53 — índice de conteúdos

Capa

Jornal de Espiritismo nº 53 · Abril 2012Página 14 min

Partilhar
Idioma

53 ANOIX JDE JORNALDEESPIRITISMOJULHO . AGOSTO . 2 0 1 2 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 O mote das Jornadas de Cultura Espírita, realizadas sob a égide da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal, foi “Viva Além da Crise” e decorreu no fim-de-semana de 21 e 22 de abril no auditório municipal A Casa da Música, em Óbidos, no Centro de Portugal.

15 CRÓNICA Espíritas contra o suicídio A doutrina espírita (ou espiritismo) é um dos maiores preservativos contra o suicídio. A sua compreensão e estudo têm contribuído para evitar muitas mortes. 16 OPINIÃO Xeque ao livre-arbítrio? 07 CONSULTÓRIO A mediunidade leva à loucura? Gláucia Lima é psiquiatra e conhece a temática espírita. Dando sequência a esta secção do jornal, responde a questões que dão água pela barba a muita gente.

09 OPINIÃO Breve crise de fé É sempre delírio, alucinação, efeito placebo tudo o que possa dar o flanco à terrível possibilidade de Deus afinal existir mesmo, e destronar os sábios que nada admitem acima de si próprios. Como nos julgamos capazes para tomar decisões e escolher a forma como conduzimos a nossa vida, o livre-arbítrio é um conceito que dificilmente se coloca em causa. 10 SOCIEDADE foto loucomotiv Viver além da crise «Imagina que vês a sabedoria como algo com contornos e, quando julgas que lhe percorreste o perímetro, ela reinventa novos horizontes e lá estamos de novo a persegui-la.

A sabedoria existe para isso mesmo, estimula a evolução», dizia-se numa noite branda pela internet. Do outro lado, diferente ponto de vista, fraternal: «Não concordo, penso que se adquire, não se persegue». O diálogo juntava por força dos factos duas vertentes: a de quem olha para si próprio com metas de amadurecimento já traçadas mas ainda distantes, tendo noção do quanto falta iluminar, e o olhar de outrem sobre essa forma de ser.

Entre teclas a fugirem dos dedos – como diria o nosso amigo Luís – a conversa tinha começado no fim de uma semana de trabalhos com o diálogo sobre a aparência de ser sábio ou de o ser realmente. Isso leva a que se tenha de fazer uma distinção entre conhecimento e sabedoria. Fará sentido dizer que aprendemos que o conhecimento se adquire mas a sabedoria só surge após amadurecimento. Como a flor e o fruto. O aprendizado que nos leva ao conhecimento tem origens diversas.

A experiência própria, bem interpretada, é uma fonte generosa de aquisições, sujeitas a reedições sucessivas numa espiral evolutiva. Também conseguimos uma valente fatia de conhecimento pelos registos de experiências alheias. É certo que a invenção da escrita configurou uma ferramenta de valor máximo neste processo. Mas não deixa de ser conhecimento, frequentemente com prazo de validade. Ensinam os amigos da Espiritualidade – aqueles que já passaram os véus da matéria densa e as paisagens evolutivas em que ainda transitamos – que é como se todos estivéssemos numa grande estrada, encetando viagens de aprendizado pessoal, individualizado, cujas experiências de vida se podem comparar a um período de longa colheita seguido, mais tarde, com frequência já noutro plano de existência, da sua análise e compreensão integral.

A figura não está longe da do geólogo A sua vida é como uma borboleta azul Havia um viúvo que morava com as suas duas filhas. As meninas eram curiosas e inteligentes e faziam muitas perguntas! A algumas ele sabia responder, a outras não. Como pretendia oferecer-lhes a melhor educação possível, levou as meninas a passarem férias com um sábio que morava no alto de uma colina. O sábio sabia sempre responder a muitas perguntas.

Impacientes com o sábio, as meninas resolveram inventar uma pergunta que ele não saberia responder. Então, uma delas apareceu com uma linda borboleta azul que usaria para pregar uma partida ao sábio. A irmã perguntou: - O que vais fazer? - Vou esconder a borboleta nas minhas mãos e perguntar se ela está viva ou morta. Se ele disser que está morta, vou abrir as minhas mãos e deixá-la voar. Se ele disser que ela está viva, vou apertá-la e esmagá-la.

E, assim, qualquer resposta que o sábio nos der estará errada! As duas meninas foram então ao encontro do sábio. Estava a meditar mas interrompeu o recolhimento interior para atender as meninas. Ouviu: - Tenho aqui uma borboleta azul. Diz-me sábio, ela está viva ou morta? Calmamente o sábio sorriu e respondeu: - Depende de ti. A borboleta está nas tuas mãos. Assim é a nossa vida, o nosso presente e o nosso futuro. Não devemos culpar ninguém quando algo dá para o torto!

Somos nós os responsáveis por aquilo que conquistamos ou deixamos de conquistar. A nossa própria vida está nas nossas mãos, tal e qual a borboleta. Cabe ao nosso bom senso escolher o que fazer com ela. Fonte: www.cvdee.org.br/evangelize/ pdf/3_0077.