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Bem, desde há 30 anos, quando comecei a estudar seriamente a doutrina

Jornal de Espiritismo nº 50 · Janeiro 2012Página 84 min

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espírita, quase todos os centros espíritas recém-fundados surgiram de cisões em casas anteriores. É preciso que admitamos: nós espíritas não somos (infelizmente) melhores do que ninguém. A doutrina espírita, esta sim, é que é melhor. Inúmeras casas surgiram por discordância de métodos de trabalho, o que, na realidade, é lamentável. Não há problema importante com

os métodos, mas com as pessoas. Trata-se de nosso orgulho pessoal, vaidade, intolerância (e outros adjetivos menos honrosos) dos quais

inconsistentes como “Depois de se ter envolvido com mediunidade necessitou de ser internado num hospital em casa de saúde mental ...” todos nós sabemos que é o mau uso das faculdades ou a ignorância acerca do espiritismo que levam a estes problemas.

A falta de apoio recebido, bem como

a deficiência no estudo por parte

dos envolvidos, aliada à embriaguez pela ofuscante novidade, tem levado muitos grupos espíritas que utilizam a apometria a distorcões que poderiam ser facilmente evitáveis. Com todo respeito aos nossos “primos” umbandistas, que executam trabalho sério e útil, faz-se necessário definir algumas fronteiras que devem ser tão nítidas quanto fraternas. Não há porque criarmos grupos de umbanda técnicocientífica nas casas espíritas. Ao invés

Se a apometria mal utilizada é desastrosa, o mesmo podemos afirmar da mediunidade convencional erroneamente praticada. Nem a mediunidade nem a apometria são positivas ou negativas: ambas são neutras.

nós, trabalhadores da seara espírita, ainda não conseguimos libertar-nos totalmente, sejamos adeptos ou não, da apometria.

A resistência a estudar e o imobilismo de determinados dirigentes acabam por gerar o afastamento de médiuns que interpretam, erroneamente, a postura do dirigente como se fosse a postura do espiritismo. P Acabam, então, por se desvincular do movimento espírita.

Por que, ao invés de se exorcizar novos conhecimentos não os estudamos profundamente? Por que não apoiamos os irmãos interessados

no trabalho? É verdade que seria imprudente precipitarmo-nos na adoção, pura e simples, de qualquer técnica revolucionária ou infalível.

Se a apometria mal utilizada é desastrosa, o mesmo podemos afirmar da mediunidade convencional erroneamente praticada. Nem a mediunidade nem a apometria são positivas ou negativas: ambas são neutras. Argumentos tais como “Depois que se iniciou a apometria neste centro muitos problemas surgiram...” são tão

do clássico e necessário “DIÁLOGO COM AS SOMBRAS” tão preconizado por Hermínio de Miranda, passamos

a ouvir o contínuo estalar de dedos seguido de verdadeiras expulsões dos espíritos obsessores ou simplesmente sofredores. O diálogo construtivo e fraterno passou a ser considerado peça de museu. Ao invés de amor e filosofia, muita sonoridade e gesticulação espalhafatosa, sob o argumento de

que o som serve de veículo para a energia. Então, bater palmas e gritar alto seriam tão úteis quanto mais ruidosos fossem... Naturalmente, o impacto energético seria cada vez mais produtivo quanto mais escandalosa for a sessão... É necessário que acordemos para que logo não estejamos a admitir. outras atitudes materiais e periféricas | totalmente incompatíveis com nossa filosofia. O trabalho espiritual é, acimza de tudo, mental. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra: equilíbrio...

Desde a época pré-histórica que hábeis feiticeiros removem obsessores de forma rápida utilizando métodos tão eficazes quanto grosseiros. Erif'iíleno século XX, assim como não se concebe

rejeitar preconceituosamente novos conhecimentos, da mesma forma não se admite a paixão pelas formas dos frascos coloridos da exteriorização sensorial em detrimento da essência filosófica. Técnicas apométricas, que possibilitam a remoção rápida e objetiva dos “aparelhos parasitas”“ instalados pelos obsessores no perispírito do obsediado, devem ser assimiladas por todos nós, interessados no progresso dos nossos trabalhos.

No entanto, um equivoco frequentemente observado em alguns grupos que utilizam a apometria é o esquecimento do apoio ao obsidiado após a remoção dos aparelhos-parasitas instalados. É indispensável o esclarecimento pelo estudo e a promoção da reforma íntima da pretensa vítima, a qual, não se modificando, logo atrairá novos obsessores. Obsessores retirados do campo mental do obsidiado “a forciori” e enviado a outros planetas“ ou a estranhos locais ou dimensões extrafísicas, talvez merecessem uma atenção mais adequada.

A ausência de diálogo com espíritos enfermos, em certos casos, apenas determinará a mudanca de endereço dos obsessores, bem como a admissão de novos inquilinos na casa mental desocupada do obsidiado. Se está na hora de modernizarmos as sonolentas sessões, onde se chega a dormir literalmente, imaginando ingenuamente estar a ceder-se ectoplasma ou a trabalhar em desdobramento inconsciente, o que eventualmente até ocorre, também está na hora de não exagerarmos na postura inversa.

Faz-se necessário recolocarmos a filosofia espírita, o amor e a seriedade nos trabalhos mediúnicos e não umbandizarmos a doutrina espírita nem brincarmos irresponsavelmente com animadas técnicas.

I . JORNAL DE ESPIRITISMO - 50 - janeiro | fevereiro 2012

O que leva alguém a Uma associação

A União Espírita da Região do Porto realizou um inquérito às pessoas que frequentam as associações espíritas suas associadas com o objetivo de ficar a conhecer melhor aqueles que procu-

ram o espiritismo (ou doutrina espírita),

as suas motivações, bem como as impressões sobre os serviços prestados. A amostra trabalhada comporta 125 respostas de frequentadores (não trabalhadores), recolhidas numa reunião pública de cinco centros espíritas da região do Porto, realizada de forma anónima através de preenchimento de question