Notícia
Jornal de Espiritismo nº 52 · Março 2012Página 84 min
nossos valores”, refere. O orador dissertou também sobre as propriedades do perispírito. A evolução filogenética está documentada no perispírito, disse, ilustrando com a similitude de embriões dos seres vivos mais diversos, desde peixes a mamíferos. Na ótica de Ney o evolucionismo material não prescinde da acção modeladora do perispírito: “a ontogénese(1) recapitula a filogénese(2)”, disse. Seguiu com diversos exemplos documentados pela investigação, nomeadamente com casos de marcas de nascimento estudadas por uma das grandes referências mundiais na área, o professor doutor Ian Stevenson, psiquiatra e investigador norte-americano, cuja vida foi uma epopeia de registos científicos sugestivos da existência da reencarnação.
Seguiram-se as evidências experimentais do perispírito. Entre outras, referiu o método Simonton, com o qual se tratam há décadas nos EUA doentes cancerosos com resultados muito interessantes. Ney salientou que os estados depressivos em que cada um se possa demorar vão refletir desequilíbrios no perispírito. Afirmou também que será certo que as doenças antes de atingirem o corpo físico têm ponto de partida na tessitura diáfana do perispírito.
A medicina do futuro vai passar pelo perispírito. Ele age no núcleo da célula e todas as doenças degenerativas devem ter uma relação genética». Para finalizar, na agradável exposição audiovisual que durou a tarde toda, encerrou com uma referência histórica: já Jesus se referia ao perispírito quando fala da “túnica nupcial”. Se não tem isso presente, veja a parábola do festim de bodas (S. MATEUS, cap. XXII, vv. 1 a 14.)
: «Falando ainda por parábolas, disse-lhes Jesus: O reino dos céus se assemelha a um rei que, querendo festejar as bodas de seu filho, despachou os seus servos a chamar para as bodas os que tinham sido convidados; estes, porém, recusaram ir. O rei despachou outros servos com ordem de dizer da sua parte aos convidados: Preparei o meu jantar; mandei matar os meus bois e todos os meus cevados; tudo está pronto; vinde às bodas.
Eles, porém, sem se incomodarem com isso, lá se foram, um para a sua casa de campo, outro para o seu negócio. Os outros pegaram dos servos e os mataram, depois de lhes haverem feito muitos ultrajes. Sabendo disso, o rei se tomou de cólera e, mandando contra eles seus exércitos, exterminou os assassinos e Ney Prieto Peres: o perispírito Ney Prieto Peres, conhecido investigador com longa atividade no movimento espírita brasileiro, concretamente na região de São Paulo, Brasil, ministrou um seminário na cidade do Porto na tarde do dia 31 de março.
A sala encolheu de tanta procura. Ney Prieto Peres interessou-se pelo espiritismo desde jovem. Engenheiro civil, foi consultor industrial, engenheiro de segurança no trabalho, administrador de empresas. Hoje está reformado. Nos seus tempos pós-profissionais, foi fundador, com Hernâni Guimarães Andrade, do Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas, sendo antes também diretor de estudos da União das Mocidades Espíritas de São Paulo, bem como vice-presidente e diretor de Departamento da Federação Espírita do Estado de São Paulo, fundador da Aliança Espírita Evangélica, diretor de pesquisa da Associação Médico-Espírita do Estado de São Paulo e fundador e co-diretor de investigação do Instituto Nacional de Pesquisa e Terapia Vivencial Peres.
Ney é também escritor conhecido. O “Manual prático do espírita” é uma das mais procuradas e visa a auto-melhoria de quem o lê. Na sua passagem por Portugal deu uma conferência no Centro Espírita Caridade por Amor sobre o perispírito, forma típica que Allan Kardec, o codificador do espiritismo, criou para designar o corpo espiritual. Curiosamente, esse mesmo dia 31 de março marca a data da desencarnação (falecimento) de Kardec.
O insigne investigador francês de meados do século XIX partiu com 64 anos, estando portanto passados agora 143 anos. Ele criou a palavra perispírito para dar ideia de envoltório espiritual do espírito que é cada ser humano. Procurou na tessitura das sementes a ideia, conforme se regista em “O Livro dos Espíritos”: “93. O Espírito, propriamente dito, nenhuma cobertura tem, ou, como pretendem alguns, está sempre envolto numa substância qualquer?
”. Resposta: “Envolve-o uma substância, vaporosa para os teus olhos, mas ainda bastante grosseira para nós; assaz vaporosa, entretanto, para poder elevar- se na atmosfera e transportar- -se aonde queira.” E comenta ainda Allan Kardec: “Envolvendo o gérmen de um fruto, há o perisperma; do mesmo modo, uma substância que, por comparação, se pode chamar perispírito, serve de envoltório ao Espírito propriamente dito.” Entretanto, Ney com o vasto apreço pelo assunto, ilustra a diversidade de autores que na história aborda o tema de vários ângulos.
Fala de Rupert Sheldrake com a sua teoria dos campos morfogenéticos, do corpo bioplásmico de Grischenko e de Iriushin que concebiam um quarto estado da matéria nos seres vivos. Evidencia o trabalho de Harold Saxton Burr e, entre outros, de Danah Zohar e o seu ser quântico. A dado momento deixa no ar uma frase vinda da voz do seu amigo, já desencarnado, Hernâni Guimarães Andrade: “Somos causa e efeito de um historial que vimos construindo há milénios”.
Aqui e ali vêm apontamentos sobre as preocupações da época que se atravessa, numa perspetiva otimista: “A crise vem para verificarmos a qualidade dos foto ceca ABRIL.
