Capa
Jornal de Espiritismo nº 52 · Março 2012Página 14 min
52 ANOIX JDE JORNALDEESPIRITISMOMAIO . JUNHO . 2 0 1 2 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 O sono cria espaço a outro tipo de atividade mental – o sonho. Para uns este último não é mais do que o devaneio de uma mente adormecida, podendo desenhar no sono a libertação da censura social que leva a revelar anseios reprimidos. Para outros são retalhos mnemónicos da vida num plano etéreo.
Afinal, que se passa nesse mundo que visitamos todos os dias? 16 OPINIÃO Irmãos Muitos pais vivem angustiados devido à relação conflituosa entre os seus filhos. Perguntam se eles seriam inimigos de outras vidas... 17 LITERATURA O infinito e o finito 08 NOTÍCIA Ney Prieto Peres: o perispírito Com longa atividade no movimento espírita ministrou um seminário na cidade do Porto em março. A sala encolheu de tanta procura.
15 CRÓNICA Suicídio: a grande ilusão Na iminência de falência financeira, muitas vezes busca-se em vão o suicídio. Está visto que a vida continua além da morte do corpo. O livro da Editora Espírita Correio Fraterno do ABC, com 40 crónicas, contribui para resgatar do esquecimento algumas lições de Herculano 10 SOCIEDADE foto loucomotiv Sono e sonhos: viagens além do véu? Dizia um amigo, inspirado: «Certo dia estavam dois homens a olhar o mar.
Um dizia que este era um espaço muito perigoso: tanto trazia risco de afogamento como num simples banho de mar podia ser picado por um peixe-aranha. Somava o ataque de tubarões, o enjoo num passeio de barco e até maremotos. O compincha dizia que estava enganado, pois o mar era fantástico – ao fazer mergulho passeava num cenário encantado, pescava, andava de barco, fazia surf, nadava, enfim, divertia-se a rodos. E o mar?
O mar, esse continuou neutro como sempre». A única coisa que ainda continua a variar é o modo como cada um o olha... e o vasto oceano, em qualquer parte do mundo, bem pode ser entendido como a própria vida. Isso estende-se à família, à profissão, às relações interpessoais que se tecem nos tempos pós-laborais e a tudo o resto. Será que o mundo perfeito não existe porque está em construção demorada? Ou estamos no mundo perfeito que é possível ter no somatório das imperfeições naturais de cada um?
«O problema não está no obstáculo em si, mas na maneira como o vemos. É como quem vê televisão, basta mudar de canal…», dizia o Zé Carlos e rematava: «Mas, se a pessoa se mantiver no mesmo “canal de TV” mentalo canal da aversãoentão as mentes estarão em circuito direto, ligadas, intoxicando-se mutuamente, o que traz mal-estar e doença, pois o pensamento tem ação direta sobre o campo celular do corpo físico». Fazer dos que nos rodeiam no dia- a-dia modelos das nossas ideias à força de uma vontade com formato de chicote seria erro grave.
De resto, já no passado isso se repetiu com consequências que, em vez de resolverem, só complicaram a vida de muitos. Se renascemos com parentes difíceis poderá ter sido porque há laços, de outrora, a resgatar com eles, daí a animosidade. Podemos ver isso como uma guerra ou como uma oportunidade sublime de elevação interior. Estamos certos de que quem quiser conseguirá olhar para os familiares- Uma história das Arábias Um homem morreu.
Possuía 17 camelos e três filhos. Quando o seu testamento foi aberto, dizia que metade dos camelos seria do filho mais velho, um terço seria do segundo e um nono do terceiro. O que fazer? Eram 17 camelos; metade seria dada ao mais velho. Então um dos animais deveria ser cortado ao meio? Isso não iria resolver o problema, porque um terço deveria ser dado ao segundo filho. E a nona parte ao terceiro? É claro que os filhos correram em busca do homem mais erudito da cidade, o estudioso, o matemático.
Ele raciocinou muito e não conseguiu encontrar a soluçãomatemática é matemática. Alguém sugeriu: “É melhor procurarem alguém que saiba de camelos ao invés de matemática”. Foram então à cidade, onde encontraram um homem bastante idoso, academicamente inculto, porém sábio por experiência. Contaram- -lhe o problema. O velho riu e disse: “É muito simples, não se preocupem”. Emprestou um dos seus cameloseram agora 18 - e depois fez a divisão.
Nove foram dados ao primeiro filho, que ficou satisfeito. Ao segundo coube a terça parteseis camelos; e ao terceiro filho, foram dados dois camelosa nona parte. Sobrou um camelo: o que foi emprestado. O velho então recuperou o seu camelo e disse: “Agora podem ir”. Esta história consta do livro “Palavras de fogo”, de Rajneesh. Serve para ilustrar a diferença entre a sabedoria e a erudição. Ele conclui dizendo: “A sabedoria é prática, o que não acontece com a erudição.
A cultura é abstrata, a sabedoria é terrena; a erudição são palavras e a sabedoria é experiência”.
