Sempre aconteceu assim: textos veneráveis acabam por ser manipulados e
Jornal de Espiritismo nº 54 · 2012Página 27 min
passam a servir interesses duvidosos, sem que tenham de alguma forma sugerido qualquer tipo de violência.
"Com a espada feriste, com ela
serás ferido”, dizia-se numa moldura vingativa entre impropérios de “Morte aos infléis” em plenas cruzadas medievais, enquanto donos dos grandes negócios transnacionais esfregavam as mãos de contentes.
A sabedoria do evangelho capaz de
se refletir nas atitudes descaía dando espaço ao crime e, se preciso fosse, um séquito de assessores haveriam de varrê-la para debaixo de um qualquer tapete.
Mais tarde, aparentemente condoída, a Inquisição que, como se sabe,
levava apenas de santa o nome, fazia arder “blasfemos” em praça pública, muitos deles cidadãos ricos, a fim de lhes alcançar os bens: “Purifica-te, confessa, para não ires para o inferno”. Não precisavam de ir, já lá estavam, ansiosos por libertação.
Qual o maior mandamento da Lei, perguntavam há 2 mil anos a Jesus. O Mestre responde: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.(1)
Sabe Deus que contas na espiral das vidas sucessivas se vão saldando, passo a passo, mas certo é que, depois
disso, vem a voz dos imortais por via mediúnica, em meados do seculo XIX, afirmar diante das perguntas de Allan Kardec: é pela omissão dos bons que os maus com frequência dominam a Terra.(2)
Bom mesmo só Deus o é, disse algures o sábio nazareno. A ilação maniqueísta de um mundo dividido entre maus e bons cai assim por terra.
Vem isto a propósito de o nosso amigo Zé ter sugerido que juntássemos algumas ideias em poucas palavras sobre a abordagem espiritista à política e à crise que ora se acentua.
Quem estuda e procura viver o ideal de fraternidade que o espiritismo inspira não fica alienado dos deveres Cívicos de uma sociedade vista como democrática, apesar das sucessivas amolgadelas na sua soberania.
A participação na sociedade,
de pensamento podem ser até pressionadas, retaliadas, mas todo o cidadão terá direito legal de expor as Suas ideias.
Isso não branqueia achincalhamento ou a divulgação de calúnias vestidas de verdade. Não obstante, com factos, embora não haja qualquer prazer em expor a asneira ou mesmo o crime, há mesmo casos em que se deve desvendar o mal de outrem (3): “Se
as imperfeições de uma pessoa só a ela prejudicam, nenhuma utilidade
haverá em divulgá-la. Se, porém, podem acarretar prejuízo a terceiros, deve-se atender de preferência ao interesse do maior número. Segundo as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode constituir um dever, pois mais vale que caia um homem, do que virem muitos a ser suas vítimas. Em tal caso, deve-se pesar a soma das vantagens e dos inconvenientes.”
Com esta clareza, com serenidade, fundamento sólido e a nobreza moral de quem não tenha telhados de vidro, será tempo de quem tem a dignidade de trabalhar pelo seu sustento sem as mordomias de quem faz as leis à feição a si próprio e não do bem comum, dizer o que pensa, com tranquilidade e lucidez, defendendo-se da crueldade que nada justifica, num horizonte de sabedoria que recomenda o que já há 2 mil anos uma voz sábia sublinhava ser importante dar a césar o que é de césar e a Deus o que é de Deus.
encontrar alguma mais-valia
exterior aos interesses financeiros que aparentemente tudo querem subjugar, já que após esta breve passagem terrena cada um de nós apenas conseguirá levar aquilo que verdadeiramente deu aos outros.
Em tempos bem antigos, um rei colocou uma pedra enorme no meio de uma estrada.
Escondeu e ficou observando para ver se alguém tiraria a imensa rocha do caminho.
Alguns mercadores e homens muito ricos do reino passaram por ali e simplesmente contornaram
a pedra. Alguns até praguejaram dizendo que o rei não mantinha
as estradas limpas, mas nenhum deles tentou sequer mover a pedra dali para fora.
De repente, passa um camponês com uma boa carga de vegetais. Ao aproximar-se da rocha, pousou a Sua carga e tentou remover a rocha dali. Após muita força e suor, ele finalmente conseguiu mover a pedra para a berma da estrada.
Então, ele voltou a pegar a sua carga de vegetais, mas notou que havia uma bolsa no local onde antes estava a pedra. A bolsa continha moedas e uma nota escrita pelo rei que dizia que esse montante seria para a pessoa que tivesse removido a pedra do caminho.
O camponês aprendeu o que muitos de nós nunca entendeu: todo o obstáculo contém uma oportunidade para melhorarmos a nossa condição.
Fonte: www.cvdee.org.br/evangelize/pdf/3 0145.pdf CORREIO
Diz Maria José: “Tenho uma dúvida: desta vez, é sobre um artigo que li no último “Jornal de Espiritismo”, na rubrica “Sabia que?”. Na primeira curiosidade, fala sobre o casamento na Terra. Se possível gostava que mo explicassem melhor. Confesso que não entendi muito bem o que se pretende dizer. Como gosto muito de perceber as coisas, e como vós dizeis sempre “para qualquer esclarecimento, contacte-nos”, estou a levar à letra. Muito obrigada.”
Que bom que existem dúvidas e que não existem inibições na exposição delas. E obrigado pela confiança no seu esclarecimento. No último Jornal de Espiritismo”, na rubrica “Sabia que” aparece: “Na grande maioria das vezes, o casamento na Terra tem por finalidade atenuar desafetos e resgatar débitos contraídos mutuamente pelos cônjuges envolvidos?”. Devemos examinar as uniões conjugais como uma experiência de reequilíbrio dos Espíritos no aconchego de um lar, local onde se harmonizam e crescem, limando os compromissos mútuos assumidos e que se vão transformando em realizações objetivas que dignificam e elevam a sociedade.
Essas uniões são uma tentativa de união e harmonização das naturais diferenças e desavenças existentes nos braços do amor.
Editor: ADEP Redator: Jorge Gomes Maquetagem: www.loucomotiv.com Fotografia: Loucomotiv e Arquivo Tiragem: 2000 Exemplares
Registado no Instituto da Comunicação Social com o n.º 124325
ajuda recíproca, de respeito mútuo e responsabilidades partilhadas, para que, através do tempo de convivência diária, o casal possa descobrir-se, aumentando a compreensão, fortalecendo laços afetivos nas alegrias e tristezas e amparando-se mutuamente nas dificuldades da vida. Tal como é indicado na rubrica “Sabia que”, não podemos ignorar que uma boa parte dos casamentos na Terra ainda são tentativas de solucionar problemas de relacionamento que não foram resolvidos noutras vidas. Num relacionamento tão próximo e intenso como uma união conjugal, o amor construído dia após dia, dificuldade após dificuldade, conquista após conquista, é uma forma sublime
de ultrapassar desavenças passadas e que, por uma razão ou por outra, não foi possível ultrapassar em outras vidas. Mas entenda que as uniões conjugais não são uma punição, nem servem para castigar ou pagar dívidas de ninguém. O relacionamento íntimo é uma ferramenta preciosa que Deus coloca à nossa disposição para que com a troca de experiências e da aprendizagem que as diversas situações proporcionam, através da construção diária do amor, possa produzir no casal a vontade de estarem juntos e de compartilharem muitos outros momentos da sua vida imortal.
Os leitores pedem o nosso ponto de vista mediante as questões que colocam. Escolhemos aleatoriamente algumas delas: por exemplo, aqui fica a primeira...
Pedro Rocha escreve assim em 27 de junho: «Sou um leitor assíduo. Acho bastante interessante e gosto de estudar a doutrina espírita. Tenho um amigo que acha que é homossexual e não sabe bem como lidar com a situação. Quero ajudar. Como é que a doutrina espírita vê a homossexualidade?».
A resposta seguiu pelo missivista de serviço: «Olá Pedro, a homossexualidade ainda é uma grande interrogação para a ciência. Durante séculos foi energicamente combatida na Europa cristã, porque era proscrita pelo Antigo Testamento. No entanto, este também recomenda, entre
Administração e Redacção ADEPRua do Espírito Santo, N.º 38, Cave Nogueira - 4710-144 BRAGA
Jornal de Espiritismo Apartado 161
4711-910 BRAGA E-mail jornalidadeportugal.org
outras coisas, que se mate por apedrejamento as mulheres adúlteras. E todos sabemos o que disse Jesus acerca desse costume.
É ponto assente que a homossexualidade não é uma opção, mas sim uma orientação sexual. Assim sendo, não depende do indivíduo ser hetero ou homossexual, tal como não podemos escolher ser altos ou baixos, ter olhos azuis ou castanhos.
O que pode depender de cada um é a forma de viver a sua orientação sexual. Uma pessoa homossexual, tal como uma pessoa heterossexual, pode escolher ser celibatária, ser promíscua ou ser monogâmica.
Para o Espiritismo, que defende valores mas não prescreve condutas (como fazem as religiões tradicionais), qualguer que seja a orientação sexual da pessoa, o que mais conta é que esta a viva de forma digna, usando e não abusando, fazendo dela um meio para uma vida harmoniosa e não um fim em si mesma. E a experiência diz-nos que há muitos casais e pessoas homossexuais que são muito equilibrados na vivência sexual e amorosa, ao contrário da ideia preconceituosa que associa homossexualidade apenas a «paradas gay» e outros aspetos mais folclóricos.
Então, e resumindo, o Espiritismo não dispõe de todas as respostas nem da verdade absoluta. Cremos que o livre-arbítrio de cada um e a sua consciência, desde que não atropelem os direitos alheios, são valores inalienáveis. Valores muito mais altos se alevantam, na vida de uma pessoa (a caridade, a honestidade, a retidão, o companheirismo, a simpatia, a ética profissional, etc.) do que a questão privada de se sentir atração pelo sexo oposto ou pelo mesmo sexo. Ou até por nenhum dos dois, pois há pessoas assexuais, e que vivem essa orientação sem conflito algum. Abraço amigo!».
Por sua vez, Maria Marques diz em 6
de julho: «Gostava de saber como lidar bem com a minha filha que tem 15 anos
e parece ter mediunidade: apresenta mudanças de humor, chora e ri sem mais nem menos, deita-se no chão a dizer coisas sem significado nenhum. Como me
Conselho de Administração Noémia Margarido, Isaías Sousa
Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal
