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Jornal de Espiritismo nº 46 · Maio 2011Página 126 min

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Entrevista PUBLICIDADE PUBLICIDADE Internacional, hoje partilhado por outros grupos e associações, como a Associação Médico-Espírita do Porto, em Portugal. É assim porque, em concordância com o enfoque bio-psico-socio-espiritual médico-espírita, este modelo aspira a considerar ao homem como uma totalidade, incluindo a sua relação com o universo, desenvolvendo uma abordagem integral, na qual encontram lugar todos os profissionais da área da saúde que partilhem os conceitos espíritas.

- Que actividades desenvolvem na área espírita argentina? Daniel MontanelliPartilhamos actividades doutrinárias e mediúnicas dos nossos respectivos centros espíritas, que frequentamos depois dos afazeres profisisonais. Escrevemos artigos, somos convidados a realizar palestras, mas o nosso interesse principal reside no desenvolvimento e difusão médico- espírita a nível nacional e internacional. - Que experiências têm hoje em curso?

Daniel Montanelli – O movimento médico-espírita na Argentina, pelo seu interesse nos processos relacionados com o nascimentoque os nossos guias chamam o Portal de Entradae a desobsessão. O Centro Nascer, da cidade de La Rioja, dedica-se à preparação integral (psicológica e espiritual) dos pais para o nascimento do futuro filho. Pensamos que se desejamos um mundo sem guerras, que respeite a natureza, precisamos trabalhar desde o berço oferecendo as melhores condições para o Espírito que vai a reencarnar.

A Fundação Allan Kardec tem trabalhado desde há quase 20 anos no acompanhamento de pacientes oncológicos muitas vezes em estádio terminal. A morte é a última das crises vitais pelas quais todos vamos a atravessar e é, conjuntamente com o nascimento, um dos dois momentos mais importantes da existência. A Clínica Privada de Saúde Mental Dr. Philipe Pinel, na cidade de La Rioja, dirigida pelo Dr. Gustavo Sáez, é o primeiro sanatório neuropsiquiátrico inspirado na filosofia espírita do nosso país e trabalha em parceria com o Centro Espírita Terceira Revelação dessa mesma cidade.

O nosso modelo centra-se na defesa da vida e remete para questões bioéticas. O Portal de Entrada engloba temas como o aborto, os embriões congelados, etc. O Portal de Saída abrange a eutanásia, etc. E a obsessão à loucura e o suicídio, considerando-se estas duas últimas formas de fugir da vida. Mas a bioética que defende esta associação, seguindo o pensamento de Fernández, de Mariotti e de Bossio, três dos nossos fundadores, é uma bioética fundamentada na demonstração experimental da existência do espírito.

Isto diferencia-a da bioética clássica puramente especulativa. É uma bioética para a qual a vida é uma sinusóide, um “continuum” entre planos interexistenciais. Achamos, como dizia Léon Denis, que o Espiritismo é todo o esforço do Além para tirar o homem das suas dúvidas, das suas lacunas e das suas misérias morais, obrigando-o a tomar consciência de si mesmo e do glorioso destino que o espera. Por essa razão, estamos a preparar um dossier sobre Defesa da Vida Intrauterina para ser enviado aos legisladores, pois neste momento está a ser debatida uma lei sobre a despenalizaçao do aborto.

E a nossa ideia é a de prosseguir depois com os outros temas da bioética. Além do nosso trabalho tradicional temos começado uma tarefa de avaliação de casos de curas espirituais feitas em centros espíritas, um estudo de casos de pacientes que passaram por estado de coma e por enquanto estamos aguardando a resposta de um reconhecido Centro Espírita de Argentina para iniciar uma pesquisa sobre características fisiológicas e psíquicas dos médiuns espíritas.

Numa outra área, a da docência e da difusão, a AME-Argentina organiza periodicamente palestras, seminários e jornadas de profissionais e estudantes universitários espíritas da área da saúde em diferentes pontos do país. Isto é, além de um grupo de estudo permanente que temos sobre Saúde e Espiritualidade, que funciona em Buenos Aires. De momento estamos também a organizar, de forma conjunta com a AME- Colômbia, a I Jornada Médico-Espírita Colombo-Argentina, para 2011.

- Para que serve o Espiritismo? Daniel Montanelli – Nenhuma pessoa inteligente e que seja capaz de pensar com seriedade, dizia Taimni, pode deixar de sentir, embora difusamente, que há um grande mistério oculto por trás do universo e da sua própria vida, e que até que esse mistério não seja resolvido, a sua vida carecerá de sentido, e não poderá estar em paz. A pessoa poderá ignorar esse mistério, mergulhando-se na acção ou em outras actividades distractivas, mas esse mistério continuará a mexer com ela e a afectar toda a felicidade atingida na relação que tem com o mundo exterior.

Achamos, como dizia Léon Denis, que o Espiritismo é todo o esforço do Além para tirar o homem das suas dúvidas, das suas lacunas e das suas misérias morais, obrigando-o a tomar consciência de si mesmo e do glorioso destino que o espera. Na verdade, no nosso país, devemos dizer que o Espiritismo continua a ser o grande desconhecido, por isso não há uma opinião formada por parte da comunidade científica. Para alguns autores como Grof, Bayés e Martínez Bouquet, o tabu sobre a sexualidade da época vitoriana passou depois para a espiritualidade e a morte.

Apesar da parapsicologia demonstrar a natureza extrafísica da mente – o que nós chamamos almaassim como a sua capacidade para agir sobre a matéria, e da parapsicologia ter sido reconhecida oficialmente como ciência em 1969 pela Associação para o Avanço das Ciências, a medicina actual ainda continua debaixo do predomínio do paradigma materialista e mecanicista, sem ter podido integrar no seu seio estas novas descobertas.

Não obstante, ninguém pode impedir definitivamente o avanço da verdade. As ideias vão mudando, e, no dia de hoje, percebemos um interesse crescente, muito importante, por parte do meio profissional, e do povo em geral, com respeito ao tema da espiritualidade. Temos apresentado já em várias oportunidades trabalhos sobre saúde e espiritualidade em vários congressos de psicologia, psiquiatria, psicoterapia e tanatologia, e até dado aulas na Faculdade de Psicologia da Universidade de Buenos Aires.

Ainda mais, a Associação Argentina de Psiquiatria tem um capítulo dedicado à Espiritualidade e à Psiquiatria. - O contacto que teve com o Espiritismo mudou-lhe a vida? Daniel Montanelli – Desde o nosso contacto inicial com o Espiritismo, ele começou a transformar as nossas vidas, ajudando-nos a nos conhecer mais, a compreender que, efectivamente, nada é azar, que somos o resultado das nossas próprias escolhas e que o sucesso final dependerá sempre de quanto tenhamos podido fazer pela superação dos nossos rasgos de carácter.

- Algumas palavras finais? Daniel Montanelli – Temos um grande carinho e uma profunda admiração pela brava equipa do «Jornal do Espiritismo» que, com o seu devotado labor, fazem que este jornal seja uma das melhores publicações periódicas do meio espírita. Vós sois pessoas muito trabalhadoras, entusiastas, humildes, idealistas, perseverantes. Estas vossas qualidades, juntando-se às de outras pessoas como vós, asseguram um porvir auspicioso ao Espiritismo.

Por José Carlos Lucas (1) Formado em Psicologia (Universidade de Buenos Aires), com post-graduação em Medicina Psicossomática (Universidade de Buenos Aires), [Psicosociooncología] e Cuidados Paliativos (Universidade Nacional da Prata). Psicoterapeuta de orientação humanística e transpessoal. Presidente da Fundação Allan Kardec. Membro Associado da Parapsychological Association. Autor de artigos e livros da sua especialidade.

Realizou conferências e tem apresentado trabalhos em congressos de vários países da América Latina, os Estados Unidos e da Europa. (2) Patrícia Mansilla: médica cirurgiã (1985) pela Universidade Nacional de Córdoba, com especialização em Obstetrícia, Ginecologia e Reprodução. Trabalha actualmente no Hospital Regional Enrique Vera Barros e no Centro Nascer da cidade de La Rioja onde se atendem grávidas e casais com problemas de fertilidade.

Integrante da AME-Argentina desde seu começo e previamente dos grupos de médicos espíritas do Centro Terceira Revelação de La Rioja sempre partilhou dos trabalhos sobre O Portal de Entrada, Defesa da Vida e Mediunidade. Óscar H. Herrera: médico cirurgião e gastroenterólogo especializado na Universidade Nacional de Córdoba e no Hospital Posadas de Buenos Aires. Activo participante das Jornadas, Seminários e reuniões da AME-Argentina.