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Jornal de Espiritismo nº 50 · Janeiro 2012Página 104 min
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Notícia confrangedora: uma criança sulcidara-se* no início deste ano escolar. Teria sido vítima de bullying, embora pudesse ter uma predisposição para dramatizar o quotidiano e isso reforçasse a sua dificuldade de lidar com as circunstâncias.
Custa aceitar que não ocorresse a intervenção adequada para dar a volta ao drama.
Bullying é uma palavra estrangeira que, se ouvida pela primeira vez, ergue uma muralha de ruído e até consegue acentuar o ar terrível deste problema das relações humanas.
A verdade é que bullying se tornou também por cá a palavra adotada para englobar os «atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (do inglês “bully”, tirano ou valentão) ou grupo de indivíduos e que angustiam a vítima, sendo executados dentro de uma relação desigual de poder», diz a Wikipédia na internet.
Se andarmos meio século para trás no tempo este problema já deveria existir, ainda que a televisão não estivesse por cá.
Poderá acontecer que a chamada vítima tenha um comportamento, uma expressão corporal que mexa no inconsciente de mentes afeiçoadas à tirania e repesquem modelos de predação, de domínio territorial, de subjugação. É capaz de ser uma pulsão muito antiga que já era tempo de largar. E isso leva-nos aonde?
Aos cireuitos evolutivos. Embora seja certo que não temos uma máquina do tempo para viajar, nem seja tão fácil como isso regredir a memória extra-corporal a tais regiões evolutivas, podemos olhar para perfis atuais e veremos padrões que se podem equiparar.
Repare no parente mais próximo do melhor amigo homem, ameaçado de extinção nesta terra: o lobo.
Os estudiosos das alcateias têm como verdade adquirida que um grupo normal estabelece uma hierarquia de vários patamares e os comportamentos diferem segundo esse mesmo estatuto. É isso que vai definir que lobos têm direito a acasalar e os que não têm, bem como quem tem a passadeira vermelha para comer primeiro e qual o lobo que fica com os últimos restos, se os houver.
Isto não tem a ver com crueldade, refirase. Uma alcateia depende de um território que inclui xis quantidade de alimento, abrigo, etc. É um recurso vital finito.
No topo de hierarquia da alcateia está um casal conhecido por alfa. São os que detêm o domínio senhorial. Há depois alguns degraus de direitos reprimidos — vários betaaté que se chega ao pobre do ómega, o elo mais fraco da alcateia. Este é o alvo de todas as frustrações do grupo e poder-se-á até dizer que, por isso mesmo, sofre de bullying.
Quando a alcateia está no imite da alimentação que pode proporcionar a todos, o ómega sente mais a agressão e acaba por se afastar numa perigosa viagem, que é também a da sua libertação. Quem sabe se não acaba por encontrar um espaço desocupado e até lobo do sexo oposto, eventualmente um ómega de outra alcateia, reiniciando o ciclo da vida sem essas pressões e transformando-se pelas circunstâncias em alfa?
Há outra história ainda mais antiga, tão antiga que começou muito antes do advento dos primeiros mamiíferos na Terra. Fala-se da vegetação. As plantas, num baldio fértil, são um exemplo de bullying. O recurso em disputa é o espacço vital de solo e a luz. Mas isso levaria a um texto demasiado extenso.
Existe entre a espécie humana uma tendência gregária que levou ao seu êxito populacional. Já os antigos gregos, sábios, diziam que o homem era um animal social.
Isso ocorre pelas inúmeras vantagens
supervenientes. O que um não sabe fazer,
outro faz, e vice-versa, sendo certo que a importância atribuída dentro de um grupo pode trazer consigo ainda mais vantagens.
Com frequência aquilo que de uma forma racional deveria ser uma atitude de espírito de serviço ao grupo transforma- -se numa forma privilegiada de acesso a recursos dos mais diversos, contando- -Se desde alimento a parceiros sexuais, libertação do jugo de vontade alheia e, mais recentemente, poder monetário e financeiro.
É aí que os interesses pessoais se sobrepõem ao bem comum, como ainda
acontece hoje em dia num amplo espetro.
Esta tendência de se impor aos demais elementos do grupo pode transviar-se e manifestar-se até precocemente, passando a andar perdida num envoltório de crueldade, no pressuposto de que esse
é o caminho para ter mais poder. Numa fase primária de evolução pode alguém crer que tem de subjugar para não se arriscar a ser subjugado. É patético, mas é isto que se verifica numa série de casos.
O tempo ensinará que a afetividade autêntica é o modelo mais compensador quando se dispõe de uma influência baseada noutro tipo de caraterística: a autoridade moral. Aqui, o respeito mútuo viabiliza um relacionamento harmónico muito mais sólido.
É por isso que este padrão de infortúnio se estende a muitos outros níveis de atividade humana, como os de ordem profissional e familiar. Como enfrentar então o bullying?
Conhecer-se melhor ajuda sempre. Analisar os sinais que dá para o exterior e evitar a proximidade de rufiões, mesmo que sejam a sua chefia no trabalho. Não é fácil, mas o respeito pode conquistar- -se.
Com frequência aquilo que de uma forma racional deveria ser uma atitude de espírito de serviço ao grupo transforma- -se numa forma privilegiada de acesso a recursos dos mais diversos, contando-se desde alimento a parceiros sexuais, libertação do jugo de vontade alheia e, mais recentemente, poder monetário e financeiro.
Há dados que apontam que, nas escolas, a maioria dos atos de bullying escapa à observação de adultos, o que ajuda a que a vítima assuma o perfil de um alvo e frequentemente nem sequer fale sobre a agressão sofrida.
É certo que cada pessoa que tenha sido ameaçado verbal ou fisicamente carece de apoio e de proteção.
Como a criança perseguida tende a esconder o facto dos adultosque não devem ignorar a situaçãoa supervisão destes não pode falhar. Mais do que isso, informação adequada sobre este tema deve se
