Crónica (pág. 15)
Jornal de Espiritismo nº 52 · Março 2012Página 153 min
Quando Allan Kardec (respeitado sábio francês do século XIX) pesquisou e compilou os fenómenos espíritas, apresentou as suas pesquisas sob a forma de cinco livros (O Livro dos Espíritos, O Evangelho Segundo o Espiritismo, A Génese, O Céueo Inferno e O Livro dos Médiuns). Até então, acreditava-se ou não na imortalidade do Espírito conforme a religião que se professasse. A partir das pesquisas espíritas, Allan Kardec demonstrou experimentalmente a imortalidade do Espírito, com tantas provas, que seria aqui impossível enumerá-las, quanto mais abranger toda a sua pesquisa.
A partir do lançamento de “O Livro dos Espíritos”, em 1857, em Paris, França, deixou de ser necessário acreditar na vida além da morte, pois já havia toda uma metodologia científica que provava essa realidade. Qualquer pesquisador, nacional ou estrangeiro, espírita ou não, crente ou não, que experimente, usando a metodologia espírita que está inserida em “O Livro dos Médiuns”, chega inevitavelmente aos mesmos resultados, demonstrando assim a universalidade dos ensinos dos Espíritos, bem como a realidade da imortalidade do ser.
Perante tais descobertas, os espíritas, a nível mundial, têm-se desdobrado em campanhas pela vida, seja na luta contra o aborto, eutanásia, entre outras, seja contra o suicídio. O Espiritismo, demonstrando a imortalidade do Espírito, mostra-nos que o ser humano que se suicida, apenas se liberta violentamente do corpo de carne, como quem tira a roupa ao deitar, para ir dormir, sem se despersonalizar. A grande desilusão do suicida é, ao ver-se fora do corpo de carne, ao sentir-se vivo, verifica que afinal o seu acto não o conduziu à morte desejada, mas apenas a uma mudança de plano existencial.
Mantém no seu íntimo o problema que o levou ao ato tresloucado de terminar com a vida do corpo físico, acrescido da frustração de não ter morrido, para além de ouvir todos os comentários tecidos a seu respeito, bem como os apelos desesperados dos seus familiares que sentem a sua falta. Dizem os espíritos, não só no livro “O Céueo Inferno”, mas também nas comunicações espíritas diariamente nos centros espíritas, que na Terra não há palavras para descrever os sofrimentos atrozes que padecem os suicidas (leia-se o livro “Memórias de um Suicida”, de Camilo Castelo Branco (espírito) através da médium Yvone Amaral Pereira), bem como que muitas vezes reencarnam na vida seguinte, com mazelas corporais derivadas da destruição celular no corpo espiritual, ocorrida durante o ato do suicídio, corSuicídio: a grande ilusão po espiritual esse que servirá de molde energético para a futura reencarnação.
Com a doutrina espírita (ou espiritismo) aprendemos que vale a pena viver, passemos pelas dificuldades que passarmos, na certeza de que Deus na sua bondade infinita, não permitiria que passássemos por provas ou expiações superiores às nossas capacidades psíquicas. Os bons espíritos sempre nos estimulam à paciência, a confiar na providência divina que nunca nos falha, à oração diária e sentida, às leituras edificantes, à meditação, ao recurso ao centro espírita onde a pessoa tem auxílio espiritual, sem descurar, obviamente, eventual apoio médico especializado, se for caso disso.
“Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a lei” é uma frase de autor desconhecido, que foi colocada no dólmen de Allan Kardec, no cemitério Pére La Chaise, em Paris, e que demonstra bem que, aconteça o que acontecer na nossa vida, podemos e devemos lutar por sair da dificuldade, mas que o suicídio é a única opção que não faz sentido, já que hoje está provado à saciedade, que a vida continua após a morte do corpo físico.
Por José Lucas jcmlucas@gmail.com Se o desânimo Te visita, malgrado, Tem atenção e diz Suicídio? Não, obrigado! Se a tristeza Te invade de enfado Fica alerta e diz Suicídio? Não, obrigado! Se a revolta te envolve E se mantém ao teu lado Lê, ora e diz Suicídio? Não, obrigado! Se a dificuldade te agasalha Em ambiente desregrado Quando não vires saída, diz Suicídio? Não, obrigado! O Espiritismo nos ensina Que a vida é um legado Aproveita-a bem e diz Suicídio?
Não, obrigado! Por isso, amigo, Anima-te em qualquer lado Confia em Deus e diz Suicídio? Não, obrigado! foto loucomotiv Um dia partirás Para o mundo desejado Onde a fraternidade t’espera Suicídio? Não, obrigado! Texto ditado pelo espírito Poeta alegre, escrito pela mediunidade de psicografia, por JC, durante a palestra sobre o suicídio, no Centro de Cultura Espírita, Caldas da Rainha, em 17 de fevereiro de 2012 Suicídio?
