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podemos afirmar que as obras literárias psicografadas ou de estudos do

Jornal de Espiritismo nº 56 · Maio 2013Página 166 min

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E podemos afirmar que as obras literárias psicografadas ou de estudos do espiritismo são também espíritas na medida em que elas se enquadram na filosofia das obras da Codificação de Kardec e na moral dos evangelhos de Jesus. (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, que contém textos, “ipsis litteris”, dos quatro evangelhos escolhidos por Kardec, e com comentários de vários espíritos sob a ótica evangélica). É, pois, um erro grave pensar que toda obra mediúnica psicografada, psicofónica, intuitiva ou inspirada por algum espírito é Os fenómenos que envolvem espíritos a nenhuma fé estão restritos Os fenómenos que envolvem espíritos são universais e existem desde que o mundo é mundo.

Pode-se dizer que todo fenómeno espírita é mediúnico, mas nem todo fenómeno mediúnico é espírita. foto arquivo JANEIRO.FEVEREIRO 2013 espírita. Inspirei-me, para fazer esta matéria, no livro: “Espiritismo – Fundamentos Históricos e Doutrinários”, de Milton Felipeli, Letras & Textos Editora, da Fraternidade Francisco de Assis (www.fraternidadeassis.com.br), Vila Prudente, São Paulo, Brasil. Recomendo-o para os que querem aprofundar os seus conhecimentos de espiritismo, que pode ser encontrado também na Editora e Distribuidora de Livros Espíritas Chico Xavier.

(contato@ editorachicoxavier.com.br). Todas as pessoas são um pouco médiuns. Mas nem todas têm uma mediunidade especial, ostensiva, que S. Paulo chamou de dons espirituais (do espírito do indivíduo). Daí que quando alguém ora em línguas, é o próprio espírito dele que ora (1 Coríntios 14: 14), não sendo, pois, o Espírito Santo trinitário, como muitos pensam. Na Bíblia, o Espírito Santo é o de cada um de nós. “Eu farei levantar-se entre vós um homem de um Espírito Santo chamado Daniel.

” (Daniel 13: 45), da Bíblia Católica, pois, na Protestante, o Livro de Daniel só tem 12 capítulos. É que Lutero tirou 7 livros da Bíblia e mexeu em outros. A mediunidade, realmente, não é privilégio de pessoas espíritas. Todas as religiões têm médiuns. E ela é o fenómeno responsável pela grande verdade do contato com os espíritos dos mortos. E o próprio papa João Paulo II disse na basílica de São Pedro, no dia de Finados de 1983: “O diálogo com os mortos não deve ser interrompido porque, na realidade, a vida não está limitada pelos horizontes do mundo.

” (Revista «Veja», página 93, de 6 de março de 2005). Como vimos, não tem, pois, fundamento bíblico a comunicação com os “diabos” e o Espírito Santo trinitário. Aliás, “diabos” (“diabolos” em grego) nem espíritos eles são. E demónios são espíritos humanos e podem ser bons, maus e imperfeitos, como nos mostra o estudo hermenêutico da Bíblia e da Vulgata Latina de S. Jerónimo. A mediunidade, realmente, não é privilégio de pessoas espíritas.

Todas as religiões têm médiuns. E ela é o fenómeno responsável pela grande verdade do contato com os espíritos dos mortos. Ficamos por aqui, hoje, com o texto paulino (Efésios 1: 17): “Rogo ao Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da Glória, que vos dê um espírito de sabedoria e revelação no pleno conhecimento dele.” PS: Na TV Mundo Maior por parabólica digital e internet (www.redemundomaior. com.br) assista ao programa “Presença Espírita na Bíblia” deste colunista, às 20h00 das quintas, com reprise às 23h00 dos domingos.

Perguntas no e-mail: penb@redemundomaior.com.br. Recomendo também o livro “Histórias da Vida – Nos Passos do Mestre”, da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais (AME), Editora AME, BH, 2012. Por José Reis Chaves OPINIÃO Cloud Atlas O filme “Cloud Atlas” estreou em Portugal em 29 de novembro rodeado de grande expectativa. O caso não era para menos: tratava-se de uma superprodução com um elenco de luxo – Tom Hanks, Halle Barry, Hugh Grant e Susan Sarandon, entre outros – sendo a adaptação do romance homónimo de David Mitchel, aclamado pela crítica literária pelo seu génio, criatividade e singularidade narrativa.

Além disso, a realização do filme ficou sob a responsabilidade dos irmãos Wachowski (criadores do sucesso “Matrix”) e Tom Tykwer, desenvolvendo ao longo de seis histórias passadas em épocas diferentes de um período de quase 500 anos uma trama que se entrelaça através da reencarnação. Acompanhando o percurso de várias personagens ao longo de várias vidas, o filme mostra-as em situações e épocas distintas, enfrentando decisões em que são obrigadas a escolher entre alimentar o ego ou fazer o que é certo, cometendo muitas vezes os mesmos erros que as colocaram nessas encruzilhadas.

O início do filme é um pouco confuso já que os realizadores atiram o espetador de história para história sem permitirem uma real compreensão dos detalhes de cada uma delas, no entanto, com o passar dos minutos, começamos a perceber que as seis histórias são na verdade uma só, representando a luta do Espírito para se conseguir desenvencilhar das garras opressivas do medo, da escravatura, da maldade, das convenções sociais, da ignorância, do poder a todo o custo, da homofobia e de muitas outros cárceres que atrofiaram, e ainda continuam a atrofiar, a extraordinária capacidade que o ser humano tem para amar e ser feliz.

Quem está à espera de um filme sobre reencarnação, é bem capaz de ficar defraudado. Este é um filme que aborda o tema da espiritualidade de uma perspetiva muito própria, usando a reencarnação para fazer a ligação entre as várias personagens em diferentes épocas sem nunca se referir a ela de uma forma explícita. Não existe um aprofundamento desta temática, ela é apenas sugerida através de recordações, intuições e pequenos sinais, por vezes até se torna difícil distinguir os personagens tão extraordinário foi o trabalho de caracterização.

Mesmo não sendo este o tema central, a ideia da reencarnação está impregnada em todos os “frames” do filme, definindo a vida como um processo contínuo de evolução da consciência através de várias experiências sucessivas que não se esgota com a morte do corpo. Expondo muitas vezes a fragilidade humana na sua forma mais bárbara, este filme propõe-nos uma reflexão sobre aquilo que estamos a construir como sociedade se continuarmos a permitir que o preconceito, o egoísmo e a ganância se sobreponham à nossa capacidade para amar e sentir o outro como igual.

Apesar de nos confrontar com cenários futuros de uma sociedade que trata clones como se não fossem gente e de um planeta quase extinto de civilização, “Cloud Atlas” não é um filme pessimista ou apocalítico. Se algumas personagens, ao longo da várias histórias, se mantêm intransigentes na perpetuação dos seus ódios e posturas dominadoras, outras mostram-se capazes de transformar os seus instintos perturbadores em sentimentos mais sublimados, abandonando a postura egoísta e passando a tomar decisões que levem em consideração o bem-estar coletivo.

Na realidade, “Cloud Atlas” é um filme inspirador, sugerindo que o verdadeiro amor é imortal, que tudo aquilo que fazemos tem repercussões no futuro e que é imprescindível fazer certos sacrifícios para enfrentar tudo aquilo que não está certo no nosso mundo e para nos batermos pela nossa liberdade e pela liberdade dos outros. Explora de forma muito peculiar a ambivalência da consciência humana, a forma como ela vacila constantemente nos limites da fronteira que separa o certo do errado, expondo os efeitos que essas atitudes têm naqueles que se relacionam connosco ao longo do tempo.

Não há como negar que “Cloud Atlas” é um filme exigente para o espetador mas que vale a pena ser visto com atenção. Entre outras, ele traz-nos uma mensagem que é urgente ser espalhada e interiorizada: já vivemos muitas vezes no passado e viveremos muitas outras no futuro. Em cada encarnação, a vida oferece-nos oportunidades extraordinárias para aprender e crescer como Espíritos. Em todas elas, dispomos da liberdade para aprender ou não aprender as lições, de nos reconciliarmos ou não com aqueles com quem nos desentendemos, mas, enquanto não aprendermos a orientar- -nos pelo caminho certo, a vida encarregar-se-á de nos proporcionar novas situações que nos darão a possibilidade de adquirirmos essa aprendizafem e iniciarmos a transformação necessária.

Como disse de forma tão brilhante a clone Sonmi~451 na parte final do filme: ”As nossas vidas não são nossas. Desde o ventre até ao túmulo, somos compelidos uns para os outros, para o passado e para o presente. E por cada crime, por cada gesto de bondade, fazemos nascer o nosso futuro.