Cinema / Literatura Julho.agosto
Jornal de Espiritismo nº 53 · Abril 2012Página 175 min
CINEMA / LITERATURA JULHO.AGOSTO 2012 Introdução ao Livro dos Espíritos Este trabalho do professor José Herculano Pires (1914-1979) foi redigido para integrar as comemorações do primeiro centenário de «O Livro dos Espíritos» em 18 de Abril de 1957 e seria colocado logo na abertura da edição especial da LAKE (Livraria Allan Kardec Editora), de São Paulo, por si traduzida. Tal INTRODUÇÃO é considerada pelos estudiosos da nova doutrina, como o melhor estudo de sempre sobre «O Livro dos Espíritos».
Até hoje nada semelhante foi feito. Herculano diz-nos que «O Livro dos Espíritos» é a verdadeira certidão de nascimento do Espiritismo e que com ele cumpriu-se a promessa de Jesus a respeito do Consolador que nos enviaria, conforme registo do seu apóstolo João. Este admirável trabalho está dividido em oito partes ou pequenos capítulos, como os queiramos designar: Preâmbulo (sem título). A Codificação Espírita. A filosofia espírita.
A dialética espírita. A legitimidade do livro. O problema científico. O problema religioso. Estudos futuros. Para não nos estendermos muito e com o intuito, único e exclusivo, de estimular a sua leitura e estudo, escolhemos apenas dois destes capítulos para a presente crónica. Primeiro escolhemos o que se refere à LEGITIMIDADE DO LIVRO para registarmos o método de Kardec para tratar dos fenómenos mediúnicos, também designados de espíritas.
O sábio de Lyon resume o seu método em quatro pontos: 1ºEscolha de colaboradores mediúnicos insuspeitos, tanto do ponto de vista moral, quanto da pureza das faculdades e da assistência espiritual; 2ºAnálise rigorosa das comunicações, do ponto de vista lógico, bem como do seu confronto com as verdades científicas, pondo-se de lado tudo aquilo que não possa ser logicamente justificado; 3ºControlo dos Espíritos comunicantes, através da coerência das suas comunicações e do teor de sua linguagem; 4ºConsenso universal, ou seja, concordância de várias comunicações, dadas por médiuns diferentes, ao mesmo tempo e em vários lugares, sobre o mesmo assunto.
É importante não confundir o método de Kardec que é o método doutrinário com os métodos de investigação científica dos fenómenos espíritas. Herculano esclarece-nos: «Enquanto no trato mediúnico, a premissa da existência do Espírito e da possibilidade da comunicação já estão firmadas, pois o que importa é a legitimidade da comunicação, na pesquisa científica, tudo ainda está para ser descoberto e provado. As investigações científicas podem variar infinitamente de processos e métodos, de acordo com os investigadores.
Mas, nas sessões mediúnicas não podemos fugir ao método kardequiano, que se comprovou na prática, há um século, ser o único realmente eficiente, e que procede, como vimos das reuniões mediúnicas da era apostólica.» (Evangelho de JoãoeI epístola de Paulo aos coríntios) Vamos agora analisar o PROBLEMA CIENTÍFICO. Para tal escolhemos a forma de diálogo que é a mais fácil e objectiva para compreendermos e fixarmos as ideias.
Vamos então entrevistar o emérito professor: 1ªOnde podemos confirmar que Allan Kardec examinou o problema científico do Espiritismo? Podemos confirmar que Kardec examinou a questão científica do Espiritismo na «Introdução ao estudo da Doutrina Espírita» (capítulos VII e VIII), que abre «O Livro dos Espíritos». 2ªO que diz o texto que nos ajuda a esclarecer a questão científica do Espiritismo? Diz o seguinte: «A Ciência propriamente dita, como Ciência, é incompetente para se pronunciar sobre a questão do Espiritismo: não lhe cabe ocupar-se do assunto e seu pronunciamento a respeito, qualquer que seja, favorável ou não, nenhum peso teria.
» 3ª- Porquê essa afirmação de Kardec? Porque o Espiritismo como Ciência tem os seus próprios métodos, uma vez que o seu objecto não é a matéria, mas o espírito. 4ª- Não obstante aquela observação, Kardec insiste no caracter científico do Espiritismo. Porquê? Porque «O Livro dos Espíritos» vem abrir uma nova era para o estudo dos problemas espirituais. Até à sua publicação as questões espirituais eram tratadas de maneira empírica ou apenas imaginosa.
As religiões com os seus intricados sistemas teológicos, ou as ordens ocultas, as corporações místicas e teosóficas, deslocavam os problemas do espírito para o terreno do mistério. Este livro apresenta-se como um divisor de águas. Tudo aquilo que antes dele constitui o espiritualismo, pode ser chamado “espiritualismo utópico”, e tudo o que vem com ele e depois dele, seguindo a sua linha doutrinária, “espiritualismo científico”, como fazem os marxistas com o socialismo de antes e depois de Marx.
5ª- O significou a publicação de «O Livros dos Espíritos» para a cultura espiritual? Com ele a questão do espírito e dos seus problemas saíram do terreno da abstração, para se tornarem acessíveis à investigação racional, e até mesmo à pesquisa experimental. O sobrenatural tornou-se natural. Tudo se reduziu a uma questão de conhecimento das leis que regem o Universo. Esclarecemos que tal preciosidade doutrinária não existe publicada autonomamente ou em separata, está integrada nas primeiras edições de «O Livro dos Espíritos» da LAKE de tradução de J.
H. Pires, após Abril de 1957. Posteriormente após a integração da LAKE na Federação Espírita do Estado de São Paulo, essa tradução feita por Herculano Pires deixou de ser publicada por vários anos. Hoje surge novamente, mas infelizmente com uma alteração que não concordamos. Essa alteração consistiu na tradução dos 13 extractos do original francês para o português, que o saudoso professor utilizou para os estudiosos poderem confrontar com o texto original.
Não faz sentido essa tradução, porque no corpo do livro a tradução estava feita. A título de informação esclarecemos que esta pérola doutrinária do professor Herculano Pires pode ser encontrada em «O Livro dos Espíritos» da edição do CEPCCentro Espírita «Perdão e Caridade» (Lisboa), graças à generosidade dos familiares do professor que cederam generosamente ao CEPC os direitos de publicar a sua tradução com essa INTRODUÇÃO, pois o Sr.
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IMPRESSÃO DIGITAL Entrevista a frequentadores Luís Vilhena tem 63 anos e é agricultor reformado, a viver atualmente em Setúbal.
