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Reportagem Educação do futuro: Jornadas 2011 A belíssima vila de Óbido

Jornal de Espiritismo nº 46 · Maio 2011Página 57 min

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Reportagem Educação do futuro: Jornadas 2011 A belíssima vila de Óbidos acolheu, uma vez mais, as Jornadas de Cultura Espírita, este ano subordinadas ao tema “Educação do Futuro”. O evento, que decorreu no auditório da Casa da Música entre 16 e 17 de Abril, contou com a presença de aproximadamente 200 pessoas provindas dos quatro cantos do nosso país, tendo sido acompanhado por perto de 400 pessoas através da emissão on-line.

O clima de fraternidade fez-se sentir logo pela manhã quando, aos habituais colaboradores da organização, se juntaram vários amigos para ajudar na preparação da recepção e da abertura dos trabalhos. O “hall” de entrada da Casa da Música depressa se tornou convidativo, com uma simpática equipa responsável pelo acolhimento dos inscritos e com uma bancada de bibliografia espírita muito diversificada. A abertura das jornadas esteve a cargo de Ulisses Lopes, presidente da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), organismo organizador do evento, e por Amélia Reis, dirigente do Centro de Cultura Espírita das Caldas da Rainha, que através de uma pequena história fez lembrar os presentes que, tal como as flores que chegam a cada Primavera, tudo na vida se renova e que, felizmente, se realizam, uma vez mais, as Jornadas de Cultura Espírita.

Depois da apresentação do filme de abertura, realizado por Vasco Marques, e de uma selecção das fotografias das Jornadas do ano passado, os presentes foram brindados com “Os Três Sonetos” de Franz Liszt, peça virtuosa para piano eximiamente interpretados pela jovem pianista Joana Vieira. No primeiro painel, «Sociedade e Família», Cândida Vieira, professora, Paulo Mourinha, médico homeopata, e Maíra Diniz, psicóloga, apresentaram, respectivamente, comunicações intituladas “A família”, “Toxico-independência” e “O trabalho”.

Assim, reflectiu-se em voz alta acerca da importância da família como estrutura-base da consolidação dos afectos e da aprendizagem para a vida, acerca das interferências do espírito sobre a matéria e da importância do desapego egoísta em relação às coisas e aos seres e acerca da utilidade do trabalho para a evolução pessoal e da sociedade. O segundo painel, «Ambiente e Progresso», foi assegurado por três comunicações.

Na primeira, “O Homem e a Natureza”, Jorge Gomes apelou para a urgência da educação ambiental e na co-responsabilização de cada um no devir de um planeta em transformação. Vasco Marques, apresentando “Educação Web”, relembrou que as novas tecnologias, quando utilizadas com propósitos nobres, demonstram-se extremamente úteis ao serviço do bem, construindo pontes e ligando pessoas. A terceira comunicação foi uma novidade: as maravilhas da internet permitiram que Ângela Moraes, professora, falasse do Brasil para Portugal e apresentasse o seu trabalho intitulado “Educação para a Comunicação”.

O terceiro e último painel, «Educação Espírita», estendeu-se pela manhã do segundo dia das Jornadas e contou com a participação de quatro oradores. José Lucas, militar, cuja comunicação teve como título “O Centro Espírita”, falou da importância da sobriedade com que se devem pautar todas as actividades do centro espírita e a forma como o centro espírita não está desvinculado dos restantes sectores da vida. José Lucas relembrou a importância do sorriso e da boa-disposição no centro espírita e na vida em geral.

Antero Ricardo mostrou as estrelas e a imensidão de planetas que compõem o cantinho do Universo que já conseguimos vislumbrar. Na sua comunicação, “Transição Planetária”, recordou que o nosso planeta, ainda mundo de provas e expiações, a seu tempo será um mundo de regeneração apelando à colaboração de todos para a aceleração do processo dessa evolução natural. Reinaldo Barros falou do “Futuro da Educação”, referindo que a educação espírita se deve disseminar na sociedade e que é urgente a mudança do paradigma actual que ainda privilegia a inteligência racional.

Como surpresa de última hora, Ricardo Di Bernardi subiu ao estrado e apresentou uma comunicação intitulada “Educação, Família e Reencarnação”, lembrando que a família em que reencarnamos concretiza um compromisso assumido no mundo espiritual e que é imprescindível para o progresso do espírito. Di Bernardi ainda focou o espiritolicismo que atrasa o progresso dos trabalhos espíritas em Portugal e no Brasil. Os presentes tiveram a oportunidade de colocar questões e esclarecer as suas dúvidas.

Para isso foram criados momentos de mesa redonda no final de cada painel, onde os responsáveis pelas comunicações puderam responder às interpelações e aprofundar um ou outro ponto dos temas abordados. Para além das comunicações, houve também arte neste evento: poesia dita por Manuela Félix, canções espíritas acompanhadas à guitarra por Inês Guinote e Reinaldo Barros, e música erudita pela pianista Joana Vieira. Nesta edição das Jornadas de Cultura Espírita, foi ainda feito o lançamento oficial do 2.

º volume de Fábulas para ensinar, aprendendo, livro para todas as idades que permite uma abordagem espírita mas não só. A apresentar o livro esteve Hugo Guinote, coordenador da equipa de autores. As Jornadas de Cultura Espírita demonstram a qualidade de reflexões que se têm vindo a fazer em território nacional, importantíssimas para a reestruturação e/ou consolidação dos trabalhos realizados nos centros espalhados pelo país.

Que a próxima Primavera nos traga mais. Novamente em Óbidos, de preferência. Texto: Denise Estrócio foto arquivo J ornadas na internet Além do auditório presencial, graças aos recursos de participação disponíveis no ciberespaço, outro auditório à distância se fez presente, com intervenções simultâneas. Os dados da transmissão são matemáticos: cerca de 400 pessoas assistiram pela internet a estas jornadas, enquanto nos anos anteriores esta fasquia andava na ordem das 300.

Este aumento explica-se, segundo Vasco Marques, da organização, devido à «divulgação efectuada noutros sites espíritas, bem como nas redes sociais, sem esquecer o envio de informações via e-mail a potenciais interessados». Como nem tudo são rosas, Vasco sublinha que, ainda assim, «tivemos algumas falhas, principalmente no início de sábado e domingo, pelo que ainda existem aspectos a melhorar». Números das jornadas na internet: 404 pessoas viram estas jornadas; 1157 visualizações pelos diversos utilizadores; 293 horas vistas; 20 – média de pessoas em simultâneo.

Pontos de vista Entre os vários comentários dos participantes, tomamos a liberdade de destacar dois, e mais não são por falta de espaço... Inês Batista comenta: «É absolutamente fantástico que no contexto espírita se possam promover encontros, momentos prazerosos de estudo, aprofundamento da doutrina e da vida na sua acepção mais holística, de ano para ano ininterruptamente. Lembro-me de há alguns anos Ulisses dizer nos Encontros Nacionais de Jovens Espíritas que não havia qualquer outra actividade do movimento com a periodicidade anual que os jovens mantinham...

e de pedir que esse dinamismo não se deixasse perder! Agradavelmente verificamos que, cada vez mais, alguns centros unem esforços, empenho e trabalho para levar a doutrina mais longe e fazer por ela o que mais importante é: divulgar (...) Particularmente estas Jornadas de Cultura de Óbidos 2011 excederam-se na qualidade que apresentaram, no dinamismo que transportaram, na juventude que inseriram, nos temas que propuseram, mas acima de tudo, aqui fica o meu louvor, no ambiente que criaram, na familiaridade (espiritual) que vivenciaram.

Estou no Espiritismo desde que nasci e já participei em inúmeros ENJE, Fóruns, Congressos Nacionais e Mundial, Jornadas outras até... e nunca senti o envolvimento, carinho e paz em TODO E CADA MOMENTO, desde a recepção até à saída desse espaço maravilhosamente escolhido! Foram dois dias de sonho, cujos benefícios “moleculares” como referia o Paulo ainda sinto a percorrer o meu organismo físico... ora que dirá das suas componentes mais energéticas muito mais relevantes e impregnáveis...

Acredito convictamente que todos os que tiveram o privilégio de participar das Jornadas deste ano puderam de certa forma vivenciar o mundo de regeneração para o qual transitamos, antever as sensações e sentimentos que tentando nem conseguimos descrever...». Também Hugo Guinote sublinha: «Gostaria apenas de sublinhar um aspecto que não vos deve ter passado despercebido, mas que cumpre destacar. É que, sem que possa ser interpretado como crítica para quem faz opções diferentes, estas Jornadas devem ter apresentado a média etária de palestrantes mais baixa dos últimos anos, de qualquer evento espírita nacionalà exepção do ENJE e CONCESP por razões óbvias.

A Joana, a Maíra, a Inês, o Vasco e o Paulo, sem excluir, numa segunda linha, o Ulisses, o Jorge, a Cândida, o Reinaldo e Lucas, que ainda terão meia existência para dar ao movimento antes de partirem. Bem escolhidos, todos eles. Pessoas que acrescentam ao conhecimento da doutrina a capacidade de produzirem boas apresentações em diferentes áreas, que percorrem transversalmente o que temos como CULTURA. Comunicações mais generalistas, outras mais científicas, música clássica e espírita, poesia...

a fusão entre o passado (de um texto no papel) para o presente (com a difusão pela www)... que complementaridade! Uma aposta numa nova geração de espíritas (portugueses), a expressarem-se com qualidade técnica e com perspectivas de evoluírem na credibilidade científica das suas apresentações. Arrisco-me a dizer que serão estes os frutos do investimento nos ENJE de há décadas, quando os jovens eram impulsionados ao estudo, à pesquisa, ao trabalho em prol do Espiritismo.

Podes dizer-me que o mérito das apresentações é dos oradores. Sim, é certo, mas eu bem sei, como tu, que os bons oradores não se fazem na primeira palestra, no primeiro trabalho de pesquisa, na primeira apresentação... daíomérito da organização em saber escolher e, sobretudo, em ter a coragem em apostar em bons valores do movimento português. Está a abandonar o porto a “Nova Sagres” (como Camões intitulou em mensagem mediúnica), esta epopeia que nos cabe lançar pelo mundo».