Consultório Cofre aberto: o que significa isso?
Jornal de Espiritismo nº 46 · Maio 2011Página 44 min
foto loucomotiv A. Garção escreve: «Boa noite. Venho desta forma pedir a vossa ajuda. Por motivos pessoais visitei dois videntes diferentes e ambos me disseram que eu tinha o “cofre aberto...”. Não sendo entendida em nada espiritual mas no entanto sendo muito crente, peço então a vossa opinião do que devo fazer visto ter o “cofre aberto”? Cumprimentos». A resposta não tardou: «Olá, os videntes que têm consultório aberto podem ser verdadeiramente videntes ou fingir que o são.
Podem também ser honestos ou não. Afinal de contas, trata-se de um negócio, e onde há negócio corre-se sempre o risco de se ser enganado. Não dizemos que seja o caso, mas convém estar-se sempre alerta para essa possibilidade. Se realmente tem o “cofre aberto”, o que significa isso? Logicamente que ninguém tem um cofre dentro do corpo. Essa expressão popular significa que uma determinada pessoa tem sensações desagradáveis provocadas pelos Espíritos.
Significa que a pessoa é demasiado sensível e que fica alterada quando há Espíritos que se aproximam dela. Terá isto um fundo de verdade? Sim, tem. Os Espíritos são apenas pessoas como nós, que já morreram, que já não têm um corpo igual ao nosso, mas que continuam a viver, iguaizinhas ao que eram antes, quando estavam neste mundo. E há realmente pessoas que têm mais sensibilidade para captar a presença dos Espíritos perto delas.
Quando são sensações boas, as pessoas nem reparam, ou pensam simplesmente “Hoje estou bem disposto...”. Mas quando são sensações más, as pessoas perguntam-se: “O que será isto? Porque me sinto tão mal? Estarei doente?”. Então, resolvem ir ao médico. Fazem muito bem, é sempre pela medicina que se deve começar. Se o problema for para a medicina, o médico resolve, é claro. Mas às vezes não é. No caso de se tratar daquilo a que popularmente se chama o “cofre aberto”, e a que nós chamamos mediunidade (os cientistas chamam percepção extra-sensorial), não se resolve com as receitas habituais dos videntes (defumadouros, rezas, banhos de descarga, amuletos, etc.)
A mediunidade é uma característica do organismo. Não é uma doença, nem algo de ruim que aconteceu à pessoa. O que acontece às vezes é que quando a pessoa começa a ter sintomas de mediunidade, estes são acompanhados de sensações de mal-estar. Na Doutrina Espírita a nossa proposta é a mesma de Jesus: “Orar e vigiar”. Orar porque quando pedimos a Deus que nos ajude, Deus sempre nos ajuda. Não é preciso recitar orações escritas, basta nós pedirmos com sinceridade e pedirmos coisas justas.
E vigiar porque devemos todos vigiar o nosso comportamento, as nossas palavras, pensamentos e acções, para nos podermos corrigir a pouco e pouco dos nossos defeitos. Na Doutrina Espírita convidamos todas as pessoas (quer tenham essa característica da mediunidade ou não) a assistirem a palestras públicas espíritas, a estudarem a obra “O Livro dos Espíritos”, a irem aprendendo coisas úteis sobre quem somos, de onde vimos, para onde vamos, a estudarem os os ensinamentos de Jesus e a viverem o seu Evangelho em espírito e em verdade.
Todos os serviços espíritas são gratuitos e sem compromissos. Numa associação espírita, caso o deseje, pode apresentar o seu caso pessoalmente e pedir orientações. Pode fazer o Curso Básico de Espiritismo, assistir a palestras e participar em outras actividades de que goste. Pode procurar associações espíritas na nossa página http://adeportugal.org ou pode dizer-nos em que região do País mora, e poderemos sugerir-lhe as que lhe fiquem mais perto.
Abraço amigo e disponha sempre!». Colaborarnumaassociaçãoespírita Em 2 de Abril, chegou a mensagem de uma pessoa inscrita no urso que a Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal lançou via internet: «Boa Tarde amigos. Frequento o Curso Básico de Espiritismo. Estou no módulo 8 e o meu nome é Teresa. (...) Gostava de saber de que necessito para trabalhar num centro espírita, não só frequentá-lo, mas pertencer-lhe, ajudar naquilo que puder e as pessoas que necessitarem.
Beijo! Respondam assim que puderem!». No mesmo dia, o missivista de serviço respondeu: «Olá Teresa. Para colaborar numa associação espírita basta ter vontade e um mínimo de solidez doutrinária. Visto que o Espiritismo não é uma religião no sentido tradicional do termo, não é preciso ter nenhuma preparação formal em termos de cursos, iniciações ou outros procedimentos. Dirija-se muito simplesmente a uma associação espírita e ofereça os seus préstimos.
É possível que a queiram conhecer melhor antes de lhe atribuírem uma tarefa, o que é compreensível. Também pode dar-se o caso de terem trabalhadores suficientes e não haver vaga para mais ninguém. Se for o caso, pode sempre juntar um grupo de amigos interessados no estudo da doutrina espírita e fundarem um grupo que se dedicará ao debate, à oração, ao estudo e à divulgação, quiçá à acção social. E quem sabe desse grupo não nascerá uma nova associação espírita mais formal, de “porta aberta”?
É preferível haver muitas associações pequenas a haver poucas grandes, porque em associações pequenas as pessoas conhecem-se melhor e o ambiente é o de uma verdadeira família. Abraço amigo!».
