44 — índice de conteúdos

Publicidade Publicidade

Jornal de Espiritismo nº 44 · Janeiro 2011Página 133 min

Partilhar
Idioma

Opinião PUBLICIDADE PUBLICIDADE Não julgueis Deepak Chopra em seu livro “As sete leis espirituais do sucesso” ensina que, para que entremos em contacto com a “Potencialidade Pura” ou, noutras palavras, a nossa Essência Divina, é preciso que abramos mão de julgar os outros. foto loucomotiv O julgamento é, assim, uma das principais causas de sofrimento da humanidade. Toda a vez que julgamos alguém ou algo, perdemos a paz interior, desligamo-nos do Sagrado, poeticamente definido por Dante Aliguieri no último verso da Divina Comédia como “L´amor che muove il sole e l´autra stelle – o amor que move o sol e as outras estrelas”.

É impossível julgar e ao mesmo tempo amar. Isso já se prova neurofisiologicamente: quando o córtex cerebral é activado (julgamento) várias áreas do sistema límbico (responsável pelas emoções e pelo amor) são inibidas. É por isso que, quando pensamos ou falamos num momento de intimidade com uma pessoa amada, perdemos “o clima” de romantismo e poesia que foi criado. Poderíamos, então, questionar, como ocorre a Justiça Divina se, “Deus é amor” (1 João 4:8)?

De que forma Deus nos ama e nos julga ao mesmo tempo? Como Deus é, simultaneamente justo e misericordioso? O próprio Jesus responde a essa pergunta quando assevera que “o Pai que está nos céus faz nascer o seu sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos”, Mateus 5:45-46. Deus, portanto ama- -nos, independentemente do que tenhamos feito! Certa vez, Dom Helder Câmara (Brasil) foi fazer a extrema unção de um criminoso perigosíssimo no presídio Aníbal Bruno.

Esse preso já havia cometido vários crimes hediondos entre homicídios, sequestros e estupros. Quando o religioso se aproximou para iniciar as suas orações, o preso exclamou: - Dom Helder, eu tenho certeza absoluta que, quando morrer, irei para o inferno! Meus crimes foram muitos! O sacerdote, então, replicou serenamente: - Meu filho, se nós juntarmos todos os seus pecados, até mesmo aqueles mais simples praticados na sua infância e somarmos com os pecados dos quatro mil homens que moram aqui, ainda assim tudo isso não chegará a uma gota perante o oceano da Misericórdia Divina!

O termo “Justiça Divina”, nos esclarece o professor e filósofo Huberto Rohden, em seu livro “O Sermão da Montanha”, nada tem a ver com tribunais, juízes ou penas. O termo “Justiça” deriva, pois, de “justeza”, “ajustamento”, “dignificação”. Segundo a doutrina espírita, a cada reencarnação, quando colhemos os frutos que nós mesmos plantamos nesta ou noutras vidas, vamos ficando mais justos, mais dignos, mais íntegros e, assim, a “justiça divina” vai aos poucos se processando em nosso íntimo.

Deus, portanto, não julga – Ele ama! Deus não castiga ou pune ninguém – Ele educa! O auge da Sua misericórdia é, pois, a Sua justiça! Deus, portanto, não julga – Ele ama! Deus não castiga ou pune ninguém – Ele educa! O auge da Sua misericórdia é, pois, a Sua justiça! Por isso Kardec, coloca, no último capítulo sobre as leis naturais a justiça ao lado do amor e da caridade – “Lei da Justiça, do Amor e da Caridade” – simplesmente porque, à luz do evangelho, essas três palavras são sinónimas.

Quando experimentamos o fruto das nossas próprias criações ocorre o que nós conhecemos por lei de causa e efeito. Não há, portanto, julgamentos nem punições, há tão somente “auto-responsabilidade” e atraímos o bem ou mal segundo o tipo de energia que geramos. Numa palavra: nós somos, ao mesmo tempo, o réu, o advogado, o juiz e o carrasco de nós mesmos. Quando, portanto, escolhemos amar, ao invés de julgar, estamos entrando em contacto com a nossa própria “Essência de Amor” e, assim, vamos acolhendo e aceitando aquilo que não nos é atraente, amando, “o inóspito, o áspero, um vaso sem flor, um chão vazio, e o peito inerte, e uma ave de rapina...

”, Carlos Drumond de Andrade. Somente assim conseguiremos adentrar num estado de consciência de paz e felicidade inabaláveis, adentrando aqui mesmo e agora “O reino-dos-céus” que Jesus nos prometeu.