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Capa da edição nº 53 do Jornal de Espiritismo

53Jornal de Espiritismo nº 53

Abril 2012 · 19 secções · ≈ 76 min de leitura

Esta edição do Jornal de Espiritismo explora temas como a crise existencial, o suicídio e a busca pela sabedoria, à luz da doutrina espírita. Apresenta o mote das Jornadas de Cultura Espírita "Viva Além da Crise", e discute a importância de enfrentar os desafios da vida com fé e responsabilidade individual, destacando a imortalidade do espírito e o aprendizado através das experiências. Aborda também a mediunidade e manifestações pós-vida.

Espiritismo
Crise existencial
Suicídio
Sabedoria
Mediunidade
Vida após a morte

Capa

Página 14 min

53 ANOIX JDE JORNALDEESPIRITISMOJULHO . AGOSTO . 2 0 1 2 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 O mote das Jornadas de Cultura Espírita, realizadas sob a égide da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal, foi “Viva Além da Crise” e decorreu no fim-de-semana de 21 e 22 de abril no auditório municipal A Casa da Música, em Óbidos, no Centro de Portugal.

15 CRÓNICA Espíritas contra o suicídio A doutrina espírita (ou espiritismo) é um dos maiores preservativos contra o suicídio. A sua compreensão e estudo têm contribuído para evitar muitas mortes. 16 OPINIÃO Xeque ao livre-arbítrio? 07 CONSULTÓRIO A mediunidade leva à loucura? Gláucia Lima é psiquiatra e conhece a temática espírita. Dando sequência a esta secção do jornal, responde a questões que dão água pela barba a muita gente.

09 OPINIÃO Breve crise de fé É sempre delírio, alucinação, efeito placebo tudo o que possa dar o flanco à terrível possibilidade de Deus afinal existir mesmo, e destronar os sábios que nada admitem acima de si próprios. Como nos julgamos capazes para tomar decisões e escolher a forma como conduzimos a nossa vida, o livre-arbítrio é um conceito que dificilmente se coloca em causa. 10 SOCIEDADE foto loucomotiv Viver além da crise «Imagina que vês a sabedoria como algo com contornos e, quando julgas que lhe percorreste o perímetro, ela reinventa novos horizontes e lá estamos de novo a persegui-la.

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Editorial

Página 23 min

que sai para o campo com vista a colher amostras de rochas nos sítios de estudo, onde verifica uma interpretação dos dados mas que só mais tarde, em laboratório, consegue confirmar conclusões e alargar a compreensão do que viu. Vista a existência material a partir do plano espiritual, num momento de esclarecimento, o percurso palmilhado faz todo o sentido nos circuitos da lei de causa e efeito, cujas raízes educativas provêem em boa parte de vidas passadas.

Se o conhecimento é aquilo de que dispomos hoje, a sabedoria constrói- -se no sedimento luminoso dos dois planos em que nos movemos, o plano material, por ora, e o plano espiritual, mais adiante, a nossa verdadeira pátria, para cujas esferas nunca devemos antecipar a partida, sublinha a experimentação sem equívoco. Com este espírito construtivo, mas ainda tão longe de destilar verdadeira sabedoria, temos o gosto de lhe desejar boa leitura!

Por Jorge Gomes JULHO.AGOSTO 2012 Perseguir a sabedoria (vindo debaixo da cama) curiosamente seria o dia em que o meu avô, a ser vivo, faria anos. No dia seguinte, pelas 7h00 da manhã o alarme da minha casa disparou numa divisão fechada. Não tenho captado, todavia, qualquer imagem (depois fiz vários testes e captava sempre imagens). Entretanto várias coisas acontecem, tais como botões do fogão a saltar, alarmes a despertar e interruptores a desligar.

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Correio

Página 33 min

Em 4 de abril Domingos escreveu: «Tenho 51 anos e a minha mulher 54. O problema é que, mesmo trabalhando muito, sem vícios e sem luxos, tudo à nossa volta se desmorona e cada dia que passa temos menos que no dia anterior e, como se isso não bastasse, os nossos filhos têm problemas de saúde. Tenho medo do futuro e penso muitas vezes no suicídio. Preciso de luz. Peço a vossa ajuda, obrigado». A resposta seguiu: «Olá Domingos, aconteça o que acontecer, não ponha termo à vida, porque só vai agravar os seus problemas.

O corpo morre, mas o Espírito é imortal, e nós continuamos todos vivos após esta jornada terrena. Se aguardamos até ao fim que Deus determinou para a nossa vida, é um regresso feliz ao mundo espiritual. Se encurtamos a nossa vida, passamos pelo sofrimento de estar do lado de lá a ver os que cá deixámos, desamparados e tristes. Além de que é um “contrato” não cumprido, e isso acarreta problemas de consciência. Os tempos vão difíceis aqui pela Europa.

Os políticos, os banqueiros, os industriais, os especuladores financeiros não parecem ter respeitado o trabalho honesto dos seus concidadãos que, em países como a Grécia, Portugal ou a Irlanda, têm de pagar literalmente pelos erros das elites. Mas vale-nos que as contas desses desvarios, se agora são pagas por nós, mais tarde serão pagas pelos seus autores. Nós pagamos em dinheiro, mas temos a consciência tranquila, o que é uma situação bem melhor que a de quem terá de responder perante as leis universais pela ganância que acabou por trazer sofrimento a tanta gente inocente.

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FEP Nas associações espíritas uma das reuniões semanais costuma ser de

Página 42 min

FEP Nas associações espíritas uma das reuniões semanais costuma ser dedicada aos mais novos, ou seja, a crianças e jovens. Pode perguntar: qual a importância do Departamento de Infância e Juventude na formação das novas gerações? A resposta não é complicada: oferece às crianças e aos jovens formação moral e uma ética de vida na família, na escola e na sociedade, que incute o respeito por si mesmo, pelos seus semelhantes, a tudo o que o rodeia e a Deus ensinando a saber agir, distinguindo o que está errado.

Além disso, incentiva nas crianças e nos jovens o interesse pelo estudo e pela vivência dos ensinamentos evangélicos, que são instrumentos de amor, sentindo e vivendo em plenitude os valores da alma. Acresce dizer que predispõe ao conhecimento da vida futura, criando um nível de consciência fundamentado na Formação das novas gerações crença em Deus, “princípio inteligente, causa primeira de todas as coisas”, “O Livro dos Espíritos”, pergunta n.

º 1. Daí que incuta nas crianças e nos jovens o sentido do valor das suas vidas na época presente, de construção da Nova Era. É interessante dinamizar reuniões e cursos para pais e educadores, auxiliando-os na tarefa da educação, segundo os fundamentos do cristianismo. foto loucomotiv JULHO.AGOSTO 2012 Congresso Espírita Mundial O 7º. Congresso Espírita Mundial, que terá lugar em Cuba entre 22 e 24 de março de 2013, promovido pelo Conselho Espírita Internacional, já está com inscrições abertas, na sua página electrónica: www.

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Breves Julho.agosto

Página 53 min

BREVES JULHO.AGOSTO 2012 Porto: Centro Espírita Caridade por Amor As comemorações do 34.º aniversário do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA) centraram-se num seminário realizado sábado, 16 de junho, no espaço HUB- Porto em Paranhos. O mote foi “Nós (n)a Mudança!” Esta associação sem fins lucrativos, uma das mais antigas da região do Porto, contou com a presença de pessoas de vários pontos do país, do Algarve a Braga, com larga experiência no movimento espírita.

Esteve no evento praticamente todo o conselho diretivo da Federação Espirita Portuguesa (FEP), sedeada na Amadora, subúrbio de Lisboa, e também vários dirigentes de centros espiritas das redondezas. Após a abertura musical feita por Clara Ghimel, da Póvoa de Varzim, Isaías Sousa, economista e membro da FEP e da ADEP, abriu o evento ao início da tarde com uma conferência sobre “Economia do Espírito”, centrada na crise económica e em como os valores espiritas são capazes de a resolver.

Este tema de profunda atualidade não ficou órfão. Ulisses Lopes, designer e presidente da ADEP, dissertou sobre “Depressão”, a doença dos tempos modernos, seguindo- -se “Mundo quadrado”, por José Lucas, tenente-coronel da Força Aérea e dirigente do Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha. O mais conhecido dos expositores falou sobre o suicídio, aborto e outros problemas sociais, destacando a ótica do espiritismo sobre esses temas.

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Breves

Página 610 min

Jornadas Espíritas de Lisboa O Centro Espírita Perdão e Caridade realizou as suas 22.ªs Jornadas Espíritas de Lisboa em 27 de maio subordinadas ao tema “Esiritismo para todos”. Estas Jornadas são das mais antigas realizadas em território nacional onde a qualidade dos trabalhos apresentados é levada muito a sério, ou não fosse da querida e amada doutrina espírita de que estamos a falar. A recepção aos convidados iniciou-se pelas 9h30 e estiveram presentes, para além dos trabalhadores da casa, várias instituições espíritas da Região de Lisboa e, sem querer esquecer ninguém, mencionamos a ABF, Fernando Lacerda, Casa do Caminho, FEC e Euripedes Barsanulfo.

A Federação Espírita Portuguesa fez-se representar pelo seu presidente, Vítor Féria, a União Espírita da Região de Lisboa por Rui Marta e o CEPC pelo seu presidente, Augusto Carona. O tema da manhã foi apresentado em conjunto pelo jovem Paulo Marinheiro e pelo sénior Manuel Rocha, ambos estudantes da casa. “A Génese” de Allan Kardec, nomeadamente a teoria da criação da Terra foi analisada à luz da ciência, estabelecendo-se uma ponte que deve ser estreitada e solidificar.

Citando Kardec, devemos acompanhar a ciência, sem nos determos onde ela termina, continuando além, esperando que o tempo venha falar por si. Abordou-se ainda a necessidade de desmistificar os “milagres”, tema que também configura este livro, pois tudo faz parte de leis naturais que apenas são desconhecidas e é preciso trazê-las para a luz da realidade objetiva, explicada pelo Espiritismo. A importância de revelação espírita e a sua universalidade, a necessidade do progresso que é uma lei de Deus, foram temas que nos fizeram refletir no porquê da vida e que tiveram um final delicioso com um poema de Leon Felipe intitulado “O salto”.

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Consultório

Página 71 min

A mediunidade leva à loucura? Gláucia Lima é psiquiatra e conhece em profundidade a temática espírita. Dando sequência a esta secção do jornal, denominada consultório, responde nesta edição a duas questões que dão água pela barba a muita gente. foto loucomotiv JULHO.AGOSTO 2012 tempos, perante os quais os cem anos de uma vida humana têm a brevidade de um relâmpago. Ninguém pense por isso que terá havido ensejo, por exemplo, para algum ser humano de hoje ter sido, por hipótese um cão, há dois mil anos… No percurso evolutivo do princípio inteligente provavelmente as espécies não existiam como existem hoje quando o psiquismo do nosso ser espiritual humano atual se encontrava nesse patamar da evolução.

Porém, não repugna a razão que, em matéria de subespécies, será possível fazer lentas e progressivas aproximações, qual aconteceu na evolução das espécies, no caso dos vertebrados, desde as esponjas do oceano há muitos milhões de anos na Terra. Superiores ou inferiores? Outra pergunta: «Há animais que revelam melhores sentimentos que nós. Eles são superiores ao ser humano?».

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Opinião

Página 84 min

mais condicionados pelo instinto e pelas rotinas psíquicas da espécie que poderão dar-lhes esse aparência pontual de superioridade. Acontece também que, por exemplo um cão, que não seja alfa (chefe da casa), é capaz de ser dócil e dedicado ao dono como o dono gostaria que outras pessoas fossem. Mas isso tem a ver não com superioridade mas com características de relacionamento e estatuto dentro da matilha. O ser humano adquiriu uma desenvoltura espiritual claramente mais dilatada do que a esfera essencialmente instintiva dos outros seres do reino animal.

Se configurarmos uma trajetória evolutiva, percebemos que para trás de nós há uma predominância do instinto. No ser humano o instinto também ocupa espaços mais ou menos amplos mas criou- .- -se um espaço notório para os exercícios do livre-arbítrio, uma conquista evolutiva que traz responsabilidade. Enquanto o instinto é infalível e certeiro, o exercício do livre-arbítrio assenta numa ginástica de tentativa e erro, gerando consequências pelas quais o discernimento cria conhecimento próprio.

Como a evolução no nosso patamar se conquista de forma intransferível e com mérito próprio, sem qualquer tipo de tráfico de influências como hoje se costuma dizer nas sociedades humanas, os horizontes de amadurecimento espiritual aproximam-se mais céleres, apesar das vicissitudes que o mesmo, quando incipiente, normalmente acarreta. Felinos e espíritos Um rapaz faz ouvir a sua voz: «Às vezes o meu gato fica a olhar para a parede: estará a ver algum espírito?

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Opinião Julho.agosto

Página 92 min

OPINIÃO JULHO.AGOSTO 2012 Breve crise de fé foto loucomotiv Permitam-me divagar um pouco, sem pretensões de lavrar aqui doutrina, o que aliás seria impossível, à luz do pensamento oficial, dada a minha condição de crente em Deus. E se antes ficava perplexo por não encontrar Deus quando olhava pelo microscópio ou pelo telescópio, de não o encontrar nos modelos atómicos ou nas fórmulas matemáticas, comecei a encontrá-lo precisamente aí quando olhava pelo microscópio ou pelo telescópio, de não o encontrar nos modelos atómicos ou nas fórmulas matemáticas, comecei a encontrá-lo precisamente aí.

Porque entendi, com o passar dos anos, que qualquer obra tem o seu autor. E que do Nada não pode brotar alguma coisa. Mas também porque a realidade Quando entrei no liceu (o equivalente ao atual sétimo ano de escolaridade), lembro-me de, numa conversa vadia com um amigo, ter-lhe confidenciado que de repente tinha como que perdido Deus de vista. As horas árduas agarrado à Física, à Química e às outras ciências “duras”, produziam, no cérebro de um garoto de 12 anos, a estranha sensação de se ter o Universo todo na palma da mão, resumido, peneirado, filtrado e decantado sob a forma de protões, neutrões e eletrões.

Nessa altura a ideia de Deus pareceu-me infantil, para sempre reduzida ao encanto ingénuo das figurinhas coloridas do meu catecismo da Igreja Católica. A comunhão solene, que tanta preparação me havia requerido e tanta felicidade me proporcionara, parecia-me reduzida ao ato de engolir um pedaço de pão, que os sucos gástricos prontamente digeriram. E nada mais. Tinha 12 anos. Depois cresci. E se antes ficava perplexo por não encontrar Deus da mediunidade entrou na minha vida sem pedir licença, e entendi que se a vida continua após a morte do corpo, é altamente provável que o argumento de que Deus não existe porque não se vê não faça muito sentido.

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Reportagem

Página 106 min

Viver além da crise O mote das Jornadas de Cultura Espírita, realizadas sob a égide da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal, foi “Viva Além da Crise” e decorreu no fim-de-semana de 21 e 22 de abril no auditório municipal A Casa da Música, em Óbidos, no Centro de Portugal. Se tivéssemos de resumir estas Jornadas numa frase, escolheríamos um trecho de «O Evangelho Segundo o Espiritismo»: «A ideia clara e precisa que se faz da vida futura dá uma fé inabalável no porvir, e essa fé tem consequências enormes sobre a moralização dos homens, porque muda completamente o ponto de vista pelo qual eles encaram a vida terrena.

foto arquivo JULHO.AGOSTO 2012 é mais do que rápida passagem, uma breve permanência num país ingrato. (…)». Estas palavras, tão significativas da doutrina espírita, não podem ser letra morta, e é nos momentos difíceis que ganham maior significado. Há que viver com os pés na terra mas com os olhos no céu. Paulo Mourinha, médico, analisou o stress e a depressão apontando o caráter cíclico e necessário das crises, conducentes a novos paradigmas.

Neste caso, o paradigma que desponta parece apontar para um reequilíbrio entre “ter” e “ser”, após um período de materialismo exacerbado. Francisco Curado, cientista, assinalou que o Universo não evolui de forma linear, da micro à macro-escala, e que há momentos de aceleração. Apresentou análises de diversos pesquisadores sobre o movimento cíclico evolutivo e citou exemplos históricos, como o da civilização Maia ou da que viveu na ilha de Páscoa.

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Reportagem Julho.agosto

Página 111 min

REPORTAGEM JULHO.AGOSTO 2012 O editor do facebook do Centro Espírita Caridade por Amor escreveu: «O Centro Espírita Caridade por Amor, através de uma dezena dos seus membros, esteve presente nas Jornadas de Cultura Espírita da ADEP realizada este fim-de- semana em Óbidos. Destaque para a presença da nossa amiga e colega Lígia Pinto, como palestrante. O tema das jornadas “Viva além da Crise” foi superiormente esclarecido, salientando-se a compreensão das crises como fenómenos naturais e cíclicos que, embora tragam dificuldades e constrangimentos, são na realidade oportunidades de mudança que o nosso Espírito imortal não deve desperdiçar na sua jornada de crescimento.

Fé, vontade, amor e sabedoria... são instrumentos à nossa disposição para enfrentar estes momentos tão complicados. Realce ainda para a boa disposição do evento, o ambiente fraterno que reinava entre todos, e para o encantamento que a vila de Óbidos exerce sobre todos os que a visitam. Parabéns à ADEP e aos organizadores. Já estamos ansiosos pelo próximo evento». Por sua vez, Lurdes Enxuto diz na mesma rede social da internet: «Foram dois dias maravilhosos.

Não houve um tema, que não agradasse. Foi óptimo». Lê-se igualmente de Teresinha Neves, que também esteve lá: «Acabei de cheComentários gar de Óbidos, vinda das Jornadas Espíritas e adorei! No próximo ano lá estarei... se Deus quiser!». E, entre muitos outros comentários, vem Liana Araújo: «Parabéns mais uma vez pela organização e pela abordagem dos temas. Foi ótimo e nos ajuda a seguir em frente, sempre!». Passou pelos curandeiros, onde a família deixou muito dinheiro ganho honestamente, até concluir que os defumadouros e os talismãs absolutamente nada adiantam.

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Reportagem (pág. 12)

Página 123 min

Maria foi às Jornadas Há uns meses, a ADEP recebeu uma mensagem eletrónica de uma senhora portuguesa radicada num país do Norte da Europa. Já é avó de muitos netos. Chamar-lhe- -emos Maria. Periodicamente, desde os tempos e criança, vivia episódios que a deixavam esgotada e muito assustada. Como a maior parte das pessoas que possuem a faculdade mediúnica mais ostensiva, foi incompreendida. O que é natural, dado que nem ela mesma compreendia porque via pessoas que mais ninguém via, porque ouvia mensagens e ruídos que mais ninguém ouvia, porque é que na sua presença havia objetos que se deslocavam sem contacto, porque tinha premonições.

Percorreu o calvário habitual nessas situações. Passou por vários médicos, mas a medicina materialista nega a priori que estas coisas sejam possíveis, e encolhe os ombros perante as evidências. Peregrinou até aos santuários da sua religião, mas não havia diabos para espantar com as velas que a sua féea da família lá colocouporque não existem diabos. Passou pelos curandeiros, onde a família deixou muito dinheiro ganho honestamente, até concluir que os defumadouros e os talismãs absolutamente nada adiantam.

Até que ouviu falar do Espiritismo e da sua abordagem da mediunidade. A mediunidade é algo de natural, de orgânico. Se por vezes a sua eclosãoeo seu periódico regresso provocam tanto mal-estar, não é porque a mediunidade seja má. Jesus de Nazaré era médium. Confabulou com Moisés e Elias, no Monte Tabor. E Moisés e Elias eram nessa altura falecidos havia muito tempo. Eram Espíritos. Quando esteve 40 dias a jejuar no deserto, Jesus também foi procurado por maus Espíritos.

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Crónica

Página 133 min

Possuirá o Mundo recursos de subsistência para todos? Há mais de meio século Josué de Castro, respeitado presidente da FAO, ponderava no seu Livro Negro da Fome dados estatísticos mundiais relativos a 1953, quando a Humanidade somava cerca de dois mil milhões de seres. O relatório desses dados sustentava que os recursos alimentares de então eram suficientes para uma população mundial de treze mil milhões de habitantes.

Vivemos em crise: repete-o a comunicação social, comenta-se no trabalho, em casa, nos cafés… CRISE é tema dominante. Políticos, economistas, religiosos, técnicos de diversas atividades, dissecam-na como preocupação da sociedade. Sem dúvida, a ideia de crise afeta o sentir e pensar geral, no País e em grande parte do Mundo. Operadoras financeiras multinacionais (e seus tecnocratas) são apontadas como causa primordial da situação, pressionando nefastamente as políticas nacionais; os governos, sob tal pressão, cavam abismos de desigualdade, aparentam indiferença por valores éticos de solidariedade e justiça social, pelo grassar do desemprego, pelo sofrimento infligido às populações.

Estas sentem Governo e Estado impiedosos para as classes média e baixa, enquanto veem os potentados financeiros privilegiados em todas as áreas, incluindo numa justiça que por sistema lhes vai assegurando impunidade. O sentir geral atribui a autoria da ”crise” a rostos, cargos, funções, reconhece nos mercados e nos políticos os fautores da grave situação _sem reparar que eles são um reflexo de nós próprios, e que no lugar deles muito provavelmente agiríamos de modo semelhante.

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Opinião (pág. 14)

Página 147 min

Ocorre isso agora, conforme ocorreu no passado. Jesus trouxe as suas lições num destes momentos, em que uma maioria era submetida a convenções sócio políticas desequilibradas e relativamente injustas, em função da nacionalidade, religião, posição social ou sexo. E tal como nessa época, interrogamo-nos se devemos agir de acordo com as sugestões e vontade da maioria, ou antes optar por noções morais íntimas? O episódio da mulher samaritana auxilia-nos perante este dilema.

O relato feito pelo evangelista João (João; IV: 1 a 43) conta que o Mestre terá tomado o caminho mais longo, difícil e arriscado para um judeu ao optar, no trajeto da Judeia para a Galileia, por abandonar as margens do Jordão e subir as montanhas. Amélia Rodrigues descreve como, ao longo de 50 km, “saindo de Jerusalém, no dia anterior, demandando à Galiléia, Jesus abandonara a estrada real (...) para galgar as montanhas de Efraim, penetrando os limites da Samaria, evitados pelos nascidos em Judá.

” (Primícias do Reino(PR): 9). Jesus separa-se do seu grupo e durante a tarde, encontra repouso junto à fonte de Jacob, em Sicar. Esclareça-se que, fonte ou poço, ambas as traduções estão corretas, pois a estrutura do poço é contígua à da fonte. João e Amélia Rodrigues situam o momento perto das 12h00, mas Humberto de Campos desloca toda a cena para o entardecer. Nos instantes seguintes, quatro lições serão deixadas.

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Crónica (pág. 15)

Página 155 min

Já nas VIII Jornadas de Cultura Espírita que decorreram em Óbidos, a 21 e 22 de Abril de 2012, os espíritas abordaram temas centrais e transversais à sociedade, no sentido de demonstrarem a ineficácia do suicídio. Por essa altura, podia-se ver uma exposição estática, nas escadas de acesso ao auditório municipal “A Casa da Música”, subordinada ao tema “Vale a pena viver” e “Suicídio? Não, obrigado!”, onde, num misto de informação séria e humor, se procurava trazer novas luzes de entendimento a quem quer que observasse com atenção essa exposição.

Alice Alves, professora do ensino secundário, espírita, foi a autora da referida exposição, tão singela quanto profunda, e que se encontra patente no átrio do Centro de Cultura Espírita, nas Caldas da Rainha (Bairro das Morenas), durante este ano, e ao dispor de quem a quiser visitar, gratuitamente. Questionado um dos dirigentes desta associação espírita caldense, referiu que “quando as pessoas conhecem a doutrina espírita e a entendem, o suicídio deixa de fazer sentido”, referindo ainda que se recorda de vários casos de pessoas que solicitaram auxílio no Centro de Cultura Espírita, em desespero, com ideias suicidas, e que posteriormente mudaram a sua maneira de pensar, vivendo muito melhor.

O Espiritismo não pretende fazer adeptos, pois que não é mais uma religião nem mais uma seita, mas tem por objectivo explicar às pessoas que a imortalidade do Espírito é uma realidade, a reencarnação, bem como a comunicabilidade dos Espíritos. Desde meados do século XIX que, Allan Kardec lançou “O Livro dos Espíritos”, em 18 de Abril de 1857, sendo assim o marco do aparecimento do Espiritismo na Terra. Desde então, muitos cientistas e pesquisadores, espíritas e não espíritas, têm suportado as teses espíritas, demonstrando a sua veracidade.

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Opinião (pág. 16)

Página 166 min

Se a existência de um único acaso inteligente ainda poderia ser encarada como uma coincidência singular e fantástica, acreditar num tão grande número de acasos extraordinários e inteligentes ultrapassa os limites da crendice. JULHO.AGOSTO 2012 seria moldado independentemente da sua vontade e ninguém poderia ser responsabilizado pelas suas atitudes. A vida não teria qualquer sentido. Sendo certo que a ciência deve procurar a verdade e não respostas para o sentido da vida, o paradigma materialista em que são fundeadas a esmagadora maioria das decisões e escolhas individuais estão condicionadas por importantes fatores heterogéneos e dinâmicos, alguns deles caóticos e impossíveis de prever, que influenciam os nossos comportamentos: a hereditariedade e a carga genética, o meio cultural, familiar e social em que estamos inseridos e as experiências a que É impensável não termos liberdade para decidir entre ler este texto ou passar de imediato à próxima página mas, e se alguns cientistas tivessem dúvidas sobre o que tomamos por garantido?

O neurocientista John-Dylan Haynes, diretor de um grupo de investigação do Max Planck Institute for Human Cognitive and Brain Sciences em Leipzig, descobriu que é possível inferir as intenções de um indivíduo através da sua atividade cerebral antes de ele estar consciente da sua vontade. Em 2008, o prof. Haynes e a sua equipa realizaram ressonâncias magnéticas em voluntários a quem foi solicitado que, sem qualquer tempo-limite, escolhessem entre carregar num botão com a mão esquerda ou direita.

No momento em que decidissem carregar no botão, os voluntários apenas precisariam de memorizar a letra que estava a ser apresentada de uma sequência em permanente modificação. Analisados os resultados, Haynes descobriu que o padrão espacial da atividade cerebral no pólo frontal permitia antecipar a escolha cerca de sete segundos antes do momento em que os indivíduos relataram terem feito conscientemente a sua decisão.

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Cinema / Literatura Julho.agosto

Página 175 min

CINEMA / LITERATURA JULHO.AGOSTO 2012 Introdução ao Livro dos Espíritos Este trabalho do professor José Herculano Pires (1914-1979) foi redigido para integrar as comemorações do primeiro centenário de «O Livro dos Espíritos» em 18 de Abril de 1957 e seria colocado logo na abertura da edição especial da LAKE (Livraria Allan Kardec Editora), de São Paulo, por si traduzida. Tal INTRODUÇÃO é considerada pelos estudiosos da nova doutrina, como o melhor estudo de sempre sobre «O Livro dos Espíritos».

Até hoje nada semelhante foi feito. Herculano diz-nos que «O Livro dos Espíritos» é a verdadeira certidão de nascimento do Espiritismo e que com ele cumpriu-se a promessa de Jesus a respeito do Consolador que nos enviaria, conforme registo do seu apóstolo João. Este admirável trabalho está dividido em oito partes ou pequenos capítulos, como os queiramos designar: Preâmbulo (sem título). A Codificação Espírita. A filosofia espírita.

A dialética espírita. A legitimidade do livro. O problema científico. O problema religioso. Estudos futuros. Para não nos estendermos muito e com o intuito, único e exclusivo, de estimular a sua leitura e estudo, escolhemos apenas dois destes capítulos para a presente crónica. Primeiro escolhemos o que se refere à LEGITIMIDADE DO LIVRO para registarmos o método de Kardec para tratar dos fenómenos mediúnicos, também designados de espíritas.

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Afinidades

Página 186 min

WWW Como conheceu o espiritismo? Isaías SousaPor volta do ano de 1976 a minha vida começou a ficar um caos. Tudo me corria mal. Nesse mesmo ano conheci uma pessoa que tinha faculdades mediúnicas e que me disse que eu tinha um problema de ordem espiritual. Mais tarde conheci uma pessoa amiga, que já tinha passado por uma situação idêntica e me falou sobre espiritismo. Nesse mesmo dia recebi um convite para participar numa palestra sobre a reunião de evangelho no lar, que algumas pessoas realizavam em casa de amigos.

À hora e dia marcado compareci nessa reunião, onde tudo o que se passou me era desconhecido, ficando em mim a vontade de continuar a participar nas reuniões espíritas. O espiritismo modificou a sua vida? Isaías SousaApós o conhecimento do espiritismo e tendo-me dedicado ao seu estudo, tudo na minha vida se modificou para melhor. Que livro espírita anda a ler neste momento? Isaías SousaNeste momento estou a rever e a estudar o livro “ Obras Póstumas “, de Allan Kardec.

– Como conheceu o Espiritismo? Luís Vilhena – Penso que, como a maioria dos espíritas, conheci a doutrina pela dor. Depois de bastante tempo com uma grande depressão sem qualquer resultado positivo e vários médicos consultados fui levado por um amigo a um centro espírita e a partir daí comecei a melhorar, pois estava obsidiado. Aceitei a doutrina e comecei a interessar-me mas sem grande envolvimento. A partir da desencarnação do meu filho foi então que comecei o estudo a sério e foi realmente o Consolador que me ajudou a mim e a todos a ultrapassar essa fase difícil de nossa etapa; posso mesmo dizer que tudo devo à doutrina espírita, inclusive a vida.

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Passatempos

Página 192 min

Durante o evangelho no lar podemos colocar sobre a mesa um recipiente com água para ser fluidificada pelos Espíritos. Herculano Pires, escritor e importante vulto na divulgação da doutrina espírita, tinha por hábito oferecer à esposa, Maria Virgínia, poesias amorosas em todos os seus aniversários? A ideia recorrente de suicídio que uma vez por outra surge na mente de algumas pessoas pode derivar de experiências vividas nessa área em vidas anteriores?

É no reino animal que o princípio inteligente se “elabora e ensaia para a vida”, a fim de, na sequência, vir a tornar-se um Espírito humano? No local onde existiu a casa da família Fox, em Hydesville, um marco que representou o início do Espiritualismo e os precursores do Espiritismo, foi construído um jardim e um obelisco de homenagem à família Fox? JULHO.AGOSTO 2012 ÚLTIMA DESAFIO JOVEM ILUSTRADOR II ILUSTRA UMA FÁBULA!

A equipa do Projeto “Fábulas para ensinar, aprendendo” lança o “Desafio Jovem Ilustrador II”, iniciativa especialmente orientada para o público infanto-juvenil, no âmbito da edição do volume III da coleção. Percorrendo “O Evangelho Segundo o Espiritismo” sob o formato de fábulas, este projeto pretende mobilizar os jovens espíritas através dos departamentos infanto-juvenis respetivos para que enviem ilustrações para o próximo livro a ser editado no final do ano.

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