, Ângela Moraes sublinhou na sua exposição também a necessidade de abertura do movimento para o diálogo social, na rádio, televisão, internet, nos jornais. “A comunicação não tem um lugar nobre no calendário de actividades semanais do centro espírita”, afirmou, e todos perceberam como se pode examinar em conjunto de uma forma formosamente crítica assuntos delicados sem amesquinhar ninguém, sem falar de cima para baixo, sem necessidade de teatralizar uma grandeza que, afinal, tem de forma tão discreta como o simples acto de respirar.

Após este registo de fecho de edição, se desejar, não deixe de enviar as suas impressões sobre este assunto, seja no papel de expositor (palestrante) ou de ouvinte. Afinal, com ele não pretendemos apenas divulgar o que se passou, teremos gosto em comunicar consigo. Por Jorge Gomes Tel.: 212 342 181 | Telm.: 961 560 787 | info@psihealing.com | www.psihealing.com Rua Professor Santos Nunes, n.