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Entrevista foto arquivo Daniel Montanelli: Fundação Allan Kardec Danie

Jornal de Espiritismo nº 46 · Maio 2011Página 112 min

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Entrevista foto arquivo Daniel Montanelli: Fundação Allan Kardec Daniel Gómez Montanelli (1) é psicólogo. Encontramo-lo em Espanha, durante um congresso no final do ano passado, na companhia de dois outros médicos (2) da mesma nacionalidade, a Argentina. Afável, aquiesceu responder às perguntas que nos propusemos colocar-lhe. - Quem são e de onde vêm? Daniel MontanelliSomos representantes da Associação Médico Espírita de Argentina (AME-Argentina) e viemos assistir ao VI Congresso Espírita Mundial e à reunião da Associação Médico Espírita Internacional (AME-Internacional).

É de sublinhar que a medicina ampliada dentro das ideias espíritas na Argentina integra um processo espiritual, histórico e gnoseológico de carácter mundial, surgido por iniciativa do mundo espiritual superior, na segunda metade do século XIX, quase simultaneamente com o nascimento do movimento espírita na Argentina (1869), e tem-se vindo a consolidar até os nossos dias. A actividade médico-espírita no nosso país possui raízes históricas profundas a nível científico, doutrinário e espiritual, tendo características próprias, o que faz dela uma das tradições médico-espíritas mais antigas e representativas.

Em 1894, o Dr. Ovidio Rebaudi, integrando os aportes da metapsíquica e da magnetologia francesa, iniciou uma fase experimental. Na década de 1920, o Eng.º José S. Fernández, contemporâneo de J. B. Rhine, passou do uso da metodologia qualitativa (própria da metapsíquica) à pesquisa quantitativa (própria da parapsicologia). Fernández, depois de entrar em contacto epistolar com Rhine, a quem informava sobre o desenvolvimento destes estudos na Argentina, foi o primeiro pesquisador espírita a reconhecer a contribuição da parapsicología a favor dos postulados espíritas, em geral, e médico-espíritas em particular.

Posteriormente, Humberto Mariotti, seguindo o pensamento do Eng. Fernández, de Rhine e toda a tradição metapsíquica anterior, foi o fundador da antropologia filosófica médico-espírita e das consequências éticas e bioéticas que se desprendem delas. Mariño, Porteiro, Bossero, Mariotti e principalmente o Dr. Bartolomé Bosio contribuíram para destacar o enfoque social do Espiritismo, que também tem caracterizado a nossa tradição médico- espírita.

Devemos salientar que, em relação a outros movimentos desenvolvidos noutras latitudes, o movimento médico-espírita argentino não foi um modelo proveniente da psiquiatria mas sim da medicina geral, com um espaço de compreensão para a etiologia, a fisiopatogenia, a nosografia, a propedêutica e a terapêutica de todos os quadros ligados à saúde. Pela sua longa tradição científica e experimental baseia-se na evidência.