Breves
Jornal de Espiritismo nº 53 · Abril 2012Página 610 min
Jornadas Espíritas de Lisboa O Centro Espírita Perdão e Caridade realizou as suas 22.ªs Jornadas Espíritas de Lisboa em 27 de maio subordinadas ao tema “Esiritismo para todos”. Estas Jornadas são das mais antigas realizadas em território nacional onde a qualidade dos trabalhos apresentados é levada muito a sério, ou não fosse da querida e amada doutrina espírita de que estamos a falar. A recepção aos convidados iniciou-se pelas 9h30 e estiveram presentes, para além dos trabalhadores da casa, várias instituições espíritas da Região de Lisboa e, sem querer esquecer ninguém, mencionamos a ABF, Fernando Lacerda, Casa do Caminho, FEC e Euripedes Barsanulfo.
A Federação Espírita Portuguesa fez-se representar pelo seu presidente, Vítor Féria, a União Espírita da Região de Lisboa por Rui Marta e o CEPC pelo seu presidente, Augusto Carona. O tema da manhã foi apresentado em conjunto pelo jovem Paulo Marinheiro e pelo sénior Manuel Rocha, ambos estudantes da casa. “A Génese” de Allan Kardec, nomeadamente a teoria da criação da Terra foi analisada à luz da ciência, estabelecendo-se uma ponte que deve ser estreitada e solidificar.
Citando Kardec, devemos acompanhar a ciência, sem nos determos onde ela termina, continuando além, esperando que o tempo venha falar por si. Abordou-se ainda a necessidade de desmistificar os “milagres”, tema que também configura este livro, pois tudo faz parte de leis naturais que apenas são desconhecidas e é preciso trazê-las para a luz da realidade objetiva, explicada pelo Espiritismo. A importância de revelação espírita e a sua universalidade, a necessidade do progresso que é uma lei de Deus, foram temas que nos fizeram refletir no porquê da vida e que tiveram um final delicioso com um poema de Leon Felipe intitulado “O salto”.
Após um intervalo onde todos tivemos oportunidade de beber um cafezinho e um bolinho tão amavelmente trazidos pelos trabalhadores de boa vontade, fomos presenteados pelo Jogral Espírita de Lisboa que mais uma vez nos emocionou e elevou a outras esferas. Da parte da tarde as atividades tiveram início às 14h30, com um convidado, Renet Marcel, do A.C.E.F.L., que nos guiou através deste “A Caminho da Luz”, de Emmanuel. Começa por nos recolocar como cidadãos da Humanidade, assim como Sócrates o fez : “...
Eu não sou ateniense, nem grego, mas sim cidadão do Mundo...”. E neste contexto, conta-nos uma história. Neste caso – Emmanuel conta-nos a nossa história como humanidade que evolui em conjunto e com um objetivo. Renet encerrou com um pequeno filme - “Pálido ponto azul” - que nos coloca bem no nosso lugarzinho no universo imenso, com um trabalho gigantesco por executar mas porém nunca sozinhos. Após um debate com todos os intervenientes, seguido de perguntas e respostas, o evento encerrou pelas 16h30, não sem antes relembrarmos alguém muito querido, que pela primeira vez não pôde estar presente (pelo menos fisicamente): Lícinio Henriques, que desencarnou no passado dia 25 de abril.
Por M. Elisa Viegas www.adeportugal.org curso básico de espiritismo on-line em Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal JULHO.AGOSTO 2012 Encontro da criança espírita O encontro da criança espíritaXVI CONCESPdecorreu em 3 de junho em Viseu, organizado pela Associação Social Cultural Espiritualista dessa cidade do interior. O evento teve como tema central “A evolução. Puderam participar «os pais das crianças e os evangelizadores», informam.
Cultural Espírita Mar de Esperança sobre “A Felicidade do Perdão”. Encontro Espírita do Algarve Em 13 de maio teve lugar o III Encontro Espírita do Algarve, em Olhão no auditório do Real Marina Hotel. O tema foi «A Casa Espírita na sociedade actual». É já pelo terceiro ano consecutivo que este evento se realiza. O «balanço que fazemos é muito positivo, pois temos conseguido alcançar os objetivos que nos motivaram a avançar com esta ideia, nomeadamente, organizar um evento que tivesse por um lado a capacidade de mobilizar não só, os habitantes espíritas e não espíritas da região, mas também o de motivar simpatizantes e curiosos de outras paragens a virem até ao Algarve assistirem e a contribuírem, com a sua presença e colaboração, para que a doutrina espírita possa ser ainda mais divulgada».
Os três expositores convidados foram Hugo Guinote, da Associação Espírita Eurípedes Barsanulfo, de Lisboa, Maria Emília Barros, da Federação Espírita Portuguesa (Departamento Infanto-juvenil) e Nuno Cruz, da Casa do Caminho, de Lisboa.associação sem fins lucrativos tem sede na Rua João de Deus, n.º 17 – Ílhavo. AssociaçãoCultural EspíritaEstreladeAveiro Divaldinho Matos esteve presente na Associação Cultural Espírita Estrela de Aveiro, no passado dia 1 de junho, onde realizou uma palestra sobre a «Consciencialização do Ser».
Durante cerca de uma hora o palestrante despertou a atenção dos presentes, como já vem sendo hábito, com a sua boa disposição e alegria, o que deixou a plateia encantada. Fonte: ACEEA Influência dos espíritos Em 21 de abril decorreu na Associação Espírita de Leiria um seminário sobre “Influência dos Espíritos nos acontecimentos da vida”. O público-alvo abrangia os colaboradores e público das associações espíritas. Os expositoresMarta Antunes de Moura, Rute Salgado Guimarães e Jorge Godinho Barreto Nery - «são estudiosos da doutrina espírita, sendo colaboradores ativos na Federação Espírita do Brasil na sua sede em Brasília com larga experiência na orientação de cursos e palestras».
Palestras em Aveiro Em maio a Associação Cultural Espírita Estrela de Aveiro acolheu as seguintes palestras: às 21h00, dia 7 houve perguntas e respostas sobre “O filme dos espíritos”, em reunião orientada por Manuel Santos. Dia 14 Paulo Fonseca falou sobre “Evangelização”. Dia 21 a palestra versou sobre “Pressentimentos – o que fazer quando os sentimos” e foi proferida por Fátima Gamelas. Dia 28 Mário Pedro palestrou sobre “Moisés, Cristo e o Espiritismo”.
Às sextas-feiras às 21h00 a Associação Cultural Espírita Estrela de Aveiro promove o estudo do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. foto arquivo É verdade que a mediunidade leva à loucura? Dr.ª Gláucia Lima – Entendendo que a questão nos remete ao conceito de loucura enquanto “perda das capacidades mentais”, a faculdade mediúnica como fenómeno natural inerente ao homem não poderia per si ser um fator de desequilíbrio.
Como “loucura ou insânia” entende-se a condição da mente humana caracterizada por pensamentos anormais para a sociedade, estando o indivíduo afetado psiquicamente ou simplesmente julgado pela sociedade de uma maneira diferente. Como sabemos, a mediunidade revela-se através da sintonia e afinidade entre os espíritos, através da assimilação das correntes mentais, ou seja, tudo aquilo que pensamos, sentimos e desejamos para nós e para os outros.
Por vezes, a sintonia e os sintomas da mediunidade, principalmente quando do início do desenvolvimento mediúnico, podem suscitar algum desequilíbrio mental ou desconforto físico, na maior parte dos casos, passageiros. Os sintomas da mediunidade variam conforme o tipo de mediunidade: se de efeitos físicos ou de efeitos intelectuais. É natural que haja sintomas que surgem com frequência no despertar da mediunidade e que, face ao desconhecimento do portador do fenómeno mediúnico ou de quem o assiste, podem parecer uma alteração patológica do estado mental ou “loucura”.
Falamos de sintomas como mudança repentina de humor, labilidade emocional, sonolência inexplicável, choro sem motivo e dores sem diagnóstico definido, segundo Chico Xavier, seriam os sintomas mais comuns da mediunidade e estes sintomas estariam relacionados com a mediação feita pela glândula pineal (componente orgânica da mediunidade) às várias regiões do encéfalo. A mediunidade ao desabrochar, se não for devidamente canalizada para um fim útil eomédium orientado e educado para lidar com a mesma, poder-se-á manifestar de uma forma desorganizada, causando alguns transtornos, que podem ir desde a simples influência a um processo obssessivo grave, causando perturbações de origem mental, que necessitarão de orientação espiritual e acompanhamento no centro espírita e muitas vezes cuidados médicos especializados, dados os sintomas clínicos emergentes de ansiedade, medos, fobias, insónias dentre outros, que acabam por perturbar o seu equilíbrio mental e espiritual.
No capítulo XVIII, questão n.º 5, de “O Livro dos Médiuns”, Allan Kardec pergunta aos espíritos: “Poderia a mediunidade produzir à loucura?”. A esta pergunta os espíritos respondem: “Não mais do que qualquer outra coisa, desde que não haja predisposição para isso, em virtude de fraqueza cerebral. A mediunidade não produzirá a loucura, quando esta já não exista em gérmen; porém, existindo este, o bom senso está a dizer que se deve usar de cautela, sob todos os pontos de vista, porquanto qualquer abalo pode ser prejudicial.
” Logo, entende-se que nos casos em que o candidato à prática mediúnica já tenha a priori antecedentes psiquiátricos, este não deve ser exposto à prática da mediunidade, podendo a mesma ser prejudicial devido à sua maior fragilidade ou vulnerabilidade mental. O médium deverá aprender que não é possuidor de um dom especial, mas que através da prática mediúnica poderá ter mais uma forma de ajudar ao seu próximo, não pelo interesse pessoal, mas, por amor, caridade para com o outro, através do estudo, de algum sacrifício e da sua dedicação.
Um portador de epilepsia evidencia faculdades mediúnicas ou é algo diferente? Dr.ª Gláucia Lima – A epilepsia era conhecida no código de Hammurabi e na antiga Grécia como “a doença sagrada”, pois devido à característica súbita e inesperada do fenómeno acreditava-se que deuses ou demónios possuíam o corpo do enfermo, também denominada como “mal comicial”. Hipócrates, (460-375ac) pai da Medicina, escreveu a respeito da doença sagrada e quatro séculos antes de nossa era, dizendo que não era mais sagrada do que qualquer outra doença, defendendo a sua base orgânica.
No livro “A Génese”, no capítulo XIV, Allan Kardec ensina que uma obsessão intensa, com forte interdependência entre o obsessor e o obsidiado, pode gerar lesões orgânicas através dos fluidos espirituais nocivos para o indivíduo Apesar das afirmações de Hipócrates e de Galeno, que fez a primeira classificação das diferentes formas da doença, os portadores de epilepsia até hoje ainda sofrem com o mesmos estigmas e preconceitos, pois os leigos remetem ao “espiritual”, ao sobrenatural o que se desconhece sobre a doença.
A epilepsia é uma doença neurológica caracterizada por convulsões que vão desde as quase impercetíveis até àquelas manifestações mais graves e frequentes. A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 50 milhões de pessoas no mundo são portadoras de epilepsia e 90% destes doentes estão nos países em desenvolvimento. A epilepsia sob a ótica espírita é uma doença neurológica, como qualquer outra doença que pode alterar o organismo humano.
Por isso mesmo deve ser tratada pelo médico especialista, sendo o tratamento preferencial para a epilepsia o medicamentoso. Para pacientes com epilepsia refratária pode estar indicado o tratamento cirúrgico. Dependendo do tipo de epilepsia, a cirurgia pode ser bem sucedida em até 80% desses pacientes. Nos casos de díficil tratamento, o Espiritismo abre a possibilidade da conjunção com um fator espiritual dificultando a resposta à terapêutica, indicando também o tratamento espiritual.
Apesar de todos os avanços dos metódos em neuroimagem que permitiram entender melhor a epilepsia, ainda hoje as pessoas confundem as crises epilépticas com sintomas obsessivos, incorporações mediúnicas ou mediunidade a ser desenvolvida, suspendendo-lhe a terapêutica medicamentosa, tratando-a exclusivamente com tratamento desobsessivo e através do chamado passe magnético, o que é um grave erro. Entretanto, não há dúvida que a terapêutica espírita poderá ajudar na recuperação do equilíbrio físico do doente, sem nunca dispensar a assistência médica adequada.
A epilepsia não é nem mediunidade descontrolada nem fenómeno obsessivo: é uma doença física, embora o portador de epilepsia possa ser portador de mediunidade e em algum momento de sua vida como outro ser humano qualquer estar obsidiado pelos espíritos que com ele, por uma lei de sintonia, se afinizem. Logo, o conceito de que os epilépticos são médiuns que deveriam desenvolver a sua mediunidade é também equivocado. Entretanto, os espíritos nos chamam a atenção sobre o fator espiritual como passível de gerar alterações cerebrais, através da influência obsessiva prolongada sobre o psiquismo do indivíduo.
No livro “A Génese”, no capítulo XIV, Allan Kardec ensina que uma obsessão intensa, com forte interdependência entre o obsessor e o obsidiado, pode gerar lesões orgânicas através dos fluidos espirituais nocivos para o indivíduo. Estas energias agem sobre o perispírito, ou corpo espiritual, e este por sua vez reage sobre o corpo material, podendo determinar desordens físicas, eventualmente, sintomas epileptiformes, dentre eles as convulsões e, se de forma prolongada no tempo, poderá deixar cicatrizes perispirituais no MOB (modelo organizador biológico) que poderão revelar-se no corpo físico mais tarde, nesta ou noutra encarnação.
Podemos concluir que a epilepsia é uma doença de base orgânica, mas que também pode ser causada por fenómenos obsessivos, quando existe ação de desencarnados e casos mistos, quando apesar do substrato orgânico existem também a influências espirituais. Independentemente do caso, com ou sem envolvimento obsessivo, há necessidade de uso de medicação, psicofármacos, considerando-se que a terapia desobsessiva é indicada e eficaz, não devendo ser usada de forma exclusiva, mas, sim, de forma concomitante, como preconiza a obra kardequiana.
