Crónica (pág. 15)
Jornal de Espiritismo nº 53 · Abril 2012Página 155 min
Já nas VIII Jornadas de Cultura Espírita que decorreram em Óbidos, a 21 e 22 de Abril de 2012, os espíritas abordaram temas centrais e transversais à sociedade, no sentido de demonstrarem a ineficácia do suicídio. Por essa altura, podia-se ver uma exposição estática, nas escadas de acesso ao auditório municipal “A Casa da Música”, subordinada ao tema “Vale a pena viver” e “Suicídio? Não, obrigado!”, onde, num misto de informação séria e humor, se procurava trazer novas luzes de entendimento a quem quer que observasse com atenção essa exposição.
Alice Alves, professora do ensino secundário, espírita, foi a autora da referida exposição, tão singela quanto profunda, e que se encontra patente no átrio do Centro de Cultura Espírita, nas Caldas da Rainha (Bairro das Morenas), durante este ano, e ao dispor de quem a quiser visitar, gratuitamente. Questionado um dos dirigentes desta associação espírita caldense, referiu que “quando as pessoas conhecem a doutrina espírita e a entendem, o suicídio deixa de fazer sentido”, referindo ainda que se recorda de vários casos de pessoas que solicitaram auxílio no Centro de Cultura Espírita, em desespero, com ideias suicidas, e que posteriormente mudaram a sua maneira de pensar, vivendo muito melhor.
O Espiritismo não pretende fazer adeptos, pois que não é mais uma religião nem mais uma seita, mas tem por objectivo explicar às pessoas que a imortalidade do Espírito é uma realidade, a reencarnação, bem como a comunicabilidade dos Espíritos. Desde meados do século XIX que, Allan Kardec lançou “O Livro dos Espíritos”, em 18 de Abril de 1857, sendo assim o marco do aparecimento do Espiritismo na Terra. Desde então, muitos cientistas e pesquisadores, espíritas e não espíritas, têm suportado as teses espíritas, demonstrando a sua veracidade.
Estando comprovada a imortalidade e a reencarnação do Espírito, o suicídio afigura-se como o fundo falso da vida, onde o ser mergulha numa escuridão foto loucomotiv JULHO.AGOSTO 2012 interior, anos a fio, até que um dia desperte para a espiritualidade. Referem as pessoas que se suicidaram, através dos médiuns espíritas pelos quais se comunicam, que não existem palavras para descrever os sofrimentos (inenarráveis, portanto) por que passa um suicida no mundo espiritual, não por castigo divino, mas por frustração, sentimento de auto culpabilização, colhendo o que semeou, podendo esse desequilíbrio mental demorar-se muito tempo, ao ponto de poder reencarnar com inúmeras deficiências ou limitações, de acordo com o grau de responsabilidade de cada um.
Quando as pessoas conhecem a doutrina espírita e a entendem, o suicídio deixa de fazer sentido violentamente do corpo de carne, como quem tira a roupa ao deitar, para ir dormir, sem se despersonalizar. A doutrina espírita, ciência, filosofia e moral, diz-nos que Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, que somos imortais, que em determinadas circunstâncias pode-se comunicar com o mundo espiritual, fala-nos da realidade da reencarnação e da lei de causa e efeito, bem como da pluralidade dos mundos habitados (este último, o único que falta comprovar pela ciência “oficial”).
“Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a lei”, é uma frase que encerra bem a ideia espírita, que é o maior preservativo contra o suicídio que conhecemos, pois que ao invés de impor, explica, esclarece e consequentemente consola. Os bons espíritos apontam sempre no sentido do bem, ensinando que vale a pena viver, por mais difícil que o transe existencial se afigure, na certeza de que nenhum de nós se encontra sozinho no palco da vida, pois que os mensageiros divinos (os guias espirituais) nos acompanham nos nossos êxitos e dificuldades, mesmo que na retaguarda das nossas percepções.
Tal como o sol rompe a treva nocturna na devida altura, também nós, se soubermos porfiar no bem, na prece sincera, no esforço de cada dia e na confiança em Deus, conseguiremos superar todas as aparentes insuperáveis dificuldades na vida. José Lucas ser humano e o sentido da sua existência. Seriam a complexidade, a inteligência e a evolução humana, apenas o resultado fortuito de contingências aleatórias e casuais? Incapaz de encontrar explicações mais convincentes para os mistérios da suprema magnificência que o rodeia, o materialismo continua a justificá-los como obras soberbas de um prodigioso acaso.
O acaso teria engenho para idealizar o Universo? Como o acaso descobriu arte para inventar a magia da vida? Onde foi buscar o génio para criar a inteligência? Poderia o acaso ter dirigido o progresso social, tecnológico e moral alcançado pela humanidade? Onde o acaso descobriu a elevação necessária para proferir o Sermão da Montanha ou a inspiração para moldar a Pietá de Miguel Ângelo? Se a existência de um único acaso inteligente ainda poderia ser encarada como uma coincidência singular e fantástica, acreditar num tão grande número de acasos extraordinários e inteligentes ultrapassa os limites da crendice.
Consciência e a inteligência A consciência e a inteligência não são um curto-circuito nem o subproduto acidental da interação de umas quaisquer moléculas. Enquanto a ciência permanecer cingida à matéria bruta, alimentando preconceitos pela dimensão do que não pode ver, tocar e ouvir pelos meios convencionais, ficará ainda muito distante de tanger os arrabaldes da verdade que procura. De acordo com a premissa materialista, as extrapolações que alguns cientistas retiraram destes estudos são verdadeiras: o livre-arbítrio não existe.
A matéria não possui livre-arbítrio porque ela não dispõe de inteligência, ela age impulsionada por uma vontade exterior a si. Poderão ser estudados exaustivamente os impulsos elétricos e as conexões nervosas de um cérebro, dissecá-lo e dividi-lo até à escala atómica e mesmo assim não serão encontrados vestígios da vontade que originou um comportamento. Todo o corpo físico pode ser destruído e mesmo assim continuam a existir evidências de que algo para além desse corpo não morreu e continua a revelar sinais de inteligência e emotividade.
A sede do pensamento e da consciência encontra-se no Espírito imortal. Por isso, o ser humanoque não é apenas matériadispõe da extraordinária liberdade para pensar, vontade para agir e consciência para medir os seus atos, corrigi-los e melhorá-los. O livre-arbítrio é um atributo da alma imortal estruturada em vidas sucessivas, sendo através dessa faculdade admirável que a vontade individual poderá superar os instintos, as falsas ideias, as tendências impostas pelo meio e os condicionalismos da genética, da cultura e do personalismo, agindo de acordo com o sentir e as necessidades íntimas daquele que é dono e responsável pelo seu próprio destino: o Espírito, a verdadeira essência daquilo que somos.
