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março | abrit12 Educação, família e reencamacao Há questões ligadas ao

Jornal de Espiritismo nº 51 · 2012Página 67 min

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Há questões ligadas ao título que acabamos de ler que tocam problemas levantados por muitos leitores. Nesse sentido, aqui fica um ponto de vista muito interessante pelo Dr. Ricardo Di Bernardi, que subscreve esta secção do «Jornal de Espiritismo».

Nos tempos atuais, vivenciamos nova queda de um grande império. Assim como ocorreu o desmoronamento do antigo Império Romano, a olhos vistos, está ruindo o Império da Religião Dogmática.

Concomitantemente, o homem moderno vivendo em núcleo familiar excessivamente aberto e vulnerável, insatisfeito com as respostas oferecidas pelos sacerdotes, busca conselhos e orientações com psicólogos, médicos, sexólogos e professores.

Os profissionais, por mais sérios e competentes que sejam, às vezes são impotentes para esclarecer os problemas Íntimos dos consulentes por desconhecerem a cosmovisão espiritista e a realidade das vidas sucessivas, não tendo acesso às causas profundas dos problemas atuais.

Somos hoje a estrutura psíquica edificada ontem, apesar de sabermos ser nosso dever continuar a construção interna e a modificação progressiva do nosso ser. Tal facto estende-se àqueles

que são, hoje, nossos alunos, filhos ou pacientes.

O nosso presente é o reflexo do nosso passado. Na idade medieval vivenciámos modelos infantis de religião, de núcleo familiar, e de educação preconceltuosa e limitante em todos os sentidos. Hoje, na idade contemporânea, adotamos um modelo adolescente de contestação ao nosso passado. Contestação ou reação, embora necessária, infelizmente excessiva e desarmónica que deve evoluir para um futuro equilíbrio, ou seja, um novo modelo adulto. Haveremos de ter, neste terceiro milénio, uma religiosidade superior, não dogmática nem mesmo institucionalizada, bem como novas propostas educacionais em todos os sentidos.

A cosmovisão espiritista propõe uma análise dos problemas psicológicos

e sociais baseada nas evidências de reencarnação. Evidências essas que geram considerações filosóficas sobre avida prática com reflexos ético- -morais e, portanto, novas propostas

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Educação é sinónimo de crescimento. Reencarnação é fundamentalmente um processo educativo. AÃo renascermos,

a primeira escola é o lar. Na família aportam três grupos de entidades: espíritos afins, isto é, amigos e parentes de vidas anteriores com propostas de apoio mútuo; espíritos em afinização necessária por trazerem dificuldades prévias entre si; e, eventualmente, os espíritos em afinização urgente, ou seja, Inimigos do passado que graças a anestesia bloqueadora das lembranças pretéritas, têm a oportunidade de se perdoarem e amarem motivados pelos vínculos íntimos familiares e pela nova vestidura meiga de um bebé, que a todos encanta. Assim, afetos e desafetos se reencontram.

Alunos ou filhos são seres milenares que trazem no seu inconsclente grande volume de informações, experiências, qualidades, traumas e tendências. São importantes registos, embora adormecidos, que devemos considerar na abordagem educativa. Respeitando os fatores específicos em cada caso, a liberação direcionada dos conteúdos do inconsciente sob a orientação amorosa é a belíssima e difícil tarefa do educador espírita. Memória extracerebral, ou seja, recordações espontâneas de vidas passadas, em crianças, são provas evidentes desses conteúdos.

Consideraremos dois grupos de fatores educacionais: Fatores Intrínsecos e Extrínsecos

Fatores Intrínsecos: |-Pré-aquisições positivasPAP. É o conjunto de valores e qualidades, estratificados por vivências em seu passado desta ou de outras encarnações. O educando trá-las no seu inconsciente. Tais qualidades geram tendências comportamentais que podem favorecer o processo pedagógico. 2-Pré-aquisições negativas PAN. É o conjunto de más experiências do passado, desta ou de outras encarnações, que o aluno traz arquivado nos porões do seu inconsciente. Esses

Dr. Benjamin Bene Avenida 1º de Maio, 9, 2º esq. À 2500-081 Caldas da Rainha

registos tendem a dificultar o processo de crescimento e aprendizagem do Espírito.

A cosmovisão espiritista propõe uma análise dos problemas psicológicos e sociais baseada nas evidências de reencarnação.

Fatores Extrínsecos: São os educadores ou agentes facilitadores do processo educativo ou pedagógico. Incluem-se basicamente os pais, os afins e os mestres, no grupo objetivo. Constituindo um grupo mais subjetivo temos os fatores ambientais ou mesológicos, e um terceiro grupo que é composto pelos educadores extrafísicos. Este último é dificilmente percetível e correspondem às influências de energias subtis, tais como formas-pensamento, criações ideoplásticas e até mesmo entidades desencarnadas que interferem na psicosfera da criança ou do jovem.

1 - Tomada de consciência, de forma serena, das PAP- pré-aquisições positivas -, tanto por parte do aluno como do professor. Aplicá-las e ampliá-las.

2 - Tomada de consciência, de forma suave e discreta, das PAN- pré-aquisições negativas que existem. Compreender a nocividade das mesmas, sublimá-las e direcionar essa energia para outros fins construtivos.

3 - Procurar não se deter, apenas, no conteúdo curricular, isto é , no aspeto informação, mas dar especial atenção às questões éticas da vida, ou seja, o aspeto da formação do caráter na nova personalidade desta encarnação.

4 - Considerando que não há um ser igual a outro no planeta, cada aluno capta ou reage de forma específica, portanto é recomendável, dentro do possível, individualizar o ensino.

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5 - Ensinar e praticar a expansão da consciência, adentrando em outros níveis e dimensões do universo. Há diversas práticas que visam a expansão da consciência, essas podem ser utilizadas adequando-as à idade. Vejamos algumas delas: logaintroduzir a prática de concentração, relaxamento, meditação, preservando o aspeto lúdico associado, por exemplo, imitar animais. Música relaxanteutilizar, além das músicas convencionais em outros horários, música com sons da natureza, facilitando a aproximação da mente às sensações mais subtis. Momento

ou Hora da harmonizaçãoCorrespondendo ao que seria o momento

da prece, porém sem dar conotação religiosa, ensinar que se entra em contato com o Amor Universal, com a Luz Maior do Universo sem fórmulas decoradas. Exemplificando: Vamos imaginar que está caindo do alto, sobre todos nós, pétalas de luz, vamos sentir estas pétalas entrando em nosso corpo e dando uma sensação agradável”, etc. Hoje que a Aninha está doente, vamos enviar do nosso coração uma “luzinha” verde. Vamos imaginar que ela está recebendo essa luz verde e se sentindo melhor...

etc. Sons inaudíveisdiscorrer sobre ultra-sons, que não se escutam, mas chegam a imprimir a imagem de um bebé na ecografia. Falar sobre infra-sons não percetíveis pelo aparelho auditivo, mas que são captados por apitos especiais para chamar cães.

mais do que apenas o que vemos e ouvimos. Cores invisíveisgerar interesse nas cores invisíveis, não percebidas pelos olhos físicos, como os ultravioleta e infravermelhos, explicando a sua importância. Introdução à Psicometriaexplicar que tudo o que pensamos e sentimos emite energias, luzes e cores e que essas permanecem connosco gerando uma psicofera específica em nós e nos nossos pertences pessoais. Utilizar sempre figura de linguagem apropriada à idade.

“A boneca fica com a luz do seu pensamento e a cor do que você sente”. “Fica na sua mochila tudo de bom que você pensa”. Contar histórias, com dramatização alegre, como a localização de uma criança perdida, por psicómetras holandeses (“sensitivos”) que, com um ursinho de estimação na mão, captaram dados que oportunizaram encontrar a menina. Amigos invisíveisnunca negar a existência dos mesmos. Ensinar como se deve relacionar com os referidos amigos.

À sensibilidade paranormal da criança deve ser respeiltada e orientada sem qualquer espanto. Oferecer literatura espírita infantil. 6 - Apresentar a lei de ação e reação sob o ângulo do bom e do belo. Colhemos flores porque as plantamos, ou seja, reforçando a necessidade de continuarmos a plantar para colher bem cada instante da vida.

zar colheitas de semeadura equivocada. 7 - Afinidade e sintonia das energiasIniciar com exemplos da Rádio, TV, Internet até chegar à noção de sintonia e atração de energias, demonstrando que ser bom é, também, ser inteligente. 8 - estimular a autocompetição. Apesar de compreendermos que jogos e competição entre alunos são, ainda, neste planeta necessários, promo-

ver a autocompetição, isto é, a vitória sobre os pequenos maus hábitos, é importante, valorizando as conquistas obtidas. 9 - Pluralidade dos mundos

e vida espiritualampliar o conceito do universo, de vida noutros astros, de seres de outras dimensões. Sugerimos iniciar com exemplos de seres que, fora da água, se “afogam” não sobrevivem. 10 - Eliminar a culpaterrível herança medieval que ainda grassa qual erva daninha nos canteiros das famílias e jardins escolares... Quando alguém cometer um ato dito “mau”, demonstrar que atos bons compensam, equilibram e até os anulam. Tiraste o lápis ao teu colega? Olha, não vamos deixar que fique triste com isso, amanhã vamos devolvê-lo, pedir desculpa e ofercer-lhe dois lápis novos...”.

São todos os fatores que estimulam as PANpré-aquisições negativas do educando, já expostas anteriormente. Há fatores mesológicos [ambientais) físicos e extrafísicos.

Como fatores mesológicos físicos nós

citaríamos: lar desequilibrado, escola despreparada,IV mal orientada, além de inúmeros outros componentes ambientais.

Educação é sinónimo de crescimento. Reencarnação é fundamentalmente um processo educativo.

Como fatores mesológicos extrafísicos, consideramos: |- a egrégora do ambiente, ou seja, a psicosfera que é todo o campo de energias que vibra em torno do ambiente do aluno, desde que ele acorda até ao dia seguinte. 2- As ideoplastias ou formas-pensamento geradas e mantidas vitalizadas no seu meio. Além do item 3 - acompanhamentos espirituais com desequilíbrios de toda a ordem imaginável, que a escola espírita saberá encaminhar corretamente.

Concluindo, urge que se dinamize uma pedagogia espírita, e aqui vimos com esta proposta de forma sintética. Não visando proselitismo, porém visando

a preparar melhor as consciências do terceiro milénio.

Por Dr. Ricardo Di Bernardi, médico pediatra, ex- coordenador de uma escola espírita.

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