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Opinião Omoçoricoearenúncia Passada a quadra natalícia, quantos de nós

Jornal de Espiritismo nº 44 · Janeiro 2011Página 145 min

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se interrogam, ocasionalmente, sobre se estamos a cumprir um ritual que não contraria as orientações cristãs. As listas de presentes, a abundância dos alimentos, as despesas das viagens e das férias, tudo riquezas que não se enquadram com a vivência daquele que nasceu entre as palhas de uma manjedoura. foto loucomotiv A gestão das riquezas é um problema que nos assalta comummente.

Até que ponto estamos a sucumbir aos desvios proporcionados pela materialidade? O diálogo marcante que ficaria eternizado como o episódio do moço rico, é sobre esta matéria uma orientação chave na doutrina cristã. O dilema entre o apego ao bem material e a renúncia necessária ao cumprimento da missão, são confrontados nesta cena, que hoje nos chega com pormenores novos e mais esclarecedores. Os factos desenrolaram-se numa noite fresca de Primavera, sob um luar brilhante entre estrelas e nuvens.

O encontro entre Jesus e um jovem judeu de nome Efraim, ocorre depois de Jesus deixar a Galileia, quando se deslocava para Jerusalém. Mateus, Marcos e Lucas recordam-no assim: “- Então, aproximou-se dele um mancebo e disse: Bom Mestre, que bem devo fazer para adquirir a vida eterna? Respondeu Jesus: - Se queres entrar na vida, guarda os mandamentos. - Tenho guardado todos esses mandamentos desde que cheguei à mocidade.

Que é o que ainda me falta? - Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me. Ouvindo essas palavras, o moço se foi todo tristonho, porque possuía grandes haveres.” Mas quem era este jovem judeu? Que outros detalhes nos traz, hoje, a espiritualidade, sobre este episódio? À época os fariseus estavam divididos em duas facções maioritárias: os hilelitasmais liberais e instruídos; e outros, mais fanáticos e formalistas na forma de prestar cultoos shammaitas.

Efraim, judeu de quarenta anos, era chefe da ala mais liberal. Profundamente culto e rico, dispunha de terras, palácio, diversas habitações, vinhas e campos entre outros negócios importantes. Não obstante todo o luxo em que vivia, era reconhecidamente justo e sábio na forma como geria o dinheiro de quem a ele o confiava. Era tido, embora relativamente jovem para a posição social que ocupava entre a sociedade judaica, alguém extraordinariamente sensato, leal e bondoso.

Mas vivia infeliz, incompreensivelmente insatisfeito. Desde muito jovem sonhava com a aliança de todas as crenças do povo de Israel e nos últimos tempos tinha escutado com interesse crescente as notícias do Reino de Deus, de que Jesus se revelava portador. Um dia partiu decidido a interpelá-Lo e apresentar-Lhe a sua ideia de unificação. Ao encontrar o Cristo, olhou para si mesmo e envergonhou-se das jóias que trazia … Mas magnetizado pelo sereno olhar do Messias, dirigiu-se até Ele e perguntou: - Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?

-“Vende tudo o que tens, reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu; vem e segue-me”. Pela primeira vez sentia- se arrebatado. Interiormente gritava: “- Irei contigo, Senhor, mas…” – hesitava. Ao vê-lO de longe, era como se reencontrasse um amigo… Mas, e os afazeres terrenos? - “Permite-me primeiro competir em Cesaréia, logo mais, disputando para Israel os triunfos dos jogos… - Não posso esperar. O Reino dos Céus começa hoje e agora para o teu espírito.

Não há tempo a perder. - Aguardei muito essa ocasião…” - Que alto prémio! Que pesado tributo! – pensou desanimado. Os bens, poderia ofertá-los, sim. Porém, a fortuna da juventude, os tesouros vibrantes da vaidade atendida e dos caprichos sustentado … oh! Seria necessário renunciar a isso tudo? De repente, Efraim recorda-se dos compromissos assumidos para com o grupo de amigos que o esperavam na cidade, acerca das corridas das festas que iriam principiar.

Fitou o Messias sereno e triste, balbuciando com voz apagada: - Não posso… não posso seguir-Te agora… Perdoa-me, se me amas! E saiu a correr. O Mestre entristeceu-se profundamente. Ficava sempre assim quando se deparava com a opção desertora “dos convidados ao Banquete da Luz”. Foi com os olhos mergulhados em lágrimas que os seus discípulos o encontraram e quando interrogado, o Cristo respondeu: - “Quão dificilmente entrarão no Reino dos Céus os que têm riquezas!

” A proposta era uma prova decisiva. Aquele era um espírito honesto, que não prejudicava ninguém, nem tão pouco era orgulhoso… “Mas, não tinha a verdadeira caridade; sua virtude não chegava até à abnegação. Foi isso que Jesus quis demonstrar. Fazia uma aplicação do princípio: - Fora da caridade não há salvação”. Ao encontrar o Cristo, olhou para si mesmo e envergonhou-se das jóias que trazia … Mas magnetizado pelo sereno olhar do Messias, dirigiu-se até Ele e perguntou: - Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?

-“Vende tudo o que tens, reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu; vem e segue-me”. Uma semana mais tarde Cesaréia transformava-se na capital do ócio e da sensualidade, com a realização das festas públicas. Competições, confrontos, entre outras ocupações fúteis, constituíam o calendário de actividades. As quadrigas estavam alinhadas para a partida: chicotes estalavam, mãos cerravam-se nas rédeas dos corcéis e ao sinal de partida, tudo se liberta em velocidade descontrolada.

Perante a necessidade de uma manobra repentina, Efraim, conduzindo um dos carros, perde o controlo do seu veículo que se vira na arena, tombando o corpo que de imediato é esmagado pelo cavalgar dos cavalos que o procediam. O rico judeu sente o seu ventre a desfazer-se interiormente, descontrolando-se a respiração entre golfadas de sangue que se misturavam com o suor e a lama. Ao sentir-se desligar do corpo, Efraim parece ver Jesus dizendo: - “Renuncia a ti mesmo, vem, e segue-Me.

- Amigo!” - E seu espírito afasta-se da cena confusa, envolvido em braços leves e aconchegantes. Todos sentimos poder dar mais de nós próprios. É o chamamento da última hora, mas: - Qual a resposta que estamos a dar? Não estaremos, também nós, a elencar argumentos para nos acomodarmos? -Repetidamente os bons espíritos sublinham a necessidade de abdicarmos do nosso conforto... da nossa Paz se necessário, para trabalhar, uma hora que seja, na Seara do Pai.

Não era Jesus que não podia esperar mais por Efraim; Não é Deus que não pode esperar mais por nós… Somos nós que não podemos esperar, pois o crédito de Justiça que o Pai nos concede, terminará por agora. Escolhamos a sequência: - Suor agora e Paz depois; ou ócio imediato e arrependimento duradouro.