Opinião
Jornal de Espiritismo nº 52 · Março 2012Página 123 min
Médica e mediunidade no hospital A mediunidade (percepção extra-sensorial) é uma caraterística do ser humano, um sexto sentido que todos temos; nuns está a desabrochar, noutros está adormecido, e noutras pessoas está desenvolvido. Naturalmente é uma faculdade que, manifestando-se no organismo, é transversal a toda a sociedade, aparecendo em pessoas cultas e menos cultas, de qualquer raça, credo religioso, país, etc.
Assim acontece também com a classe médica, que cada vez mais se vai interessando pela mediunidade, pela imortalidade e comunicabilidade dos espíritos, não só devido aos episódios vivenciados pelos seus doentes, como também pelas vivências que os próprios médicos vêm tendo. Existem inclusive associações de médicos espíritas que visam estudar o ser humano na sua vertente holística. Situemo-nos num hospital algarvio, em outubro de 2011.
Rita (médium vidente e colaboradora de um centro espírita, nas suas horas vagas e gratuitamente) descobriu que estava grávida. Da alegria veio o choque de um aborto espontâneo. É hospitalizada a fim de fazer uma raspagem ao útero. No hospital, viu um espírito, médico, completamente equipado com as vestes de um cirurgião, soprando ao ouvido da enfermeira que a estava a tratar, para que ela induzisse a médica terrena a sair e ir jantar, deixando o resto do tratamento para o dia seguinte.
A médica aceitou a ideia da enfermeira e ausentou-se. Rita ficou sozinha no quarto do hospital. Nessa noite ela sentiu-se a sair do corpo físico (experiência fora-do-corpo) e viu-se numa sala, no mundo espiritual, com uma marquesa ao centro, onde foi convidada a deitar-se. À sua volta estavam vários médicos do mundo espiritual (espíritos), assim como enfermeiras (espíritos). Rita reconheceu o Dr. Paulo, um médico que já está no mundo espiritual (espírito) e que a auxilia nos seus trabalhos mediúnicos no centro espírita onde colabora gratuitamente, na Terra.
Foi submetida a um tratamento (no mundo espiritual) com tons de vários matizes, tendo sido equilibrados os seus centros de força espirituais (chacras), e possivelmente terá sido anestesiada para lhe retirarem a placenta que ainda não tinha saído. No dia seguinte, a médica queria continuar o tratamento, para retirar os restos da placenta, e qual não foi o seu espanto quando não encontrou nada do que devia estar ainda no útero!
Os restos da placenta a retirar tinham desaparecido. Rita, interrogada, humanamente, não soube explicar o que sucedeu, mas espiritualmente sabia que no mundo espiritual, os amigos espirituais devem ter desmaterializado a placenta, pois ela desapareceu totalmente. Lembra-se do seu desdobramento ao mundo espiritual, mas não se recorda do regresso ao quarto e à cama do hospital. Deduziu, no entanto, o que lhe aconteceu.
Quanto à médica, ainda hoje continua muito confusa, sem saber o que aconteceu à placenta, que de um momento para o outro, desapareceu. Como o assunto estava resolvido, endossou a doente para uma outra médica, a fim de se dar seguimento ao processo clínico até ao momento da alta hospitalar. A médica que a recebeu, ao ver Rita, ficou espantada, pois ao lado da doente estava um ser espiritual, de bata branca que a cumprimentava: “Olá colega”.
Perante o inusitado da situação e apercebendo-se do mesmo, Rita disse que também era vidente e espírita, tendo a referida médica dito o mesmo, que também era espírita e estudava o espiritismo, tendo terminado com esta expressão: “Ah! Agora compreendo porque a minha colega estava tão confusa com o seu caso...”. Resta-nos a esperança de que cada vez mais médicos venham a estudar os livros de Allan Kardec, que compõem a obra básica da doutrina espírita, juntando-se assim aos já muitos médicos que, conhecendo o espiritismo, olham para os seus doentes como um ser integral (espírito e corpo) e não apenas como um amontoado de células carnais.
