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Opinião

Jornal de Espiritismo nº 53 · Abril 2012Página 84 min

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mais condicionados pelo instinto e pelas rotinas psíquicas da espécie que poderão dar-lhes esse aparência pontual de superioridade. Acontece também que, por exemplo um cão, que não seja alfa (chefe da casa), é capaz de ser dócil e dedicado ao dono como o dono gostaria que outras pessoas fossem. Mas isso tem a ver não com superioridade mas com características de relacionamento e estatuto dentro da matilha. O ser humano adquiriu uma desenvoltura espiritual claramente mais dilatada do que a esfera essencialmente instintiva dos outros seres do reino animal.

Se configurarmos uma trajetória evolutiva, percebemos que para trás de nós há uma predominância do instinto. No ser humano o instinto também ocupa espaços mais ou menos amplos mas criou- .- -se um espaço notório para os exercícios do livre-arbítrio, uma conquista evolutiva que traz responsabilidade. Enquanto o instinto é infalível e certeiro, o exercício do livre-arbítrio assenta numa ginástica de tentativa e erro, gerando consequências pelas quais o discernimento cria conhecimento próprio.

Como a evolução no nosso patamar se conquista de forma intransferível e com mérito próprio, sem qualquer tipo de tráfico de influências como hoje se costuma dizer nas sociedades humanas, os horizontes de amadurecimento espiritual aproximam-se mais céleres, apesar das vicissitudes que o mesmo, quando incipiente, normalmente acarreta. Felinos e espíritos Um rapaz faz ouvir a sua voz: «Às vezes o meu gato fica a olhar para a parede: estará a ver algum espírito?

». A boa disposição gera sorrisos. Mais ainda quando o inquiridor completa: «Na dúvida, rezo logo um pai-nosso!». Da mesa, salta uma observação: «Porque tem medo de espíritos? Nós somos espíritos, só que encarnados, com corpo físico!». Depois explica-se que é normal que os animais tenham um leque alargado de sentidos que nós não temos. O membro da mesa tira os óculos e explica que a miopia não lhe permite ver os rostos mais distantes na sala.

Talvez o gato esteja a ver um pequeno inseto que o dono não vê, quem sabe? Porém, não repugna que alguns animais possam pressentir a presença de entidades espirituais, o que não é drama nenhum, já que todos convivemos desde a mais remota Antiguidade. Os espíritos não são uma espécie de “deuses” que determinam influências irresistíveis na nossa vida – são, isso sim, pessoas como nos próprios, só que sem corpo material.

E as questões continuaram, mas o nosso espaço aqui acabou, sendo certo que a dúvida esclarecida é uma forma de solidificar o conhecimento. Por Jorge Gomes Emtornodosanimais A sala está cheia. No final do mês, nesta sexta-feira, 27 de abril, é tempo de mesa-redonda no Centro Espírita Caridade por Amor, na cidade do Porto. E o tema? Ah! Esse tinha sido sugerido anonimamente um tempo antes, numa pequena caixa disponível ao fundo da sala.

Com três pessoas na mesa, a representarem os palestrantes do mês com algumas ausências, cabia a quem estivesse presente colocar de viva voz as suas perguntas. Por via das dúvidas, Carlos Miguel trouxe de casa perguntas de algibeira, mas, afinal, no fim viu-se que não foram necessárias. Galinha e coelho Aberto o período de indagações, uma jovem despachou-se: «Dentro da filosofia espírita, é correto alimentar-se de animais?

». Um dos membros da mesa-redonda diz sem peias: «Não é o que entra pela boca que faz imundo o homem, mas sim o que sai dela». Relembra o evangelho naquela passagem em que os fariseus criticaram os discípulos de Jesus por não se lavarem antes da refeição. E desfia as ideias a partir daí: «O futuro, feito no presente, tenderá a que a nossa alimentação dispense o sacrifício de coelhos, galinhas, porcos, vacas…». Contudo, «seria ilusão pensar que nos tornamos melhores pessoas só porque não consumimos produtos de origem animal.

O que nos faz melhores pessoas, de facto, não é o que vestimos ou o que comemos, mas o que pensamos e fazemos. A presença da caridade nas nossas atitudes, tal como a entendia Jesus, essa sim, far-nos-á melhores pessoas, mas como sabemos, tendo de ser autêntica, é bem mais lenta de se fixar no nosso dia-a-dia». A alma da bicharada Outra pessoa indaga, em formato de dupla face: «Os animais possuem alma? Em caso afirmativo, por uma espécie de evolução espiritual, os animais virão a ser homens?

». Não fica sem resposta. Antes de mais, os factos: o ser humano é também uma espécie animal, se o encararmos do ponto de vista material. O fosso que costumamos estipular entre espécies de seres vivos não é muito realista. Estamos todos mais próximos uns dos outros do que pensamos. Os espíritos sábios elucidam, sem margem para dúvidas, que face à mecânica do perispírito (corpo espiritual) nenhum de nós pode reencarnar – ou manifestar-se mediunicamente – como cão, boi ou chimpanzé, por exemplo.

A mecânica do perispírito (ou corpo espiritual) não viabiliza o processamento do fenómeno. Porém, não repugna a razão que, em matéria de subespécies, será possível fazer lentas e progressivas aproximações, qual aconteceu na evolução das espécies, no caso dos vertebrados, desde as esponjas do oceano há muitos milhões de anos na Terra. Veja-se a proximidade do cão e do lobo. O cão, visto como espécie, designa-se por Canis lupus familiaris.

O género é Canis; a espécie é Canis lupus; a subespécie fica em familiaris. O lobo europeu, por exemplo, é Canis lupus lupus. São espécies tão próximas que hibridam. Isto tem a ver com aproximações genéticas que permitem seguir a evolução material dos organismos das espécies. Explica-se também que a evolução das espécies de animais, do ponto de vida material, faz-se acompanhar de modificações subtis no corpo espiritual, segundo afirmações proporcionadas pelos instrutores da Espiritualidade.

Logo, estamos a falar de tempos e foto arquivo JULHO.