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que ele fechou essa parte da vida dele numa caixinha imaginária

Jornal de Espiritismo nº 50 · Janeiro 2012Página 74 min

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Quem sabe, agora, o meu pai achou que era altura para que a Calxa se abrisse, pois foi o que aconteceu.

folha de papel e desenhou a casa dos meus pais (em Castelo Branco, Portugal, onde ela nunca esteve)

- E o caso do avô do seu pai, nem a sua mãe sabia da informação. Como foi isso? Amélia ReisEssa foi a parte que me deu mais «trabalho». AÀ médium disse que o avô do meu pai vivera perto da igreja. Eu nunca ouvi o meu pai falar de avô nenhum, mas a casa que ela assinalou como sendo a do abuelo do meu pai ficava mesmo em frente à igreja, pegada à antiga casa do padre, ambas desabitadas e quase em ruínas (a nossa fica do lado da porta da sacristia).

O esquema que ela desenhou era como se estivesse a ver o local pairando sobre ele, tipo “Google Earth”. Resolvi perguntar à minha mãe se o pai tinha tido algum avô que lhe quisesse bem, o que seria normal pois ficara sem o pal, etc. e tal.

Não... não sabia. Admito que não se lembrasse. Das minhas tias já cá não está nenhuma e a coisa complicou-se. Foi quando me lembraram de uma senhora nossa prima, mais velha do que o meu pal e que está no lar onde está a minha mãeera a minha ultima esperança. Abordei-a com algum receio, muito sinceramente: “Prima Evangelina, diga-me cá uma coisa que vossemecê deve saber. O meu pai, quando era pequeno não tinha lá por Caféde um avô que o acarinhasse e onde ele pudesse ir no inverno pois a quinta onde eles viviam era longe?” Resposta dela, de rajada, simples, com

o olhar sereno: “Ai, tinha sim filha, era

o ti Magueijo, um homem muito bom,

e até te vou dizer onde morava, era em frente da igreja numa casinha que lá está pegada à casa do padre...”.

Perante uma coisa destas eu acho que levitei (risos...).

- Que comentários faz a este caso? Amélia ReisAprendi que a mediunidade não tem espaço, nem língua nem fronte!ra, que, bem utilizada, ela é uma bênção. Pessoalmente recordo o caso Cesare Lombroso e Eusápia Paladino, quando Lombroso diz que nenhum gigante do pensamento fez por ele o que fizera aquela mulher Iletrada, trazendo-lhe de novo a presença de sua mãe, através de uma materialização.

Por isso daqui o meu saudoso abraco a médium espanhola de quem a vida me aproximou um dia. Nunca mais a vou esquecer. Ào meu pal e ao meu bom

guia espiritual, que nos juntaram e se juntaram a nós naquele lugar, agradeço profundamente e espero continuar a não os desapontar muito.

- Como espírita este caso reforçou a sua ideia da imortalidade ou já a tinha bem sedimentada?

Amélia ReisJá a tinha bem sedimentada. Porém, deu para entender melhor alguns aspetos da vida depois da vida, mais concretamente porque foi o meu pal escolher um ponto da sua infância se tanta coisa se passou depois e este já se teria esbatido por força do tempo?

Se virmos André Luís e outros autores lá está: é que o tempo não existe como aqui na Terra e só o amor prevalece.

Agora, quando passo pela tal casinha do adro, penso com um carinho saudoso no Ti Magueijo que nunca conhecl mas que me marcou a existência pela força do tal amor.

- Algum comentário adicional, algo que queira deixar aos leitores?

Amélia ReisApesar das convulsões existentes hoje no nosso planeta, nós somos os privilegiados da Terra pois temos o conhecimento da doutrina espírita, e termino com o saudoso José Herculano Pires, escritor e filósofo espírita brasileiro, «Os que dizem ter sido espíritas e deixado a Doutrina, nunca o foram... Um marinheiro que deixou o mar nunca se esquecerá do marulho das ondas e jamais perderá a lembrança das amplidões marinhas em que navegou». CONSULTORIO

De Cuba, Vicente Trujillo, entre outras observações, pede informação sobre apometrias:

Stedes pueden escribir referente a este

asunto. Por acá tenemos muy poco conocimiento». Tomamos a liberdade de reencaminhar a questão ao Dr. Ricardo Di Bernardi.

Dr. Ricardo Di Bernardi= Herculano Pires, saudoso estúdioso da nossa doutrina, já nos en

luzes feéricas das novidades, nem escondermoSas nossas cabecas tal qual avestruzesíque se protegem

do desconhecido deixando-se ridiculamente descobertos.

Kardec, que nos ensinava ser preferível rejeitar 99 verdades

do que aceitar uma só mentira, também nos dizia que, se a ciência demonstrasse estar o espiritismo errado em um ponto, ele se modificaria neste ponto.

Inúmeros grupos, ou entidades espíritas comecam a interessar- -se pela apometria, técnica de trabalho anímico-mediúnica na qual os médiuns, ou sensitivos,

se desdobram conscientemente, participando de maneira ativa no encaminhamento das entidades espirituais enfermas. A apometria apresenta-se como técnica moderna que une avançados métodos de intercâmbio com o plano extrafísico. A sua utilização torna a sessão mediúnica de desobsessão dinâmica, ao invés da passividade sonolenta tradicionalmente observada em determinados grupos.

No entanto, a dificuldade que se vem observando na utilização

da apometria não se refere à técnica em si, mas à utilização equivocada, precipitada, radical, sem embasamento filosófico e, o que é mais preocupante, pouco fraterna no trato com os desencarnados. Somos inteiramente favoráveis

a correta utilização do método apométrico, desde que, alicerçcado nas sólidas bases kardequianas, sem prejuízo do conteúdo ético-moral e, sobretudo, do trato afetivo com as entidades desencarnadas.

Nada há de misterioso nas técnicas desenvolvidas pelo Dr. Lacerda, de Porto Alegre, e tão bem divulgadas pelo Dr. Victor Ronaldo Costa, de Brasília, em proveitosos seminários e cursos que didaticamente

efetua. Vale aqui uma especial recomendação.

Frequentemente, nos deparamos com certas polémicas e queixas

de velhos amigos, trabalhadores

da doutrina espírita. Uma delas

expressa-se assim: “Muitos entusiastas da apometria abandonaram a casa espírita de origem e organizaram entidades próprias”.