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Reportagem (pág. 12)

Jornal de Espiritismo nº 53 · Abril 2012Página 123 min

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Maria foi às Jornadas Há uns meses, a ADEP recebeu uma mensagem eletrónica de uma senhora portuguesa radicada num país do Norte da Europa. Já é avó de muitos netos. Chamar-lhe- -emos Maria. Periodicamente, desde os tempos e criança, vivia episódios que a deixavam esgotada e muito assustada. Como a maior parte das pessoas que possuem a faculdade mediúnica mais ostensiva, foi incompreendida. O que é natural, dado que nem ela mesma compreendia porque via pessoas que mais ninguém via, porque ouvia mensagens e ruídos que mais ninguém ouvia, porque é que na sua presença havia objetos que se deslocavam sem contacto, porque tinha premonições.

Percorreu o calvário habitual nessas situações. Passou por vários médicos, mas a medicina materialista nega a priori que estas coisas sejam possíveis, e encolhe os ombros perante as evidências. Peregrinou até aos santuários da sua religião, mas não havia diabos para espantar com as velas que a sua féea da família lá colocouporque não existem diabos. Passou pelos curandeiros, onde a família deixou muito dinheiro ganho honestamente, até concluir que os defumadouros e os talismãs absolutamente nada adiantam.

Até que ouviu falar do Espiritismo e da sua abordagem da mediunidade. A mediunidade é algo de natural, de orgânico. Se por vezes a sua eclosãoeo seu periódico regresso provocam tanto mal-estar, não é porque a mediunidade seja má. Jesus de Nazaré era médium. Confabulou com Moisés e Elias, no Monte Tabor. E Moisés e Elias eram nessa altura falecidos havia muito tempo. Eram Espíritos. Quando esteve 40 dias a jejuar no deserto, Jesus também foi procurado por maus Espíritos.

Estar com os Espíritos inferiores no deserto, se não foi agradável, também não incomodou um Espírito esclarecido como Jesus. Já a obsessão é uma coisa diferente. Não é preciso possuir-se mediunidade para se passar por um processo obsessivo. Na sua aceção mais comum, a obsessão é a influência desagradável que um Espírito (necessariamente ignorante, ainda ligado a sentimentos inferiores, como a vingançaeoódio) pode exercer sobre alguém encarnado (vivo).

Não reclamamos que o Espiritismo opere prodígios, ou que seja via única para ultrapassar as dificuldades com que a Maria se debateu durante tantos anos. O certo é que a nossa amiga saiu da depressão que a paralisava. A medicina do corpo, que nunca descurou, está finalmente a fazer o devido efeito, porque a Maria encontrou no Espiritismo a motivação para vida, a injeção de auto-estima, as explicações de que necessitava para romper a muralha de isolamento que a enclausurava.

Está fazer o Curso Básico de Espiritismo on-line. Está a ler a Codificação Espírita. Está a esclarecer-se, e por isso já não se assusta nem cede a incómodos espirituais. Lá se arranjou para tirar as férias anuais de forma a vir assistir às Jornadas. Trouxe a mãe e os irmãos, que moram cá. Quiseram ver com os próprios olhos o que era afinal o Espiritismo, que muita gente desconhece e que outra tanta confunde com práticas supersticiosas.

Em vez disso encontraram pessoas normais, de todas as idades e todas as maneiras de ser e de estar, unidas pelo ideal cristão, apostando numa fé raciocinada, num salutar intercâmbio de cultura, espiritualidade e amizade. Para Maria, chegou a hora de conhecer a verdade. E a verdade libertou-a. Foi no Espiritismo. Podia ser noutro meio onde a harmonia com as leis divinas seja a meta. O mérito é todo dela. Como disse Raoul Follereau, que não era espírita: “A única verdade é amar”.

Foi bom vê-la feliz, com os seus familiares, que também gostaram do evento. Uma companheira espírita que conversou com ela ficou tocada com a experiência que a Maria relatou e com a felicidade reconquistada. Passou por mim e confidenciou-me em surdina: “Que melhor pagamento podemos ter?”. Por André Afonso JULHO.