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Opinião (pág. 15)

Jornal de Espiritismo nº 56 · Maio 2013Página 152 min

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Sob o céu azul-cobalto, a névoa ainda paira nas charnecas, e se escutarmos com atenção, por sobre a algazarra dos corvos talvez ainda descortinemos o eco distante do trote dos cavalos ou do chiar dos carros de bois que aqui circularam desde as origens do mundo. É sábado, o dia em que podemos espreitar como será o Mundo Novo, após o fim deste mundo já velhote. Explica - -nos o Espiritismo que o Fim dos Tempos não será a aparato tétrico do Juízo Final, imagem boa para a Humanidade de outrora, ainda rude nas coisas do Espírito.

Como decerto nunca estagiei em mundo de regeneração, só posso imaginar que a vida venha a ser um permanente sábado: paz, harmonia, trabalho alegre, vida social baseada na confiança mútua, alimento para o espírito e para o corpo. Era nisto que ia pensando, enquanto passava por alegres grupos de caminhantes e amenas tertúlias de banco de jardim, ao sol envergonhado da tarde. Aguardava-me gente generosa, que, por vontade de servir, com muito trabalho dedicado, ergueu a pequena, acolhedora e honrada sede física de um grupo espírita que acabava de abrir portas.

Parei para pedir orientações. Um grupo de gente simpática indicou - -me o caminho e quis saber o meu destino. Respondi que ia para a Associação Cultural Espírita de Alcobaça. Quando pronunciei a palavra “espírita” vi desenhar-se no semblante das pessoas alguma surpresa. Acontece para onde quer que se vá. O Espiritismo ainda é pouco conhecido. A sala estava cheia. Amigos, conhecidos e pessoas curiosas de saber o que é, afinal, “esta coisa do Espiritismo”.

Crianças, jovens e gente mais crescida. E sabe Deus quantos Espíritos ali foram levados para ouvir as minhas palavras simples, mas que para muitos deles poderão abrir as portas um munfoto aseb JANEIRO.FEVEREIRO 2013 Os pomares já têm vistoso tapete verde. Pomares a perder de vista, com a sua folhagem outonal, são como nuvens douradas. Os melros jogam às escondidas nos canaviais e os choupos espalham o seu aroma doce.