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Hádoismilanos Livro autobiográfico de 430 páginas, psicografado em ape

Jornal de Espiritismo nº 56 · Maio 2013Página 173 min

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Hádoismilanos Livro autobiográfico de 430 páginas, psicografado em apenas três meses — iniciado a 24 de outubro de 1938 e concluído a 9 de fevereiro de 1939 — segundo as «possibilidades de tempo». A luta do médium pelo ganha-pão, o amparo à família e a educação dos seis irmãos, órfãos de mãe — D. Cidália Batista, o «Anjo Bom» — do segundo casamento do seu pai, era titânica: absorviam-lhe, quase por completo, o tempo disponível para os labores doutrinários.

Temos de considerar, ainda, que após o trabalho de psicografia, os textos eram passados a limpo pelo próprio jovem Xavier, já que, como exímio datilógrafo, e graças ao apoio do seu chefe, o engenheiro Rómulo Joviano, era-lhe permitida a utilização da máquina da repartição após as horas do expediente. Só uma fé racional inabalável, escurada a uma disciplinada vontade de aço, poderia levar o jovem médium a materializar na Terra a sabedoria dos Espíritos capitaneados por Emmanuel.

Esta narrativa verídica, documento histórico retirado dos arquivos do Mundo Maior, constitui um valioso subsídio para melhor conhecermos a História da Antiguidade Clássica, particularmente a do advento do Cristianismo. É, sobretudo, um compêndio de educação moral sustentado por factos reais, cujo desenrolar dos acontecimentos está centrado na história de uma jovem família patrícia de Roma que, por motivos graves de saúde da filha de seis anos, vai residir temporariamente para uma zona distante e obscura do grande Império — a Palestina.

O chefe de família, o orgulhoso senador Públio Lentulus Cornelius, tem, então, 28 anos, e só regressará 15 anos depois à capital do Império. A impressionante mediunidade do jovem Chico semialfabetizado é confirmada, em saciedade, através de citações e descrições dos locais que dois milénios apagaram da memória dos homens, bem como da vida romana cuja exactidão é confirmada pela Antropologia, Arqueologia e as demais disciplinas subsidiárias da História.

Apenas quem vivenciou essas situações as poderia descrever com tanta riqueza de pormenor. A descrição do circo de Roma e seus bastidores; o porto de Óstia que servia a grande capital; as gemónias, escadaria do monte Aventino, dirigidas ao rio Tibre, por onde eram arrastados e lançados os cadáveres dos supliciados; o Velabro, bairro onde residiam os habitantes mais miseráveis de Roma, implantado na região pantanosa da cidade; a destruição de Pompeia pelo tremor de terra e concomitante erupção do Vesúvio; entre outros.

As citações dos cargos desempenhados pelos diversos funcionários da administração do Império: senadores, que representavam a maior autoridade após o imperador; pretores, incumbidos de aplicar a justiça; lictores, ajudantes dos altos funcionários romanos, como Pilatos, o procurador da Judeia na época. Ficamos a saber que, no tempo da crucificação de Jesus, a personalidade com maior autoridade na Palestina era o jovem senador Lentulus, legado do imperador Tibério, e não Pôncio Pilatos, como muitas vezes se pensa.

É dado igualmente a conhecer, que Lívia, a jovem esposa de Públio Lentulus, foi a única pessoa que tudo fez nos bastidores para que o maior Benfeitor que a Humanidade conheceu fosse liberto da morte infamante. Compreendemos melhor a tremenda dificuldade em superar os preconceitos, quais rochas inamovíveis que só o tempo e a dor conseguem abanar, e depois destruir e remover do coração humano. Entendemos, ainda, os efeitos nefastos e devastadores da calúnia e da inveja, defeitos inerentes à pequenez humana.

Questões ainda tão atuais, não obstante terem decorrido há dois milénios, que são descritas de forma superior pelo espírito Emmanuel, como a atividade criminosa dos médiuns comerciantes que exploram a ambição humana e o drama pungente do rapto de uma criança. Esta obra será, também, o primeiro de uma série de cinco, que desenterram da «poeira dos séculos» episódios históricos que nos mostram o nascimento, expansão e adulteração do Cristianismo.

Comprovam-nos, pois, através de exemplos, um dos pilares do Espiritismo, que os Espíritos da Codificação já nos haviam revelado teoricamente, o princípio da pluralidade das existências que, por sua vez, se desdobra em duas leis admiráveis: a reencarnação (lei biológica) eaação e reação (lei moral). Por Carlos Alberto Ferreira JANEIRO.