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Capa da edição nº 52 do Jornal de Espiritismo

52Jornal de Espiritismo nº 52

Março 2012 · 20 secções · ≈ 65 min de leitura

A edição 52 do Jornal de Espiritismo aborda temas como o significado dos sonhos e a relação entre eles e a mente adormecida, a complexidade das relações familiares e como enfrentá-las sob a ótica espírita, e a diferença crucial entre sabedoria (experiência) e erudição (conhecimento abstrato), ilustrada por uma parábola. Inclui ainda uma seção de correio com respostas a leitores sobre fenómenos mediúnicos e a importância da sintonia mental para o bem-estar espiritual.

Sonhos
Relações Familiares
Espiritualidade
Médiuns
Sabedoria
Caridade

Capa

Página 14 min

52 ANOIX JDE JORNALDEESPIRITISMOMAIO . JUNHO . 2 0 1 2 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 O sono cria espaço a outro tipo de atividade mental – o sonho. Para uns este último não é mais do que o devaneio de uma mente adormecida, podendo desenhar no sono a libertação da censura social que leva a revelar anseios reprimidos. Para outros são retalhos mnemónicos da vida num plano etéreo.

Afinal, que se passa nesse mundo que visitamos todos os dias? 16 OPINIÃO Irmãos Muitos pais vivem angustiados devido à relação conflituosa entre os seus filhos. Perguntam se eles seriam inimigos de outras vidas... 17 LITERATURA O infinito e o finito 08 NOTÍCIA Ney Prieto Peres: o perispírito Com longa atividade no movimento espírita ministrou um seminário na cidade do Porto em março. A sala encolheu de tanta procura.

15 CRÓNICA Suicídio: a grande ilusão Na iminência de falência financeira, muitas vezes busca-se em vão o suicídio. Está visto que a vida continua além da morte do corpo. O livro da Editora Espírita Correio Fraterno do ABC, com 40 crónicas, contribui para resgatar do esquecimento algumas lições de Herculano 10 SOCIEDADE foto loucomotiv Sono e sonhos: viagens além do véu? Dizia um amigo, inspirado: «Certo dia estavam dois homens a olhar o mar.

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Editorial

Página 21 min

problema com um olhar de ternura, envolvê-los em carinho, aquele carinho que, à semelhança do diluente, vai retirando as manchas de tinta incómoda. A única coisa que ainda continua a variar é o modo como cada um o olha... e o vasto oceano, em qualquer parte do mundo, bem pode ser entendido como a própria vida. Pensar e sentir é dar e receber o que enviamos ao universo e que retorna, enriquecido do mesmo teor, à nossa própria estrutura espiritual.

Pensar melhor dos outros é valorizar-se a si próprio. Boa leitura! Olhar o mar ABRIL.MAIO 2012 FICHA TÉCNICA Jornal de Espiritismo Periódico Bimestral Director: Ulisses Lopes Editor: ADEP Redator: Jorge Gomes Maquetagem: Pedro Oliveira Fotografia: Loucomotiv e Arquivo Tiragem: 2000 Exemplares Registado no Instituto da Comunicação Social com o n.º 124325 Depósito Legal: 201396/03 Administração e Redacção ADEPRua do Espírito Santo, N.

º 38, Nogueira – 4710-144 BRAGA Assinaturas Jornal de Espiritismo Apartado 161 4711-910 BRAGA E-mail jornal@adeportugal.org Conselho de Administração Noémia Margarido, Isaías Sousa Publicidade Apartado 161 4711-910 BRAGA pub@adeportugal.org Propriedade Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal ADEP NIPC 504 605 860 Apartado 161 4711-910 Braga E-mail: adep@adeportugal.org http://www.adeportugal.org Impressão Oficinas de S.

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Correio

Página 35 min

As mensagens são milhentas e com frequência apresentam um denominador comum: pedido de palavras esclarecedoras que ajudem a enfrentar as situações cuja resolução parece realmente difícil de descortinar. Aleatoriamente escolhemos vários apelos. Em 26 de março Maria escreveu: «Boa tarde, tenho assistido na TVI (programa da Fátima Lopes) a vários casos sobre espiritismo, com a vossa intervenção ADEP. Gostaria de ir a uma consulta não sei como funciona e onde fica situada a ADEP.

Se me puderem esclarecer, agradeço». Resposta: «Olá Maria, o termo mais correto será ‘conversa em privado’ e não propriamente ‘consulta’. O espiritismo, ou doutrina espírita, é uma filosofia cristã que reproduz a vivência dos primeiros cristãos, que se aconselhavam uns com os outros. As associações espíritas oferecem, sempre gratuitamente e sem quaisquer compromissos, vários serviços, tais como as palestras públicas, os cursos, a evangelização infantil e juvenil, o passe espírita e o atendimento em privado.

Se desejar ir a uma associação espírita para falar das suas dúvidas ou problemas, queira sff procurar na nossa página: www.adeportu gal.org. Se preferir, pode dizer-nos em que região do país mora, e nós teremos todo o gosto em lhe indicar associações que fiquem perto de si. A ADEP tem a sua sede em Braga, mas os colaboradores da ADEP são também colaboradores de diversas associações espalhadas por todo o país. Disponha sempre!

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Breves

Página 42 min

Dias 28, 30 e 31 de março, dois elementos da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) realizaram trabalho de divulgação na ilha da Madeira, juntamente com os centros espíritas locais. A jornada correu bem e ficou a promessa de novas atividades. Aproveitando o ensejo de umas curtas férias da Páscoa, Amélia Reis e José Lucas estiveram a expensas próprias na Madeira, com familiares. Tendo sido convidados pelos dois centros espíritas locais, o Centro Cultural Espírita do Funchal e o Grupo Espírita Paz, Amélia Reis e José Lucas levaram a cabo interessante e oportuno intercâmbio com os madeirenses locais.

Com uma organização impecável dos dois centros madeirenses, numa clara demonstração de colaboração mútua na divulgação espírita, no dia 28 de março, pelas 20h00, decorreu uma conferência subordinada ao tema “A vida para além da morte”, proferida por José Lucas, na Escola B+S na Camacha, local onde jamais se falara publicamente sobre espiritismo. A organização a cargo do Prof. João José foi primorosa e mesmo os dirigentes espíritas locais ficaram surpreendidos pela adesão da população que se encontrava presente – cerca de 80 pessoas – onde se encontrava um jornalista.

No dia 30 de março, pelas 21h00, José Lucas repetiu a palestra, desta vez no Funchal, na sede do Centro Cultural Madeira: Espiritismo em debate Espírita do Funchal, numa organização conjunta dos dois centros espíritas locais. O salão encheu, ficando várias pessoas na rua. As cerca de 150 pessoas presentes interagiram com o palestrante, até às 23h00. Sábado, dia 31 de março, entre as 14h30 e as 17h00, decorreu um colóquio sobre “O Centro Espírita”, com José Lucas, desta vez apenas para os colaboradores dos centros espíritas.

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Breves (pág. 5)

Página 52 min

Pintura mediúnica Palestras em Aveiro A Associação Cultural Espírita Estrela de Aveiro promoveu as seguintes palestras em março: dia 5, José Santos do Centro Espírita Maria de Nazaré, de Águeda. Dia 12 foi a vez de Paulo Fonseca. Dia 19 ouviu-se Nélson Silva, Centro Cultural Espírita Mar de Esperança sobre “A Felicidade do Perdão”. Palestras em Ílhavo O Centro Cultural Espírita Mar de Esperança, de Ílhavo, em abril acolheu as seguintes palestras, cujo dia habitual é às quintas- feiras, pelas 21h00: dia 5 Francisco Curado, da ADEP, palestrou sobre “CRISE ECONÓMICA, OU CRISE DE VALORES?

“. Dia 12 Fernando Lobo, do Grupo de Estudos Espíritas Allan Kardec, Coimbra, falou de “Corpo e perispírito: fluidos”. Dia 19 Nelson A. Silva da associação anfitriã dissertou sobre “O Livro dos Espíritos“. Dia 26 Cândida Lopes da mesma associação falou da “Pedagogia de Jesus”. Esta associação sem fins lucrativos tem sede na Rua João de Deus, n.º 17 – Ílhavo. Espiritismo na TV A TVI, nomeadamente a produção do Programa “A tarde é sua”, da apresentadora Fátima Lopes, levou a cabo um programa subordinado ao tema “Curei-me com o espiritismo”, numa segunda-feira, dia 26 de março, às 16h00.

Em estúdio esteve um representante da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) que foi convidado para comentar os casos que apresentados. Como palestrar? Sábado, 24 de março teve início mais um grupo de estudo no Centro de Cultura Espírita, de Caldas da Rainha. Este curso versou sobre “COMO PALESTRAR” destinou-se a qualquer pessoa que desejasse aprender a falar em público. Com inscrições livres e gratuitas, este curso decorreu aos sábados, das 17h00 às 18h15, até 14 de abril.

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FEP Boletim FEP Federação edita livros infanto-juvenis A Federação Esp

Página 62 min

FEP Boletim FEP Federação edita livros infanto-juvenis A Federação Espírita Portuguesa acaba de editar o primeiro de 12 volumes de livros infanto-juvenis, sobre espiritismo. Da autoria da professora Manuela Vieira e de Graça Magalhães, com ilustração de Sara Ferreira, do Centro de Cultura Espírita do Funchal, Madeira, este 1.º volume intitulado “O que é Deus?”, destina-se a um público na casa dos 7 aos 8 anos de idade.

Feito em papel de qualidade, colorido, com ilustrações de qualidade e bastante apelativas, este volume leva os conceitos de Deus às crianças, de forma simples, clara, concisa e precisa. Com um texto agradável e escorreito, no fim podemos encontrar uma página de sinónimos, exercícios, sopa de letras, um teste de verificação, espaço para pintar e contornar, e outros exercícios criativos, bem como as soluções dos mesmos.

Com 30 páginas, num tamanho perto do A4, este livro pode ser adquirido na FEP pela módica quantia de seis euros. Uma novidade editorial em Portugal, em português, de qualidade, com uma metodologia pedagógica e espírita de assinalar, a merecer a atenção, divulgaçãoeo apoio de todos os espíritas, bem como os parabéns aos autores e à Federação Espírita Portuguesa, por tão feliz iniciativa. Por José Lucas Curso de capacitação Em 14 e 15 de abril a Federação Espírita Portuguesa promoveu no Centro Espírita Caminheiros da Luz, no Porto, um Curso de Capacitação de Trabalhadores.

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Crónica

Página 74 min

Cheirinho de férias Com um cheirinho de férias, este tempo já vai criando um preâmbulo para o descanso estival. Mas há quem regresse de férias mais cansado do que quando as começou. Depois de um ano de labor intenso pensar que se vai entrar de férias sabe bem, para a maior parte. Mas quem está muito envolvido com o seu trabalho não pensa assim, sobretudo quando mentalmente não se desliga o suficiente das preocupações supervenientes ou então quando sente o mesmo por outras razões, nomeadamente problemas familiares.

Em casos mais sérios, e não são poucos, procura-se trabalho há demasiado tempo para prover ao próprio sustento. Em qualquer dos casos, contudo, a lei do trabalho explica a necessidade que todos temos de estar ativos, no desempenho de iniciativas construtivas. Trabalho, para a doutrina espírita, é toda a atividade útil, independentemente da remuneração, que até pode nem existir. No movimento espírita não existe mesmo, é regra clara.

Se a necessidade de trabalhar se mantém em pauta, é porque nos proporciona exercícios dinâmicos de aprendizado em todas as frentes. Os problemas exercitam a inteligência e o relacionamento entre pessoas treina e aperfeiçoa as emoções, que frequentemente pedem equilíbrio. O labor supõe também repouso, entendendo-se este como um espaço que existe para recarregar energias, com vista a um regresso ao serviço em melhores condições.

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Notícia

Página 84 min

nossos valores”, refere. O orador dissertou também sobre as propriedades do perispírito. A evolução filogenética está documentada no perispírito, disse, ilustrando com a similitude de embriões dos seres vivos mais diversos, desde peixes a mamíferos. Na ótica de Ney o evolucionismo material não prescinde da acção modeladora do perispírito: “a ontogénese(1) recapitula a filogénese(2)”, disse. Seguiu com diversos exemplos documentados pela investigação, nomeadamente com casos de marcas de nascimento estudadas por uma das grandes referências mundiais na área, o professor doutor Ian Stevenson, psiquiatra e investigador norte-americano, cuja vida foi uma epopeia de registos científicos sugestivos da existência da reencarnação.

Seguiram-se as evidências experimentais do perispírito. Entre outras, referiu o método Simonton, com o qual se tratam há décadas nos EUA doentes cancerosos com resultados muito interessantes. Ney salientou que os estados depressivos em que cada um se possa demorar vão refletir desequilíbrios no perispírito. Afirmou também que será certo que as doenças antes de atingirem o corpo físico têm ponto de partida na tessitura diáfana do perispírito.

A medicina do futuro vai passar pelo perispírito. Ele age no núcleo da célula e todas as doenças degenerativas devem ter uma relação genética». Para finalizar, na agradável exposição audiovisual que durou a tarde toda, encerrou com uma referência histórica: já Jesus se referia ao perispírito quando fala da “túnica nupcial”. Se não tem isso presente, veja a parábola do festim de bodas (S. MATEUS, cap. XXII, vv. 1 a 14.)

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Notícia (pág. 9)

Página 94 min

foto ceca lhes queimou a cidade. Então, disse a seus servos: O festim das bodas está inteiramente preparado; mas, os que para ele foram chamados não eram dignos dele. Ide, pois, às encruzilhadas e chamai para as bodas todos quantos encontrardes. Os servos então saíram pelas ruas e trouxeram todos os que iam encontrando, bons e maus; a sala das bodas se encheu de pessoas que se puseram à mesa. Entrou, em seguida, o rei para ver os que estavam à mesa, e, dando com um homem que não vestia a túnica nupcial, disse-lhe: Meu amigo, como entraste aqui sem a túnica nupcial?

O homem guardou silêncio. Então, disse o rei à sua gente: Atai-lhe as mãos e os pés e lançai-o nas trevas exteriores: aí é que haverá prantos e ranger de dentes; porquanto, muitos há chamados, mas poucos escolhidos.» Perguntas e respostas Ainda houve tempo para indagações. Depois da pausa habitual José Maria pergunta: «Sobre a densidade do perispírito, é possível saber se, por exemplo, ele tem peso?». Ney Prieto Peres responde com o bom humor que o carateriza: «Há algumas experiências feitas com moribundos – não é o seu caso (risos) – antes e depois do desenlace.

E, se não me falha a memória, o perispírito tem peso, mais ou menos 200 gramas. Ele é semi-material. O corpo físico passa a pesar menos». Então percebe-se que «não é uma imaterialidade total». Depois Lígia Pinto pede confirmação: não sei se entendi bem o que falou. O que nos liga ao corpo físico é o perispírito, certo? E vai estar ligado ao corpo físico célula a célula. O material genético da célula está no meio, entre um e outro e, dependendo da forma como o espírito está a irradiar pelo pensamento, também controla o material genético.

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Sociedade

Página 105 min

Sono e sonhos: viagens além do véu? O sono cria espaço a outro tipo de atividade mental – o sonho. Para uns este último não é mais do que o devaneio de um indivíduo adormecido, podendo desenhar no sono a libertação da censura social que leva a revelar anseios reprimidos. Para outros são retalhos mnemónicos da vida num plano etéreo. Afinal, que se passa nesse mundo que visitamos todos os dias? A doutrina espírita, ou espiritismo, admite que os sonhos podem ser, com frequência, algum tipo de memória das experiências que o ser espiritual vive fora do seu corpo físico.

foto loucomotiv ABRIL.MAIO 2012 O sono possui várias fases que são e serão estudadas em laboratório. Independentemente disso, há uma certeza residente: ele é vital para a nossa saúde. Tanto assim é que a privação do sono acaba por matar. Há até uma doença genética rara que se costuma manifestar em adulto e que leva à partida deste plano material por progressivo esgotamento. Não se descortinou ainda uma cura. Durante esse período em que o cérebro do corpo físico atravessa estados alterados de consciência há um imprescindível reordenamento energético do organismo.

Ao acordar, lembramos, ou não, fragmentos dos pensamentos elaborados durante esse estado de adormecimento. Quando isso ocorre com alguém essa pessoa afirma ter tido um sonho. Além do véu A doutrina espírita, ou espiritismo, admite que os sonhos podem ser, com frequência, algum tipo de memória das experiências que o ser espiritual vive fora do seu corpo físico. Fora deste âmbito, há uma série de fenómenos que evidenciam que a consciência da personalidade humana pode sair do corpo físico e ter perceções visuais, auditivas, que não poderia ter fisicamente, e consegue em certas condições recordar-se dessas experiências.

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Sociedade Abril.maio

Página 111 min

SOCIEDADE ABRIL.MAIO 2012 Nessa noite ela sentiu-se a sair do corpo físico (experiência fora-do-corpo) e viu-se numa sala, no mundo espiritual, com uma marquesa ao centro, onde foi convidada a deitar-se.

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Opinião

Página 123 min

Médica e mediunidade no hospital A mediunidade (percepção extra-sensorial) é uma caraterística do ser humano, um sexto sentido que todos temos; nuns está a desabrochar, noutros está adormecido, e noutras pessoas está desenvolvido. Naturalmente é uma faculdade que, manifestando-se no organismo, é transversal a toda a sociedade, aparecendo em pessoas cultas e menos cultas, de qualquer raça, credo religioso, país, etc.

Assim acontece também com a classe médica, que cada vez mais se vai interessando pela mediunidade, pela imortalidade e comunicabilidade dos espíritos, não só devido aos episódios vivenciados pelos seus doentes, como também pelas vivências que os próprios médicos vêm tendo. Existem inclusive associações de médicos espíritas que visam estudar o ser humano na sua vertente holística. Situemo-nos num hospital algarvio, em outubro de 2011.

Rita (médium vidente e colaboradora de um centro espírita, nas suas horas vagas e gratuitamente) descobriu que estava grávida. Da alegria veio o choque de um aborto espontâneo. É hospitalizada a fim de fazer uma raspagem ao útero. No hospital, viu um espírito, médico, completamente equipado com as vestes de um cirurgião, soprando ao ouvido da enfermeira que a estava a tratar, para que ela induzisse a médica terrena a sair e ir jantar, deixando o resto do tratamento para o dia seguinte.

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Crónica (pág. 13)

Página 132 min

E o portador excelso da graça e da verdade, a seu tempo explicaria como a lei mosaica já continha, velado, o grande princípio do amor, que exaltou como o maior de todos os mandamentos: amarmos a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos. O modesto patamar evolutivo em que transitava a Humanidade, ao tempo de Moisés, exigia que a “lei de Deus” fosse expressa ao alcance do reduzido entendimento de então.

Assim, a letra do decálogo adotou mais a forma de proibição explícita de certas práticas ancestrais (“não porás deuses diante de mim, não matarás, não furtarás”, etc) do que a de ordenações positivas; não enuncia abertamente a unidade e infinitude de Deus nem a lei essencial do seu amor, intrínseca à natureza de toda a Criação. Essas noções, porém, com toda a sua profundeza, subjazem ao texto mosaico, embora pouco acessíveis, então, ao discernimento do povo.

Com efeito, quem adorasse a Deus com sincero amor, por certo amaria o próximo; e quem de facto amasse o próximo, não o mataria, roubaria, caluniaria, etc. O divino amigo, mais do que descodificar a letra da lei e propor-nos o grande mandamento implícito nela, veio ensinar-nos como vivê-lo e nos sintonizarmos conscientemente à harmonia cósmica da Criação. O “grande mandamento” é muito mais do que um mandamento, pois o amor não se decreta, não brota no coração por uma ordem imperativa: mas, omnipresente em todas as faixas do universo, também se encontra em germe no nosso íntimo, aguardando o nosso despertar evolutivo para a sua realidade e a atenção indispensável para que germine e floresça.

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Opinião (pág. 14)

Página 144 min

Para todo o cristão, a época da Páscoa desperta no seu íntimo uma mescla de sentimentos. Perante as vicissitudes da vida terrena, viaja-se desde os jardins da esperança reavivada pelo testemunho da vida eterna dado pelo Cristo, até aos cenários obscuros e incompreensíveis da trama condenatória do Justo em Jerusalém. A sequência dramática dos últimos momentos do Cristo, marca a humanidade até aos dias de hoje.

Os instantes são diversos e carecem de análise cuidada, dado que uma pesquisa um pouco mais atenta revela o gesto de esperança em todos eles. Analisemos o primeiro de todos: A entrada triunfal em Jerusalém. O episódio da entrada de Jesus na cidade de Jerusalém não foi consensualmente “arrumado” nos textos evangélicos. Alguns atribuem a narrativa constante nas versões dos textos canónicos como referente a uma qualquer entrada do Cristo na cidade e não forçosamente a efetuada na véspera da sua crucificação.

Os textos podem ser encontrados em Mateus: 21; 1-11, Marcos: 11; 1-10 e Lucas: 19; 29-38, e sem grandes diferenças entre eles percebe-se a intenção do Messias em cumprir o que estava consagrado nas escrituras, entrando montado num jumento na cidade. O ambiente que o acolhe, porém, era particular sendo que, se dúvidas existissem das narrativas dos evangelhos canónicos, Amélia Rodrigues esclarece que estávamos nos “...

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Crónica (pág. 15)

Página 153 min

Quando Allan Kardec (respeitado sábio francês do século XIX) pesquisou e compilou os fenómenos espíritas, apresentou as suas pesquisas sob a forma de cinco livros (O Livro dos Espíritos, O Evangelho Segundo o Espiritismo, A Génese, O Céueo Inferno e O Livro dos Médiuns). Até então, acreditava-se ou não na imortalidade do Espírito conforme a religião que se professasse. A partir das pesquisas espíritas, Allan Kardec demonstrou experimentalmente a imortalidade do Espírito, com tantas provas, que seria aqui impossível enumerá-las, quanto mais abranger toda a sua pesquisa.

A partir do lançamento de “O Livro dos Espíritos”, em 1857, em Paris, França, deixou de ser necessário acreditar na vida além da morte, pois já havia toda uma metodologia científica que provava essa realidade. Qualquer pesquisador, nacional ou estrangeiro, espírita ou não, crente ou não, que experimente, usando a metodologia espírita que está inserida em “O Livro dos Médiuns”, chega inevitavelmente aos mesmos resultados, demonstrando assim a universalidade dos ensinos dos Espíritos, bem como a realidade da imortalidade do ser.

Perante tais descobertas, os espíritas, a nível mundial, têm-se desdobrado em campanhas pela vida, seja na luta contra o aborto, eutanásia, entre outras, seja contra o suicídio. O Espiritismo, demonstrando a imortalidade do Espírito, mostra-nos que o ser humano que se suicida, apenas se liberta violentamente do corpo de carne, como quem tira a roupa ao deitar, para ir dormir, sem se despersonalizar. A grande desilusão do suicida é, ao ver-se fora do corpo de carne, ao sentir-se vivo, verifica que afinal o seu acto não o conduziu à morte desejada, mas apenas a uma mudança de plano existencial.

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Opinião (pág. 16)

Página 168 min

Irmãos: parceiros inseparáveis ou rivais sem remédio? O espiritismo é uma doutrina que surgiu em meados do século XIX através do trabalho de Allan Kadec. Hoje, com expressão em diversos países de vários continentes, inspira um movimento de pessoas que simpatizam com este ideal e desenvolvem diversas iniciativas fraternas. Mais do que saber o que eles foram, é importante compreender aquilo em que se poderão tornar.

Quando um novo Espírito está para chegar à família, normalmente os pais sentam o irmão de tenra idade num banco de jardim mesmo em frente ao lago dos patinhos amarelos, e explicam-lhe com delicadeza que dentro daquela enorme barriga que a mãe exibe orgulhosa, está o futuro companheiro de brincadeiras com quem ele irá partilhar muitas alegrias durante a sua vida. “Vai ser o teu melhor amigo!”, diz-lhe o pai, procurando convencer o petiz das vantagens da experiência que se avizinha.

Mas quando o irmão nasce, o entusiasmo logo desaparece: aquele amigo não joga à bola, não sabe andar de bicicleta, nem sequer comunica com clareza; para além disso é impaciente, chora de forma compulsiva, não há comida que o sacie e suja as fraldas com uma frequência que impressiona. Se isto não bastasse, a atenção dos pais fica centrada naquele pequeno manipulador, deixando o jovem iludido roendo-se de ciúmes: “Olha mãe, já não quero nenhum irmão.

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Cinema / Literatura

Página 173 min

CINEMA / LITERATURA O Infinito e o Finito O livro editado pela Editora Espírita Correio Fraterno do ABC, em Dezembro de 1983, constituído por 40 crónicas, verdadeiros estudos doutrinários, contribui para resgatar do esquecimento algumas lições do emérito professor José Herculano Pires. Grande parte destes estudos, assinados com o pseudónimo de Irmão Saulo, foi publicada no extinto Diário de São Paulo. Este pequeno livro, de apenas 119 páginas, tem a apresentação de Helena Carvalho, admiradora e estudiosa da sua obra, que nos diz: «Para Herculano, ficava explícito que o Espiritismo e os seus problemas ─ no plano da cultura espiritual, com O Livro dos Espíritos saíam do terreno da abstração para se tornarem acessíveis à investigação racional e até mesmo à pesquisa experimental.

» E que, «aquele que deseja reforçar os seus conhecimentos kardequianos após constante estudo das fontes, encontra posteriormente, em Herculano, o destrinçar de cada assunto no enfoque do mundo dos nossos dias.» Pois, Herculano constitui a «chave para compreendermos em profundidade, os textos de Allan Kardec.» Cada uma das crónicas encerra conhecimentos que a grande maioria de nós, espíritas, desconhece ou interpreta de forma diferente do que pretendiam os Espíritos e Allan Kardec, na Codificação.

O notável professor contribuiu, de forma convincente, para distinguirmos o que é Espiritismo do que é opinião pessoal, vergastando a ignorância atrevida e petulante que desprestigia a Doutrina, levando muitas pessoas a atribuir ao Espiritismo as coisas mais caricatas e absurdas. Recordamos que Herculano Pires foi considerado o maior defensor da pureza doutrinária que o movimento espírita planetário conheceu. Tinha plena consciência de que as grandes verdades ao contacto da Humanidade, como nos disse Léon Denis, em pouco tempo, são desvirtuadas, adulteradas e mutiladas, para servirem a interesses pessoais.

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Afinidades

Página 186 min

WWW Como conheceu o espiritismo? Jairo Araújo – Tenho uma irmã que desde a sua infância dava sinais de ter mediunidade através de visões das coisas que iriam acontecer e foi a primeira pessoa na família que começou a frequentar uma casa espírita. Sou protestante de baptismo, católico de primeira comunhão e crisma. Com a morte do meu pai, comecei a frequentar uma casa espírita na cidade de São Paulo-Brasil, mas depois emigrei para Portugal, onde dois anos após de estar em terras lusitanas, conheci esta associação nas Caldas da Rainha e até hoje a frequento e espero frequentar por muito mais tempo...

O Espiritismo modificou a sua vida? Jairo Araújo – Sim. A doutrina espírita modifica todas as pessoas que a conhecem, mas é difícil aceitar estas mudanças, pois chocam com os nossos hábitos e vícios. Por outro lado, ela nos prepara melhor para as dificuldades da vida e nos consola nos momentos menos bons que possamos passar ao longa da nossa jornada aqui na Terra. Sinto-me um privilegiado por conhecer esta doutrina tão maravilhosa.

Que livro espírita anda a ler neste momento? Jairo Araújo – Estou a ler neste momento “Os Missionários da Luz” da coleção de André Luiz, todos eles livros maravilhosos que nos ensinam muito sobre a realidade do mundo espiritual. Como conheceu o Espiritismo? Rui Pinheiro – Numa altura da vida em que procurava saber do “porquê eu?”, “porquê comigo?”, o “porquê da vida?”, nada me dava as respostas. Lembrei-me na altura que, quando andei a estudar, tinha tido uma professora que era dirigente dum centro espirita.

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Passatempos

Página 193 min

O casamento constitui um dos primeiros actos de progresso nas sociedades humanas, porque estabelece a solidariedade fraterna e encontra-se em todos os povos, embora nas mais diversas condições? O jornalista brasileiro José Luís Datena em artigo publicado no Jornal de São Paulo de 27-1-2011, atribui a Francisco Cândido Xavier a cura de seu filho Vicente, que foi viciado em droga durante seis anos? Ouvir vozes e ver Espíritos não é motivo para tomar remédios porque não é doença?

Divaldo Franco recebeu no final do ano passado, em reunião especializada na Sede do Ministério Público da Baía, a Medalha de Mérito pelos serviços prestados à comunidade Baiana e Brasileira? O Espiritismo é divulgado na Guatemala sob o nome de «Heliosophia» pois em 1940, altura em que a Doutrina chegou àquele país, as leis da época proibiam o uso do seu nome verdadeiro? ABRIL.MAIO 2012 A ACONTECER XVI CONCESP O evento terá como tema central “A EVOLUÇÃO” e irá realizar-se na sede da Associação Espiritualista de Viseu, na Rua Allan Kardec, nº 1, em Viseu, entre as 9H30 e as 17H00 de 3 junho.

Os participantes não terão de fazer qualquer preparação. Todavia, como todos irão participar, crianças, evangelizadores e pais, a Comissão Organizadora pede às instituições que enviem as suas inscrições até ao dia 15 de abril, incluindo todos os participantes. Jornadas Espíritas de Lisboa Este evento realiza-se no Centro Espírita Perdão e Caridade, na Rua Presidente Arriaga, n.º 124 em Lisboa, em 27 de maio, domingo, a partir das 9h30.

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