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Crónica (pág. 13)

Jornal de Espiritismo nº 52 · Março 2012Página 132 min

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E o portador excelso da graça e da verdade, a seu tempo explicaria como a lei mosaica já continha, velado, o grande princípio do amor, que exaltou como o maior de todos os mandamentos: amarmos a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos. O modesto patamar evolutivo em que transitava a Humanidade, ao tempo de Moisés, exigia que a “lei de Deus” fosse expressa ao alcance do reduzido entendimento de então.

Assim, a letra do decálogo adotou mais a forma de proibição explícita de certas práticas ancestrais (“não porás deuses diante de mim, não matarás, não furtarás”, etc) do que a de ordenações positivas; não enuncia abertamente a unidade e infinitude de Deus nem a lei essencial do seu amor, intrínseca à natureza de toda a Criação. Essas noções, porém, com toda a sua profundeza, subjazem ao texto mosaico, embora pouco acessíveis, então, ao discernimento do povo.

Com efeito, quem adorasse a Deus com sincero amor, por certo amaria o próximo; e quem de facto amasse o próximo, não o mataria, roubaria, caluniaria, etc. O divino amigo, mais do que descodificar a letra da lei e propor-nos o grande mandamento implícito nela, veio ensinar-nos como vivê-lo e nos sintonizarmos conscientemente à harmonia cósmica da Criação. O “grande mandamento” é muito mais do que um mandamento, pois o amor não se decreta, não brota no coração por uma ordem imperativa: mas, omnipresente em todas as faixas do universo, também se encontra em germe no nosso íntimo, aguardando o nosso despertar evolutivo para a sua realidade e a atenção indispensável para que germine e floresça.

Conjuntamente com a prática do bem, o hábito regular da meditação, de olharmos para o nosso espaço interior, desde sempre se tem mostrado uma via excelente para o autoconhecimento e inerente aperfeiçoamento moral. O divino amigo, mais do que descodificar a letra da lei e propor-nos o grande mandamento implícito nela, veio ensinar-nos como vivê-lo e nos sintonizarmos conscientemente à harmonia cósmica da Criação. “O reino de Deus está dentro de vós”, advertiu Jesus, lembrando que no nosso espaço interior podemos encontrar tesouros de equilíbrio e harmonia, de inspiração, de criatividade: nossas fontes de autoestima, de apreço e amor por valores inalienáveis, intrínsecos ao nosso próprio ser, imagem e semelhança do Criador (de modo nenhum se confunda isso com narcisismo, ou o afagar do egoísmo e caprichos da nossa personalidade; estes, assim, passam antes a ter um agente disciplinador, atento e lúcido).

Descobrir e amar os nossos tesouros íntimos, faz pressenti-los também nos “outros”, cônscios ou não dos seus próprios, e induz-nos com naturalidade ao apreço e amor por eles. Amarmos a NÓS mesmos (não ao nosso ego falaz, superficial), sendo condição fundamental para amarmos o próximo, leva-nos ao aprofundamento de consciência do próprio ser, cuja raiz mergulha no Ser supremo, perfeição infinita. Este é Pai, é amor – assim proclamou à Humanidade o Bom Pastor, e recomendou: sede pois perfeitos, como perfeito é o vosso Pai que está nos céus.

Por João Xavier de Almeida foto loucomotiv O mandamento maior Discorrendo sobre o nascimento de Jesus, anota o evangelho de João no seu primeiro capítulo: se a lei nos foi dada por intermédio de Moisés, com Jesus veio a graçaea verdade. ABRIL.